Sekkou Boys – Primeiras Impressões

Uma profunda crítica social à mídia japonesa ou apenas uma ideia boba sendo colocada em prática para fazer as pessoas rirem? A filosofia petrificada de Sekkou Boys, hoje no Gyabbo!

Luck-and-Logic-282x400A temporada de inverno de 2016 está em pleno ritmo de estreias de novos animes e como já frisado aqui no Gyabbo! e em tantos outros sites de análise, sem dúvida a temporada está mais fraca do que o habitual. E alguns, dentre tantos animes toscos e desinteressantes, se destacam, se não pela sua qualidade, pela sua bizarrice e criatividade. A mente japonesa é algo sem igual, de fato! Uma consciência capaz de pensar em roteiros cada vez mais inusitados a cada nova temporada, sempre se superando. Essas ideias aparentemente nonsenses e bizarras, talvez contenham uma crítica social na mais profunda camada de seu argumento… Ou talvez não.

Ishimoto Miki é uma jovem garota que começa a trabalhar numa agência iniciante de artistas e bandas formadas por idols. A moça acabou de se formar numa escola de arte e levou um trauma junto com o diploma: Ela pegou um ódio mortal de esculturas, já que todos os seus testes na escola eram desenhos baseados nelas, em todas as disciplinas. Mas numa empresa que trata de música, a última coisa que ela achou que encontraria, era a arte em pedras, pelo menos até ser apresentada ao grupo de idols da qual era ficaria responsável, os Sekkou Boys! Um grupo de quatro esculturas falantes, isso mesmo! São Jorge, o guerreiro, Marte, o amoroso deus da guerra, Hermes, o inteligente do grupo e Médici, o mascote da banda. O mais estranho grupo se reúne então, para fazer sucesso nos palcos japoneses e levar legiões de fãs ao delírio!

Sekkou 2Sekkou Boys é um anime original, produzido pelo estúdio Lindenfilms, o mesmo que deu vida aos animes de Terra Formars e Arslan Senki, com Seiki Takumo como diretor, o responsável pelo anime de comédia Yamada-kun to 7-nin no Majo. Com uma previsão de ter 12 episódios em que cada um possui apenas cerca de sete minutos cada, é comum pensar que nada de interessante pode ser dito sobre essa produção. Em geral, esses animes curtinhos passam batidos pelos fãs, que preferem acompanhar super produções. Mas aí está um ótimo cenário para uma crítica social muito bem escondida atrás das estátuas. É claro que se trata apenas de uma hipótese de uma visão mais aprofundada (pra não dizer exagerada), no fim podemos ter aqui apenas outro anime bizarro pela comédia e nada mais…

Sem querer aprofundar muito no assunto do mercado japonês de idols, é muito claro para qualquer fã de anime e cultura japonesa, que muitos grupos de idols são apenas frentes comerciais para ter lucro em cima da galerinha que pira num grupo de garotos ou garotas bonitas. Muitos desses grupos são fachadas, sendo que provavelmente, os integrantes nem cantem de verdade e estejam lá apenas pelo marketing, basta ver alguns grupos que são extremamente grandes, com mais de 30 integrantes e é praticamente impossível que todos ali saibam cantar com a qualidade de um grande músico. Sabendo dessas informações e do “boom” de novos grupos surgindo a cada dia, com nomes cada vez mais difíceis de se pronunciar, temos a ascensão dos Sekkou Boys.

Sekkou 3Por trás de uma história bizarra com esculturas falantes que precisam ser carregadas para todo canto, inclusive para seus próprios show, e que possuem personalidades totalmente clichês que se encontra em qualquer grupo idol por aí, não seria possível que uma camada de vidro estivesse escondida entre todas as camadas de gesso dessas esculturas? Talvez a ideia mais profunda seja criticar o sistema de criação de idols que está cada vez mais voltado pro lado comercial do que pro artístico e que está fazendo grupos cada vez mais facilmente, apenas pela grana. Talvez estejam dizendo que hoje em dia, qualquer um pode ser idol, até mesmo um grupo de estátuas bonitas afinal… Bom, eles são um exemplo de beleza, não? São bonitos e tem voz! Cantam bem? Isso não interessa, eles tem voz e é isso que importa. Nada que um software de edição de áudio não corrija, certo?

É de fato algo a se pensar, já que parece estar saindo do controle da mídia. Um novo grupo de pessoas bonitas é criado e logo já tem uma legião de fãs se estapeando apenas para encostar e se esfregar no chão que eles passam. Ser um idol alcançou um patamar totalmente forçado e qualquer um pode ser um, desde que seja bonito e corresponda ao ideal exigido. A impressão que Sekkou Boys deixou foi a de uma sociedade superficial que inventa qualquer coisa para conseguir uma grana, já que o mercado da música está permitindo. E sim, vale muito a pena acompanhar sob essa perspectiva. Pode até ser que os próximos episódios abordem diversas e inusitadas piadinhas e que não se aprofunde no tema, mas sem dúvida essa ideia mais complexa do roteiro não vai me sair da cabeça.

Sekkou 4A animação é competente, mas sem nenhum adicional, mostrando apenas o básico e as estátuas são figuras em CG que quase parecem como fotos ali, já que não se mexem. A parte sonora também é bastante comum, sem nenhum diferencial, mas não existe muito o que se pode analisar em apenas sete minutos.

O jeito é ver os próximos para ter uma noção maior da qualidade, mas o estúdio é competente, sem dúvidas, e pode apresentar um anime muito divertido. Independente se você for assistir pela zoeira ou pela possível crítica social, Sekkou Boys se tornou uma surpresa interessante numa temporada sem muitas opções sobressalentes. É bizarro? Sim! É divertido? Sim! É uma crítica social? Quem sabe?! Dá pra deixar passar? Não, definitivamente, não!

Uma profunda crítica social à mídia japonesa ou apenas uma […]