Review – Dragon Age: Inquisition

Dragon Age: Inquisition é eleito o melhor jogo do ano pelo Game Awards 2014. Foi merecido? Bom, confira a review e tire suas próprias conclusões.

Confesso que não joguei os outros jogos da série Dragon Age. Não sei explicar exatamente o que me afastava da série, tinha a impressão de que esse jogo era mais um RPG genérico sem muita identidade. Antes que me atirem pedras, eu tive pouca experiência nos jogos da Bioware, conheci Mass Effect a pouco tempo, então não sabia de sua habilidade narrativa, por isso, minha única forma de avaliação era em cima dos vídeos de gameplay que acompanhava no youtube, e nada se destacava aos meus olhos.

Eis que Dragon Age: Inquisition é lançado e muitas das reviews que li elogiavam vários aspectos do jogo e o que me despertou interesse foram as melhorias das mecânicas citadas, como por exemplo a volta dos elementos de RPG mais clássicos. Sou viciado em mecânicas, sistemas e estratégias empregadas no universo dos games e os principais gêneros que empregam isto são os RPGs e MMOs, claro! Todas as possibilidades de customizações de personagens, habilidades e itens colecionáveis disponíveis fazem com que eu perca horas lendo e aprendendo mais sobre o funcionamento dessas regras.

Fortaleza do Céu e sua beleza arquitetônica.

Fortaleza do Céu e sua beleza arquitetônica.

Com um ótimo sistema de jogo, eu consigo facilmente ignorar uma história fraca. Acabo relevando por conta da jogabilidade e toda a riqueza de estratégias que o jogo pode oferecer. Dito isso, não é o caso aqui. Dragon Age: Inquisition possui um rico universo, privilegiado pelo fato de se passar depois dos acontecimentos dos jogos anteriores, com personagens interessantes e de muita personalidade. Sua equipe principal é a que possui maior destaque, claro, até mesmo pelo fato de estarem mais tempo em cena no jogo, mas os personagens secundários, sejam eles vilões, vendedores, refugiados ou moradores do reino possuem o mínimo de profundidade, seja por meios de side quests, cartas ou diálogos, que sempre são interessantes de se ouvir.

Esse é um dos poucos jogos que me fez ficar andando por horas sem querer avançar com a campanha principal. A satisfação de conversar com os NPCs, investigar suas motivações e ver como foi bem trabalhado os diálogos por parte da produtora me espantam. Claro que isso não é novidade para quem já conhece o trabalho da Bioware, mas para mim, a única comparação que tenho é de Mass Effect 2, que era bom, mas não lembro de ter o mesmo envolvimento que tive aqui.

Opções de diálogo.

Opções de diálogo.

Uma melhora significativa que percebi, ao comparar os dois jogos é na escolha dos diálogos. Em Mass Effect 2 existiam três tipos distintos de tratamentos: A primeira é a forma educada de se responder, gerando carma positivo, representado por um contador de barra azul. A segunda opção era em cima do muro, que, ou não dava nada de carma ou aumentava um pouco o carma bom. Obviamente a última opção era o carma ruim, com respostas agressivas e diretas as pessoas. Então, era muito simples conduzir o jogo em só uma linha de ação, bastava escolher somente um tipo de argumento e a história seguia o seu curso.

Em Dragon Age: Inquisition as escolhas estão mais humanizadas, ou melhor, mais suavizadas. Existem linhas de conversas onde as opções mostradas para você  não são diretamente opostas uma das outras, elas possuem pequenas nuances de tratamentos diferenciados que, podem agradar uma parte do seu grupo e desagradar outros ao mesmo tempo. São decisões morais práticas como qual rota seguir pela montanha, levamos ou não uma tropa do exercito conosco? Apoiamos os Magos em sua rebelião? Absolvemos ou não um fazendeiro que se rebelou contra a Inquisição por perder o filho na guerra?

Mass Effect 2 possuía uma abordagem um pouco direta e mecânica demais, o que impedia de me importar com as minhas escolhas. Eu sabia que sempre precisava escolher a primeira opção caso eu desejasse ser um bom líder. Aqui, por conta de um tratamento mais caprichado e sem qualquer indicador de moral, as coias ficam mais pelo sentimentos dos NPCs durante os diálogos.

Combate feroz no deserto.

Combate feroz no deserto.

Em uma conversa simples com a Viviane (uma maga que entra na sua equipe no início do jogo), dei uma opinião contrária a ela sobre o Magos e houve uma alteração no humor dela. Discutimos sobre o assunto, entendi o ponto dela e tentei retomar para um diálogo mais brando, mas as opções tinham se esgotado. Fiquei mal, quis retomar a conversa, mas esqueci que isso era um jogo e o NPC voltou a falar com o texto padrão para aquele momento do jogo. Sabe, por alguns minutos me vi preocupado com a opinião de um personagem, queria pedir desculpas e essa experiência é algo surpreendente para um jogo. É uma bela evolução comparado ao que vi em Mass Effect 2.

O combate pode não ter o mesmo brilho do roteiro e sua condução de narrativa, mas é eficiente e divertido de se jogar. Existem duas formas de se aproveitar as batalhas: O modo ação (padrão desde o início, onde você controla livremente o personagem) e o modo estratégia (apresentado após formar uma equipe na primeira aventura).

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Modo de combate livre, controlando um personagem por vez.

Em modo ação, você controla um único personagem da sua party e conta com a inteligência artificial dos outros membros da equipe para se organizarem na batalha. Não é preciso ajustar nada para isso funcionar corretamente, as configurações padrões são o suficiente para fazer um bom desempenho na maioria das batalhas, mas há alguns pequenos problemas em combates mais intensos ou em dificuldades maiores. Nesse modo, o maior problema é o mal posicionamento dos membros da sua equipe, principalmente os que atacam à distancia, que não fogem dos inimigos, ficam atacando o seu alvo enquanto apanham de outro adversário. Isso pode complicar com o tempo e é preciso tomar o controle do personagem para se livrar dessa situação.

Um ponto positivo para o modo ação é a adição dos comandos pelo botão L2, que permite pausar o tempo e escolher várias opções, como poções e ordens p/ a equipe, como ficar parado, atacar o mesmo alvo ou recuar. Com isso é possível criar pequenas emboscadas, atrair os inimigos com ataques a distância (com mago principalmente) e outras estratégias mais simples.

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Modo tático com movimentação livre de câmera.

Já no modo de estratégia, ao apertar R3, o tempo pára e a câmera é posicionada acima de todos, visualizando o campo inteiro, mas é possível mover a câmera livremente para qualquer posição, facilitando sua estratégia. É necessário dar comandos simples para cada membro, como andar até um local ou atacar um alvo, seja usando um ataque normal ou uma skill específica. Infelizmente não é possível “empilhar” comandos para cada personagem, então é preciso avançar o tempo até a realização dessas tarefas e pausar novamente o tempo e dar novas ordens em seguida. Isso gera uma lentidão no combate que me frustrou um pouco e tirou a diversão que tenho no combate em tempo real.

A vantagem desse modo é o melhor controle do grupo de inimigos e coordenar ações que no modo de ação fica mais difícil de fazer, mas felizmente conseguimos usar os dois modos instantaneamente, aumentando as possibilidades estratégicas e conseguindo um ótimo resultado no combate. Claro que, você consegue passar o jogo inteiro sem nem encostar um dedo no modo estratégico, por isso não me preocupei em dominar essa ferramenta, pois para mim, a lentidão de execução dos comandos é pior do que os pequenos deslizes da inteligência artificial da sua equipe.

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Árvore de habilidades dos personagens.

Cada classe possui várias árvores de habilidades. O mais interessante é a possibilidade de combinar skills de árvores diferentes e criar um personagem com uma build customizada ao seu modo de jogo, ou para uma função específica, seja privilegiando a força e dano, ou skills mais estratégicas que dão outras vantagens passivas. Na metade do jogo, uma nova especialização é aberta, dando mais skills ainda a todos os membros da party. São muitas opções para serem usadas, mas infelizmente só 8 podem ser mapeadas para uso no personagem controlado por você.

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Escolha as habilidades favoritas usadas pela IA.

Os demais personagens podem ser condicionados a usarem quais habilidades você queira através do menu, onde você pode determinar quais skills estarão desativadas, ativadas ou as favoritas, que serão usadas com mais frequência pela inteligência artificial.

Slot dos Equipamentos dos personagens.

Slot de equipamentos dos personagens.

Uma coisa que gostei muito, mas por fatores que explicarei mais tarde, é a criação de itens.. Você não precisa se preocupar com isso, pois não é crucial para o seu avanço no jogo, até porque uma exploração em uma missão já te dá muitos itens e equipamentos, mas as armas e armaduras criadas por você ganham bônus importantes para a sobrevivência contra inimigos mais fortes. Todo equipamento possui slots de aprimoramentos, que além de aumentarem alguns atributos, mudam o visual do item (o que é bacana pra caramba), seja adicionando uma nova ombreira ao colete, ou até maior proteção nos braços das armaduras. É tão viciante querer deixar seu personagem mais “bonito”, que toda missão que faço me preocupo em coletar os materiais nos mapas.

Adicionando aprimoramentos nos equipamentos.

Adicionando aprimoramentos nos equipamentos.

E é na coleta de itens que me faz gostar de criar armaduras. Isso se deve pelo fato de que é gostoso andar pelo mapa. Simples assim. Toda a ambientação é fascinante, com uma história própria, que pode ser vista em cartas espalhadas pelo cenário, com os habitantes conversando ao redor, ou até descrições de ruínas e edifícios por todos os cantos. Percebe-se o cuidado da Bioware em trazer um ambiente vivo e diversificado, como florestas, planíces, desertos, neve, pântano, nossa…. tem muita variedade e é prazeroso explorar cada canto, principalmente pelo fato de ter muita missão extra pra fazer em todo lugar.

E por falar em quests, se você não tomar cuidado, é capaz de perder horas fazendo missões secundárias e não avançar com a campanha principal. Isso porque, como já disse anteriormente, toda a ambientação e narrativa foi muito bem pensada e você acaba se importando com os personagens . Já me peguei parando uma missão principal só para fazer uma missão para o Cole, porque eu me importo com ele. Essa é uma das magias de Dragon Age: Inquisition. Apesar de saber que, tecnicamente esse item não será tão importante assim, narrativamente fará toda a diferença..

A Mesa de Guerra e as várias missões da Inquisição.

A Mesa de Guerra e as várias missões da Inquisição.

Uma coisa que eu não poderia deixar de falar é sobre a mesa de guerra. Um sistema que poderia facilmente passar desapercebido se não fosse apresentado na primeira uma hora de jogo. Você possui três assessores, uma diplomata (Josephine), uma espiã (Leliana) e um general (Cullen). Existem várias missões, com um texto descrevendo a situação e você poderá escolher um dos assessores para realizar essa tarefa, sendo que cada um deles levará um tempo para concluir a jornada.

O mais interessante disso é ler a abordagem variada que cada assessor poderá fazer para conseguir o mesmo objetivo, seja negociando, chantageando ou ameaçando o seu alvo. É bom ver que, dependendo da tarefa, não é necessariamente o assessor mais rápido que irá trazer a melhor recompensa para o jogador, então, é muito interessante pensar em qual tipo de abordagem você quer fazer para cada missão.

Relatório de conclusão de missão da Mesa de Guerra.

Relatório de conclusão de missão da Mesa de Guerra.

A estrutura inteligente com que tudo funciona é surpreendente. A narrativa e os diálogos com os membros da equipe e npcs geram algumas missões extras no mapa, que por sua vez, geram missões na mesa de guerra, que em alguns casos, também geram novas missões. Tudo se interliga de tal forma que você não se sente fazendo uma missão simplesmente por fazer. Você sente que está de fato mudando o destino de todos a sua volta.

Mas nem tudo são flores. A versão que joguei é a do PS4, que enfrenta algumas quedas de frame-rate quando há muitos elementos em cena e um congelamento do jogo sem motivo algum durante os diálogos dos personagens. Os loadings são usados para carregar os cenários para exploração e algumas dungeons, mas uma vez realizados, toda a movimentação é livre, sem nenhuma interrupção. Felizmente esses problemas são raros de se ver, mas por todas as qualidades citadas acima, incomoda de se ver.

Combate eficaz no multiplayer.

Combate eficaz no multiplayer.

Com tudo isso, seria aceitável não ter multiplayer, mas há um modo cooperativo simples, onde o objetivo do grupo é explorar uma pequena dungeon, coletar os tesouros,  sobrevivendo a uma orda de inimigos que aparecerão pelo mapa. Eficiente, mas com alguns problemas. O Matchmarking está um pouco falho, várias vezes entrei no final das partidas, o que me frustrou, pois perdi mais tempo com os loadinds, que diferente da campanha, são mais demorados aqui. Durante esse modo, a cooperação da equipe é fundamental para a sobrevivencia, principalmente pela limitação de poções e a força dos adversários, mas em muitos casos, cada um corria para um lado, dificultando a conclusão da missão.

Também existem várias classes, mas dessa vez com uma única árvore de skills pequena, com dois caminhos distintos de evolução. É uma redução em comparação a gama de opções da campanha, mas eficiente para dar o mínimo de customização do seu personagem. São falhas aceitaveis visto que o grande brilho do jogo é sua campanha principal, mas o multiplayer é capaz de divertir por algumas horas.

Que cenário...

Que cenário…

Dragon Age: Inquisition é um jogo obrigatório para qualquer amante de RPGs, com um combate simples e divertido, um sistema básico, mas eficaz, de crafting e gathering, tudo isso orquestrado com sabedoria pela Bioware, capaz de cativar o jogador desde a primeira hora de jogo. Ainda estou encantado com o jogo e quero passar mais horas neste mundo incrível.

  • Guilherme Carrion

    Joguei o primeiro jogo e suas expansões e achei incrível, mas desanimei quando descobri que tudo que gostava no primeiro foi deixado de lado no segundo acho que com esse eu volte a jogar a série.

    • bruno fagundes

      Tambem achei o primeiro jogo incrivel e tive tambem uma decepção com o segundo porem não achei que foi tão ruim, creio que a impressão do primeiro jogo o personagem que vc é DA:Origens são tão grandiosos que o faz o segundo jogo ser so mais um, mas se analisa-lo individualmente foi um bom jogo DA2

  • bruno fagundes

    Kaneda vc deveria jogar o primeiro jogo DA:Origins, ele não tem a jogabilidade tão boa como a do inquisition (vale lembrar q este jogo e de 2009), porem a historia do primeiro jogo é epica e inesquecivel, faz vc querer jogar o jogo de novo e de novo. Não sei se vc sabe mas Dragon age é inspirado no mundo de Game of thrones

    OBS: Tem uma ferramenta que a Bioware criou para dar mais consistencia ao mundo, chamada Dragon age Keep, nele podemos fazer todas as principais escolhas dos dois jogos anteriores sem a necessidade de jogar os jogos e com isso criar um mundo personalizado. A ferramenta é extramente necessaria se vc quiser que o jogo mantendo a mesma linha de tempo e escolhas que vc fez nos jogos anteriores isso pq o Inquisition não trabalha com save game dos jogos anteriores, porem eu acho que seria legal a galera tambem jogar os dois jogos anteriores e reviver todos os acontecimentos dos 10 primeiros anos que se antecedem ao tempo em Inquisition, pois isso torna a jogatina de inquisition ainda mais incrivel do que so ter jogado ele.