Tsumiki no Ie

Tsumiki no Ie, uma tocante história sobre um velhinho e suas lembranças.

Também conhecido como La maison en petits cubes, Tsumiki no Ie é um curta metragem de animação japonesa de 2008 dirigido por Kunio Kato que venceu o Oscar de melhor curta animação do ano seguinte.

No curta é contada a história de um velhinho que vive solitário em uma cidade inundada. À medida que a água sobe, o senhor eleva sua casa com pequenos tijolos em forma de cubos para se manter fora do nível do lago sobre o qual vive. Então, um dia, seu cachimbo favorito cai e vai parar em um andar mais baixo de onde sua real moradia encontrava-se naquele momento.  Muito apegado ao cachimbo, ele decide comprar uma roupa de mergulho e ir atrás dele.  Ao mergulhar, passa a reviver toda a sua história, de sua família e, claro, da casa, cujos vários andares agora estão todos submersos, exceto o último.

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Cada vez que antigos andares vão aparecendo, vemos junto as memórias do senhorzinho, transmitindo um sentimento que é, sim, triste, mas ao mesmo tempo é também alegre e nostálgico, algo acentuado pela ótima ambientação criada com sua animação diferente dos animes comerciais.

A predominância de tons pasteis, passando um ar mais tranquilo, o traço mais simples e a trilha sonora mais calma convidam-nos a nos incluirmos neste drama. Mesmo que sejam por poucos minutos, todas essas artimanhas prendem o espectador fazendo com que ele se emocione de forma bem singela.

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É simbólico, bonito e simples, sem precisar de diálogos para expressar as emoções do protagonista, muito menos precisa ser longo para contar a sua história. A música suave ao fundo é um complemento mais do que suficiente.

Esse é o tipo de anime que apresenta uma dinâmica bastante diferente dos que estamos acostumados a assistir e é a prova de que não precisa haver uma história complexa para dar certo, nem de uma animação “moderna” para nos apresentar um bom conteúdo ou mesmo de cenas rápidas e frenéticas para prender a nossa atenção. Não há problema em se utilizar desses recursos, mas às vezes mais é menos e a simplicidade torna-se um diferencial, especialmente nesta caprichada execução.

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Merecidamente ganhador do Oscar de melhor curta animado, Kunio Katou mandou bem em todos os quesitos, sabendo equilibrar a sutileza da história que queria contar com aquele tão peculiar mundo.

Indico para todos que apreciam “uma obra de arte, literalmente em movimento” (desculpem, não sei aonde ouvi essa frase, mas sei que é extremamente apropriada a este anime e tenho certeza de que todos vão me dar razão).

Sobre Karolina

Técnica em comunicação visual, 20 anos, mora em São Paulo. Desde
criança conviveu com animes na sua vida, mas só se interessou mais a fundo na 7ª serie do fundamental e está até hoje presente em sua vida. Fangirl de shoujo, animações clássicas e psicodélicas, também é fã de carteirinha de Evangelion e Noragami.
Twitter: @KarolFacaia

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