Shonen Jump: Balanço de 2016

O ano fiscal da Shonen Jump já terminou. Vamos fazer a retrospectiva e hiper analisar o futuro da revista!

Muitas piadas na internet falam que 2016 é um ano para, definitivamente, ser esquecido. Não só ocorreram várias tragédias e o passamento de pessoas incríveis (David Bowie, Alan Rickman, Prince, o time do Chapecoense, agravamento da guerra na Síria…) como o mundo foi abalado por diversos escândalos políticos e sociais na maioria dos países. O fantasma da crise econômica volta a assombrar e uma nova Era de Extremos parece querer ressurgir.

E para a Shonen Jump? Como foi este ano?

De uma maneira geral, foi ruim. Tivemos o encerramento de grandes títulos, que rendiam para a editora uma grande soma de lucros, e a revista ainda não foi capaz de tapar seus buracos. Fizemos uma série de posts sobre as safras da revista (aqui, aqui, aqui, aqui e aqui) e faremos um apanhado geral agora.

Encerrados ou em Hiato
Adeus, teacher...

Adeus, teacher Koroko…

Foi com muita tristeza, inclusive da própria editora, que o mega-hit Ansatsu Kyoushitsu encontrou o seu final natural. Era a terceira obra mais rentável da revista, em publicação regular, e deixou saudades. Junto com ele, Nisekoi. A comédia romântica de maior sucesso da revista depois de To Love Ru.

Kochikame se encerrou após inacreditáveis 40 anos ininterruptos de publicação. Sua despedida repercute até hoje, com várias homenagens dos autores da Jump. Toriko também se despediu após uma carreira sólida dentro da revista.

Bleach caiu fora sob uma salva de vaias depois do seu final apressado e atravessado (que muitos consideram como cancelamento). Hunter x Hunter retornou provisoriamente do hiato, apenas para sumir de novo. No final do ano, o autor de World Trigger dá um susto nos editores e entra em hiato por tempo indeterminado por motivo de doença.

Fracassos

Buddy Strike, que havia estreado em 2015, foi cancelado logo no começo do ano depois de uma péssima performance e apenas um volume. Junto com ele Mononofu, que foi protegido enquanto pode pelo grupo editorial, também se despediu.

Dos que estrearam este ano, Takuan to Batsu no Nichijou Enma-chou foi para a vala após 20 capítulos. Love Rush não conseguiu competir com seu colega Yuuna-san e acabou sendo encerrado com 13 capítulos, um a menos que Red Sprite: de longe, a obra mais odiada que estreou neste ano.

Sucessos
The Promised Neverland, apesar da proposta diferente, o primeiro volume vendeu bem.

The Promised Neverland, apesar da proposta diferente, foi a segunda melhor estréia de 2016.

Yuragisou no Yuuna-san se tornou a melhor estréia do ano da Jump. Após muito tempo, enfim um ecchi consegue emplacar na revista, vendendo mais de 200 mil exemplares por edição. Junto com ela, The Promised Neverland conseguiu vendas respeitáveis para o seu primeiro volume, lançado agora em dezembro – superando cinco séries veteranas, embora tenha vendido apenas metade de Yuuna-san.

Quem mais se mantém fazendo sucesso é o velho de guerra One Piece, cuja coroa ninguém vai roubar. Boku no Hero Academia, Black CloverHaikyuu!! e Shokugeki no Souma são outras obras com anime que se sustentam bem, embora o manga de culinária tenha dado uns tropeços nas últimas edições do ano.

Gintama é outro sucesso, mas este está próximo de ser encerrado naturalmente, então já podemos nos preparar para a sua despedida.

Sobreviventes
Apesar das vendas ruins, Hinomaru Zumou recebeu muitas páginas coloridas este ano, indicando o maciço apoio editorial que o título tem.

Apesar das vendas ruins, Hinomaru Zumou recebeu muitas páginas coloridas este ano, indicando o maciço apoio editorial que o título tem.

Das estreias deste ano:

Kimetsu no Yaiba é um battle Shonen “diferentão”, com um traço muito característico e belo. Apesar de vender pouco, é a obra que melhor vende do “quarteto não-fantástico” (alcunha plagiada do colega Leo do Analyse It), formando por Hinomaru Zumou, Samon-Kun wa Summmoner, Sesuji wo Pin! to e o próprio Kimetsu no Yaiba. Os quatro não estão a salvo do cancelamento, mas a situação pior é de Samon-Kun e Pin! to.

Boruto está… digamos assim… quebrando um galho. O segundo volume teve um desempenho em vendas bem inferior ao primeiro (que já estava vendendo menos da metade que um volume normal de Naruto). Ainda vende bem, mas como é uma obra mensal a revista não pode contar com ela, assim como não pode contar com Hunter x Hunter.

Ibitsu no Amalgam teve uma estréia péssima e está em vias de ser cancelado. Spring Weapon Number One também não teve uma boa estréia, mas está melhor que o colega de safra. E quanto aos novatos Demon’s PlanOle Golazo, ainda é cedo para dizer. Embora os japoneses tenham achado Demon’s muito dramático e, no geral, não gostaram da nova série de futebol (boicote pela perda de Galaxy Gangs?).

PSI Kusuo Saiki teve a estréia do seu anime, mas não ajudou muito, ficando com as vendas estacionadas por volta dos 100 mil exemplares (um bom desempenho, de qualquer forma). E por último, mas não menos importante, Isobe Isobee Monogatari, que sempre fecha a revista, não parece estar em risco de cancelamento, embora não esteja totalmente a salvo.

Balanço…
O ano de 2016 foi um 7 x 1 contra a Shonen Jump

O ano de 2016 foi um 7 x 1 contra a Shonen Jump

Parece que este, definitivamente, não foi um bom ano para a revista.

Grandes sucessos se encerraram e as duas melhores estreias, Neverland e Yunna-san, ainda vão precisar de tempo para se desenvolver. A penúltima safra parece que vai fracassar e a mais recente ainda tem futuro bem incerto. Sem falar, é claro, com o encerramento iminente de Gintama, outro grande título que não vai passar por mais um ano-novo fiscal.

Por outro lado, Black Clover e Boku no Hero ainda estão amadurecendo, sobretudo o último. 2017 pode se mostrar generoso com estes dois novos sucessos e fazê-los explodir no nivel de um Naruto, pelo menos. É difícil, mas possível.

E encerramos o nosso balanço deste ano do maior semanário de quadrinhos do mundo! Comente também sobre o futuro da revista abaixo!

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