Comentários sobre a Lista de Artistas do 67º Kouhaku Uta Gassen!

Analisando os convidados do Kouhaku

Olá pessoas, como estão? Como todos já devem saber, na semana passada foram anunciados os artistas que irão participar do 67º Kouhaku e este anúncio teve um post superbacana aqui no Mithril.

O post de hoje é um complemento ao post anterior e, inicialmente, o planejado era que fosse um post único. Porém, ao começar a escrever e me – empolgar –, acabei deixando o post muito longo e decidi dividi-lo em dois, já que naquele, o foco era o anúncio dos artistas que irão participar do programa.

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Neste post irei falar um pouco sobre o que achei da lista de artistas, já que, como mencionei anteriormente, este deve ser Kouhaku com o maior número de renovações em muito tempo, principalmente por causa de ausências de peso do mundo da música japonesa e inserção de artistas consagrados que, estranhamente, nunca haviam sido chamados.

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Divulgação

As Estreias

Ao todo 10 artistas e grupos irão estrear no 67º Kouhaku, 5 para cada um dos times. No time vermelho (Akagumi), talvez a maior surpresa tenha sido a primeira convocação de Utada Hikaru para participar do programa. Este ano, Utada voltou à ativa com o álbum “Fantome”, sucesso de crítica e vendas e o convite era mais do que merecido. Há uma certa polêmica que envolve Utada e o Kouhaku, mas deixarei para explicar um pouco mais abaixo.

Também estreiam este ano pelo pelo Akagumi:

Yukino Ichikawa, cantora veterana de Enka que surpreendentemente nunca havia sido chamada para o Kouhaku, mesmo tendo feito muito sucesso durante a década de 90, quando iniciou sua carreira no mundo da música tradicional japonesa.

Shinobu Otake, atriz superpremiada japonesa, protagonista de dezenas de filmes e doramas. Shinobu tem uma carreira como cantora, mas que nunca fez tanto sucesso quanto sua carreira nas telas. Ela já participou do Kouhaku anteriormente, mas como jurada, na 26º edição do programa, em 1975.

Keyakizaka46, grupo irmão do Nogizaka46, pertencente à família de grupos idols do AKB48 produzido por Akimoto Yasushi. O Keyakizaka46 lançou seu primeiro single em 2016 e tem feito muito sucesso no mundo idol. Recentemente o grupo se envolveu em uma polêmica que teve repercussão mundialmente, após se apresentarem em um show em Yokohama usando uma roupa que lembrava uniformes nazistas da Segunda Guerra. A inclusão do grupo é uma surpresa e tanto, principalmente pelo grupo ter pouco mais de 8 meses de atividade.

PUFFY, grupo de Pop-Rock japonês bem conhecido no mundo indie e que fez sucesso por festivais no mundo todo na primeira metade dos anos 2000, principalmente nos EUA, notoriedade que lhes rendeu um desenho produzido pelo Cartoon Network em 2004, chamado “Hi Hi Puffy AmiYumi” e que foi exibido também aqui no Brasil.

Já pelo Shirogumi, as estreias são:

Kiritani Kenta, ator japonês conhecido por quem assiste doramas devido à seus papeis em produções como One-Pound no Fukuin, Rookies, Ryuusei no Kisuna, Ryomaden e Galileo. Kenta tem uma carreira musical bem pequena e de todas as estreias talvez seja a mais surpreendente. Kenta fez bastante sucesso em 2016 lançando a música “Ume no Koe” em parceria com o trio BEGIN, onde interpreta Urashima Taro, um personagem famoso do folclore japonês, o que lhe rendeu o topo das paradas no ranking da Recochoku, serviço de download digital de músicas para celular.

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THE YELLOW MONKEY / Divulgação

THE YELLOW MONKEY, banda de Hard Rock japonês que faz parte da geração de ouro do J-Rock nos anos 90. O Yemon, como é chamado pelos fãs, deixou muitos órfãos quando anunciou, em 2004, o fim das atividades. Em 2016, após mais de 10 anos desde o anúncio, a banda voltou às atividades com a formação original, fazendo shows pelo Japão inteiro e lançando um single no mês de outubro.

RADWIMPS, banda de rock alternativo que em 2016 ficou com a chamada “cota de anisong” do Kouhaku. Este ano o RADWIMPS fez bastante sucesso com o álbum “Kimi no Na Wa”, cuja música principal é tema do filme de mesmo nome sucesso de bilheteria do aclamado diretor Makoto Shinkai.

RADIO FISH, duo formado pelos comediantes Atsuhiko Nakata e Shingo Fujimori, também conhecido como Oriental Radio. O “Ori Raji” fez um baita sucesso em 2016 após a música “Perfect Human” se torar um viral, alcançando ótimas posições nas paradas de músicas japonesas. O vídeo da música no Youtube já conta com mais de 34 milhões de visualizações.

Kinki Kids, participando do Kouhaku pela primeira vez, o Kinki é um dos grupos idols mais famosos do Japão e, enquanto vários dos outros grupos da Johnny’s Entertainment já haviam sido chamados para o Kouhaku, o Kinki continuava “na geladeira”. Este ano finalmente Koichi e Tsuyoshi foram chamados para integrar o Shirogumi e MUITA gente ficou feliz pelo fato do grupo finalmente ter sido convidado.

As Ausências

Quem acompanha o Kouhaku há algum tempo deve ter percebido que algumas ausências este ano são bem significativas, a começar pelo SMAP, que depois de um ano conturbado, onde anunciaram o fim do grupo após 27 anos de carreira, não irão participar do Kouhaku como artista listado em um dos times. O SMAP é convidado para o Kouhaku há 23 anos e tem sido responsáveis por encerrar o programa, como um dos artistas mais importantes a se apresentar na atração.

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SMAP / Divulgação

Porém, a ausência do SMAP pode não ser completa. É normal, durante o Kouhaku, haverem apresentações que não são listadas até dias antes do programa ir ao ar e é talvez essa a minha aposta. O SMAP é um dos grupos de maior sucesso da história do Japão e seria no mínimo estranho a NHK não querer aproveitar o fato do grupo estar acabando para alavancar a audiência do programa. Nada sobre isso foi divulgado, mas é algo que definitivamente eu ficaria de olho.

Wada Akiko é outra artista que surpreendentemente não irá se apresentar este ano. Wada era uma das artistas que mais vazes havia participado do Kouhaku, sendo que até ano passado ela já havia sido chamada para o programa 39 vezes. A ausência de Wada, pra mim, tem ligação direta com a entrada de Utada Hikari, e é agora que eu explico o que mencionei lá no começo do texto quando estava falando sobre a Utada e a polêmica que envolve a cantora.

Keiko Fuji, mãe de Utada Hikaru é uma cantora de música Enka que fez um imenso sucesso no Japão durante os anos 60 e 70, se tornando uma verdadeira estrela da música tradicional japonesa. Com um estilo único, Keiko angariou diversas amizades e também algumas inimizades. Uma dessas inimizades é exatamente Wada Akiko, que também é cantora Enka e também fez sucesso durante a década de 60. Wada e Keiko nunca se deram bem e isso nunca foi segredo, já que Wada constantemente criticava Keiko, chegando ao ponto de supor que, quando Keiko anunciou que estava grávida de Utada, ser apenas uma forma de se promover para um single novo. Utada cresceu, se tornou uma grande estrela e Wada acabou nutrindo a mesma discórdia que tinha com Keiko, agora com a filha popstar.

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Wada Akiko / Divulgação

Seria uma coincidência MUITO grande a Wada sair do Kouhaku, após 39 anos, exatamente no ano em que a Utada entra no programa. Lembrando que a Utada, quando explodiu de popularidade no começo dos anos 2000, junto de Ayumi Hamasaki e Koda Kumi, sempre aparecia entre os possíveis convidados, algo que nunca se concretizou. Ayumi ficou por muito tempo como a responsável em abrir o Kouhaku, mas nos últimos anos não foi mais convidada. Koda saiu do Kouhaku após algumas polêmicas envolvendo vestimenta.

Ainda no mundo Enka, outra importante ausência é Mori Shinichi. Shinichi é considerado um dos artistas japoneses de maior sucesso da história e já vendeu mais de 90 milhões de discos desde 1966. Como disse o @tokidokihide nos comentários do último post, já eram 48 anos de participação no Kouhaku. Ele era o artista que mais vezes havia participado do programa e era uma verdadeira lenda no Japão, sendo este mais um indício da renovação do programa este ano.

Outra ausência de peso do Kouhaku este ano é o EXILE. O grupo da LDH sempre foi presença certa e a ausência deste ano tem alguns motivos que inclusive já expliquei aqui no Mithril.

Leia Também: EXILE ATSUSHI decide entrar em Hiato do EXILE

O EXILE está atualmente sem a presença de ATSUSHI, que decidiu, em setembro passado, entrar em Hiatos e viajar para os EUA sob a justificativa de que gostaria de aprender mais sobre música para aperfeiçoar sua carreira como músico. Com isso, HIRO, o produtor do EXILE e CEO da LDH ficou com um dilema nas mãos que, pelo jeito, ainda é algo que não foi solucionado pela agência do grupo. O EXILE deveria continuar sem ATSUSHI até que ele volte ou deveria entrar em Hiato junto com ATSUSHI? Nos últimos anos a LDH tem investido pesado em diversos grupos da agência como o Sandaime J Soul Brothers, o GENERATIONS, as E-Girls, o THE SECOND e na carreira solo de artistas destes grupos.

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EXILE / Divulgação

Para muitos, o EXILE, teoricamente o grupo principal da agência, foi esquecido pela mesma e ficou em segundo plano enquanto outros artistas cresciam exponencialmente. São tempos de planejamento na LDH e a ausência do EXILE, mesmo que seja por uma boa causa, que são os estudos do ATSUSHI, mostra bem como há incertezas quanto à continuidade do grupo enquanto ATSUSHI não retorna.

Ieiri Leo é outra artista que, apesar do sucesso que tem feito e ser considerada uma das revelações da música japonesas nos últimos anos, novamente não foi chamada para o Kouhaku. Não sei o critério utilizado e certeza que provavelmente não tem critério nenhum, mas talvez, assim como a cota de anisong, exista a cota de “indie pop” e, assim, com a miwa no programa, a Leo não entra.

Ieiri Leo / Divulgação

Ieiri Leo / Divulgação

Mizuki Nana novamente não foi chamada e claro, isso já faz desta edição uma decepção. Brincadeiras à parte, a carreira de Nana está no ápice, com shows no Tokyo Dome, 2 álbums em 1 ano e diversos animes, mas, com o sucesso absurdo de Kimi No na Wa, era certo que a cota de anisong seria ocupada pelo RADWIMPS.

O que esperar desta Edição

O Kouhaku, querendo ou não, é um termômetro para a indústria fonográfica japonesa, pois é um programa muito importante que mistura o tradicional e o novo, numa atração carregada de simbolismos e que utiliza a influência de seus artistas para fazer uma grande festa. Mesmo com a audiência caindo ao longo das edições, ainda é o programa de maior audiência da TV japonesa no ano.

A renovação é sempre bem-vinda e acredito que ainda há muito o que mudar no programa em relação aos convidados. Porém, nada mais justo do que, no último programa da TV japonesa no ano, esta renovação acontecer sem esquecer suas raízes da música tradicional e nos mostrar o atual cenário da música japonesa rumo ao futuro da indústria.

 

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