The Promissed Neverland – A Nova Promessa da Jump

Crianças perdidas dentro de um falso paraíso. Conheça a obra que está chamando muita atenção na Shonen Jump!

A maioria dos mangas mainstream, sobretudo os do semanário da Shonen Jump, destacam-se por serem obras de ação, aventura e batalha (em resumo, Battle-Shonen): grandes hits como Dragon Ball, Yu Yu Hakusho, Jojo’s Bizarre Adventures, Cavaleiros do Zodíaco, One Piece e um cem número de outros já passaram pelas suas páginas definindo o que é entendido pela maioria dos ocidentais como manga. E, de fato, na Jump, este parece ser o estilo que mais faz sucesso.

Naturalmente, existem aquelas obras que fogem desta risca e mesmo assim são bem-sucedidas dentro da revista, especialmente as de Comédia: Kochikame é o exemplo mais notório, uma obra que se tornou um verdadeiro tesouro nacional nos 40 anos que foi publicado ininterruptamente. Assassination Classroom é outra obra do gênero que fez muito sucesso. Obras de Esporte também ganharam grandes destaques nas páginas da Jump, como Captain Tsubasa, Prince of TennisHaikyuu! e um dos mangas mais bem-sucedidos da história da revista: Slam Dunk, a obra que muitos acreditam que foi a verdadeira responsável por fazer o semanário bater o incrível recorde de mais de 6 milhões de edições vendidas por semana (e não Dragon Ball).

Com uma trinca bem elaborada de gêneros que funcionam melhor para o público que a revista se dispõe – Battle-Shonen, Comédia e Esporte – é muito raro ver os editores apostando em obras diferentes deste triunvirato. Porém, às vezes eles tentam… à um alto risco.

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Lançado na última safra deste ano, mais precisamente na edição #35, Yakusoku no Neverland, mais conhecido como The Promissed Neverland, acabou se destacando. Um dos motivos é que o desenhista é uma mini-celebridade na internet: Posuka Demizu, ilustrador muito admirado no Japão. A obra, que pelo burburinho dos fóruns de língua inglesa e japonesa, chamou e MUITO a atenção justamente por fugir bastante da trinca de gêneros que a Jump mais investe. Seu escritor, o novato Kaiu Shiroi, nos entregou uma obra de Mistério e Investigação.

No universo de Promissed Neverland somos apresentados a um grupo de órfãos que vive uma vida pacata e feliz dentro de um orfanato regido pela “Mama”, uma simpática mulher que trata a todos como filhos. Porém toda esta alegria se desfaz como num  passe de mágica quando duas das crianças, Emma – a nossa protagonista feminina – e Norman descobrem o que realmente é o orfanato: um pasto para gado. As crianças nada mais são do que carne a ser devorada por demônios que, aparentemente, tomam conta do mundo lá fora.

Após a chocante revelação – incluindo cenas fortes de uma criança morta virando conserva comestível – percebemos que a série não será, de modo algum, como a maioria dos títulos da Jump. Agora os nossos infelizes protagonistas precisam se utilizar de estratégias para conseguirem sobrepujar inimigos dos quais eles não tem a menor chance de combater fisicamente. Sem falar, é claro, no maior enigma da série até então: o que aconteceu com o mundo? A história se passa no ano de 2045… o que rolou neste meio tempo?

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Na Shonen Jump a única obra que se enquadra neste estilo e que fez sucesso foi Death Note. Todas as outras que tentaram acabaram fracassando ou não ganhando muito destaque. Os editores realmente devem  ter ficado impressionados com o que a dupla de autores entregou para, não apenas dar uma chance dentro da revista, mas também dar o destaque – geralmente a primeira obra a estrear em cada safra é sempre aquela que os editores têm mais fé. E, para sermos sinceros, não foram só os editores que ficaram impressionados!

Por toda a parte na internet o que vemos são elogios e mais elogios à obra, principalmente do lado ocidental. The Promissed Neverland até começou a ser publicada na Jump americana (algo raro para séries tão novas que sequer têm um primeiro volume compilado). Porém, não podemos nos esquecer que o futuro do título pertence ao Japão: os japoneses precisam achar a obra interessante e, acima de tudo, comprar seus volumes.

Quem frequenta os fóruns japas pode ficar um tanto desanimado: lá, vemos pessoas que criticam a obra por ela ser “muito parada”, não compreendendo talvez que não se trata de um Battle Shonen onde os personagens, decididamente, NÃO vão combater os demônios usando ki, cosmo ou o que quer que seja. Outros, que compreendem a natureza mais estratégica do roteiro e o seu ritmo mais cauteloso, até apreciaram a obra, mas não parecem muito dispostos a apoiar simplesmente porque acham que ela “não combina com a Jump”.

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Seja como for, na edição mais recente da Jump (número #43) tivemos o primeiro rank real da série e The Promissed Neverland pegou quarto lugar: uma ótima posição. Se a série continuar sendo bem votada nos questionários ela pode ter uma chance de seguir suave na revista. Porém, não podemos nos esquecer que o número de vendas também é importantíssimo. Precisamos que os japoneses comprem a obra e assegurem à editora que o título pode vir a ser bem rentável.

Mas uma coisa é certa: se depender da qualidade tanto da arte quanto do roteiro, a dupla Pozuka e Shiroi não está, de forma alguma, decepcionando. Pelo contrário: todo capítulo somos apresentados à informações relevantes no enredo e surpresas. A arte também está magnífica. Com tantos bons predicados, além do estilo lembrar um pouco obras de mistério e horror da editora americana Vertigo, The Promissed Neverland tem tudo para ser uma daquelas obras que promete estourar no ocidente.

Fica aqui a nossa torcida para que o título vire o grande sucesso que merece virar!

E você, já está acompanhando a obra? Gostaria de vê-la publicada no Brasil? Comente!

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