Corrente de Reviews ’16 – White Album 2 (2013)

Leaf na sua essência

Olá, pessoas! Chegou a vez do Mithril na Corrente de Reviews organizada pelo querido Diogo Prado do blog irmão aqui do Genkidama, Anikenkai.

O anime que irei comentar foi escolhido pelo blog Anime Nichijou e me deixou muito feliz, pois o Mithril foi um dos motivos pelos quais o blog me indicou a série. O anime é White Album 2. e você que não conhece começa a se perguntar: “Pera ai, te indicaram a segunda temporada de um anime? Não era melhor ter indicado a primeira?” Caaaaalma que eu explico, inclusive citando um post do próprio Mithril para isso.

Leia Também: White Album (2009) – Parte 1 e Parte 2

White Album 2 é um anime de 2013 produzido pelo estúdio Satelight e dirigido por Masaomi Ando. Baseado em um eroge homônimo de 2010 da produtora Leaf, famosa por criar jogos como To Heart, a série se passa em um universo fictício da própria Leaf que contempla outro eroge, “White Album”, lançado em 1998.

Este primeiro White Album já tem uma adaptação para anime, lançada em 2009 e que cheguei a comentar aqui no Mithril, ainda na época em que eu fazia análises dos animes que estreavam na temporada. Este primeiro anime, produzido pelo estúdio Seven Arcs, tinha como trama central duas idols, Yuki Morikawa, dublada pela seiyuu Aya Hirano, e Ogata Rina, dublada pela seiyuu Mizuki Nana. O anime aborda diversos conflitos de amor, intrigas, inveja e amizade do mundo idol, mesclando bem a história do jogo original de 1998 com elementos atuais (de 2009, no caso).

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Por ter um “2” no nome, muita gente acredita que White Album 2 é uma continuação da primeira série animada, porém, ela apenas se passa no mesmo universo e faz menções a esta primeira história, inclusive com imagens do anime anterior, mas sempre em segundo plano. Não é preciso assistir White Album para entender White Album 2 e é assim que começamos a nossa história.

O Enredo

White Album 2 conta a história de Haruki Kitahara (Takahiro Mizushima), um estudante do terceiro ano da escola Houjou que faz parte do clube de música da escola. Aluno aplicado e com ótimas notas, Haruki toca guitarra no clube e, mesmo não tendo total domínio do instrumento, tem como objetivo participar do Festival Cultural da escola, fazendo uma apresentação musical.

Uma das músicas que Haruki pratica com frequência para se apresentar no Festival da Escola se chama “White Album”, de Yuki Morikawa, a mesma Yuki Morikawa da primeira série. É aí que as duas séries se relacionam: as músicas e cantoras da primeira série servem como ponte para o relacionamento das personagens de White Album 2.

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Diversas vezes enquanto praticava em uma das salas reservadas da escola, Haruki percebia um som de piano com uma melodia muito agradável vindo da sala ao lado. A sala em questão é reservada apenas para alunos de elite com ótimas habilidades musicais, o que deixa Haruki intrigado para saber quem seria esta pessoa. Certa vez, enquanto praticava “White Album”, surpreendentemente a pessoa que toca piano na sala ao lado começa a acompanhar Haruki em seu treinamento, tocando “White Album” no piano enquanto o garoto se esforça para não errar as notas na guitarra.

Mesmo sem se conhecerem, Haruki e a pessoa da sala o lado começam a criar uma ligação, pois lentamente Haruki percebe que esta ajuda tem feito com que ele ache o tom certo e o ritmo perfeito da música em questão, o que faz Haruki ficar ainda mais curioso com a identidade do músico misterioso.

A relação dos dois se intensifica quando, em um dia em que os dois estão sincronizados na execução da música, uma voz, vinda da parte de fora da escola, começa a cantar “White Album” seguindo o ritmo da música tocada por Haruki e o músico misterioso. Embasbacado no quanto a voz vinda do telhado é bonita, Haruki sai correndo para ver quem é, gritando para que o pianista da sala ao lado não pare de tocar White Album e, assim, ter tempo de chegar ao telhado e ver quem é o dono da voz linda que canta a música.

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Chegando ao telhado, Haruki vê que a voz pertence à Setsuna Ogiso (Madoka Yonezawa), uma garota super popular na escola onde estudam e que é a atual bicampeã do “Miss Houjou”, um concurso realizado durante o Festival que escolhe a “idol” da escola. Haruki vê ali que sua chance de participar do Festival da escola se apresentando musicalmente pode dar certo, desde que Ogiso esteja com ele. Pouco antes, Haruki já havia convencido Ogiso a entrar no clube de música da escola e vendo o potencial da menina, os planos do garoto só ficam mais fortes.

Com Ogiso no clube, Haruki fixa na cabeça que precisa de alguma forma descobrir quem é o pianista misterioso e, junto do amigo e presidente do clube de música Takeya Iizuka (Takuma Terashima), cria planos mirabolantes para descobrir a identidade do músico. Um desses planos dá certo e Haruki descobre que o pianista misterioso da sala ao lado é na verdade Kazusa Touma (Hitomi Nabatame), sua colega de classe.

Touma é filha de uma pianista famosa no Japão e é comumente vista dormindo durante as aulas. Fria e antissocial, não costuma se relacionar com os colegas, o que torna difícil uma aproximação. Porém, Haruki, agora que sabe que Touma é uma pianista de primeira linha, tentará fazer com que ele, Ogiso e Touma formem um grupo para se apresentar no Festival da Escola.

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E é assim que a história irá se desenvolver, mostrando como os três evoluem juntos tendo como pano de fundo o Festival de Música, não se limitando apenas à parte musical, mas sim em como os laços de amizade e companheirismo do trio se desenvolvem ao longo da trama.

A Parte Técnica e o Desenvolvimento

White Album 2 é um anime lindíssimo. Com cenários extremamente bem feitos que representam com perfeição o ambiente escolar japonês que estamos acostumados a ver. A série é de um primor gráfico raro hoje em dia. Pelo fato de ser uma adaptação de eroge e esse tipo de jogo ter cenários estáticos bem desenhados, essa característica foi incorporada ao anime de forma quase idêntica, o que faz a experiência de assistir a obra agradável aos olhos.

As personagens têm características bem marcantes, mas que não fogem do clichê de animes escolares. Haruki é o protagonista esforçado que tem determinação e um objetivo na história, e fará tudo para que este objetivo seja alcançado no final. É um típico aluno colegial, mesmo o anime não focando tanto na parte pessoal do garoto. O foco aqui é o relacionamento dele com as outras personagens da história.

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Ogiso é a garota popular da escola, uma verdadeira idol. Ganha de concursos de “beleza” e desperta suspiros entre os garotos e intrigas entre as meninas. A voz de Madoka Yonezawa, seiyuu da Ogiso, é maravilhosa quando a personagem se propõe a cantar. Isso eleva a qualidade para outro patamar, no qual a gente percebe a preocupação da produção da série com a qualidade sonora do anime.

Já Touma é aquela personagem antissocial, com gênio forte, que não conversa com ninguém, senta no canto da sala ao lado da janela e que não dá abertura para os colegas. Mais clichê impossível, principalmente se você considerar que Haruki é esforçado e vai tentar se aproximar aos poucos de Touma para ganhar a confiança da garota. Claro que, depois que os três estão juntos e se preparando para o festival, a garota se aproxima mais, mas isso não significa que ela não seja fria até com os próprios “amigos”.

O interessante, principalmente na primeira metade do anime, é ver como a relação entre as personagens e a própria evolução individual é apresentada de forma bem natural, sem se prender a detalhes que possam deixar a história arrastada, já que seu foco é a apresentação no festival de música e tudo que gira em torno da primeira parte é em função desta apresentação.

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O problema, meus amigos, é depois do festival. Como não deveria deixar de ser, a série acaba caindo em um previsível enredo de romance e triangulo amoroso batido. É nessa parte que a essência do eroge entra em cena, com o protagonista tendo que se decidir entre quais das duas “rotas” irá seguir para ficar com a garota que ama.

Para mim, o anime deveria ter terminado no “arco” — como diz um amigo meu – do festival de música. Até ali o anime estava perfeito, com enredo e desenvolvimento sólidos e empolgantes que levaram a série a um clímax que misturou sentimentos e música de forma convincente.

Pelo menos, quase nos finalmentes, o anime decide explicar o porquê de ter seguido este rumo, e você até releva e entende as motivações das personagens. Porém, é visível a quebra de ritmo e, para mim que já viu tantos animes com esse mesmo tema, essa parte não chega a ser dispensável, mas é esperada e não gera nenhuma surpresa.

Considerações Finais

White Album 2 é uma obra que me lembrou a época em que assistia diversos animes da temporada e adorava esse estilo de história, nos quais amores adolescentes são retratados com todo o romantismo e simplicidade que só os animes conseguem passar. A série tem uma qualidade técnica invejável e dificilmente você verá uma cena com traços que deixam a desejar. O mesmo não se pode falar do enredo principal, o romance do anime. Como falei antes, a parte que foca no Festival de Música com os três personagens crescendo juntos nos treinamentos é muito boa e este arco termina de forma brilhante com a apresentação, mas depois disso a série vira mais do mesmo, salvo algumas exceções.

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Em uma escala de 0 a 10 eufoninhos, daria nota 7, que não é ruim para White Album 2. Acho que se eu tivesse assistido o anime na época em que ele saiu, lá em 2013, a nota poderia até ser diferente. Seria ainda mais se ele tivesse sido lançado em 2010, perto da primeira série. Ao assistir White Album 2, percebi que minhas análises de animes estão mais pé no chão quando comparadas aos reviews que fazia antigamente, mas isso não tira a experiência que a série proporciona, pois o foco da Corrente de Reviews é a integração entre diversos tipos de blogs com os mais diversos estilos.

Corrente de Reviews 2016

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Por falar na Corrente de Reviews, chegou a hora de falar qual anime irei indicar para dar continuidade à corrente e não ter o risco da Samara aparecer e puxar a minha perna à noite. Seria Initial D? Full Metal Panic? Nada disso! O anime que indico para o blog ANIME21 é SCHOOL RUMBLE, série de 2004 produzida pelo Studio Comet. O motivo da minha indicação é muito simples: eu amo School Rumble e gostaria que todos tivessem a oportunidade de assistí-lo! \o/

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Sobre Leo-Kusanagi

Apaixonado por cultura japonesa desde criança, começou a escrever sobre japonices em 2008, no Mithril e de lá pra cá cobriu diversas transformações da música japonesa ao longo dos anos. Viciado em games, doramas, animes, filmes e design, tem como objetivo informar e disseminar a cultura japonesa na internet.

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