Os complicados adolescentes de Kuroko no Basket

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O que você faria com esses adolescentes?

Atenção: para quem ainda não leu/viu Kuroko no Basket até o flashback da Teikou, há spoilers.

Kuroko no Basket (黒子のバスケ) é um manga de autoria de Tadatoshi Fujimaki, publicado na Shonen Jump entre 2008 e 2014. A série foi adaptada para anime pelo Production I.G. em três temporadas. Além disso, rendeu cinco light novels, uma sequência chamada “Kuroko no Basket – Extra Game” atualmente em publicação na Jump Next e dois videogames.

A ideia deste post surgiu de uma conversa que tive com uma fã de Kuroko no Basket que trabalha com adolescentes em conflito com a lei. Ela dizia que alguns personagens de Kuroko no Basket não eram muito diferentes dos adolescentes que encontrava no dia a dia. E eu, como professora, comecei a pensar: e se fossem meus alunos? Imaginei quais deles seriam mais difíceis de lidar e por quê. Veja só o resultado:

hanamiya e haizaki

Hanamiya, o maquiavélico e Haizaki, o violento.

Makoto Hanamiya: para quem não lembra, ele é o capitão do Kirisaki Daichi, que arrebentou com o joelho do Kiyoshi de propósito. Provavelmente é o único personagem totalmente “odiável” em Kuroko no Basket, e com razão. Ao contrário de outros jogadores que às vezes machucam os adversários no desespero para ganhar, o Hanamiya recorre à violência porque gosta. Ele comete maldades de caso pensado e não se arrepende depois, não importa as consequências. Por ser inteligente e saber fingir extremamente bem, é um tipo perigoso e difícil de lidar, pois pode muito bem ser capaz de enganar até os próprios pais.

Shougo Haizaki: o ex-jogador da Teikou, que perdeu o lugar para o Kise, é o típico adolescente rebelde dos mangas e animes. Sua declaração de que roubava comida dos colegas não por fome, mas porque gostava do ato de roubar dava uma dica do que ele poderia fazer no futuro. Entretanto, embora fosse capaz de violência e de jogadas desleais nos jogos, o Haizaki ainda fazia tais coisas mais por querer ganhar do que por um prazer especial em ferir os outros. Seria uma recuperação difícil, mas não impossível, a julgar pelo fato de que ele não reagiu quando levou o soco do Aomine – de acordo com a Momoi, era como se ele quisesse que alguém o impedisse de fazer bobagem.

aomine e murasakibara

Aomine, o frustrado, e Murasakibara, o preguiçoso

Atsushi Murasakibara: de cara ele parece só uma criança grande e preguiçosa. O Murasakibara parece não ligar muito para o mundo a sua volta desde que ninguém mexa com a comida dele. Mas aí é que está o perigo – ele parece não ligar para nada, nem ninguém mesmo. As outras pessoas são como insetos, se incomodarem… ele as esmaga! No entanto, apesar de dizer que não liga, no fundo ele liga, sim. Tanto que no jogo contra a Seirin, deixou-se comover pelas lágrimas do Himuro e, quando o time perdeu, ele mesmo chorou. Pode-se dizer que, quando descobriu a própria força, Murasakibara começou a se sentir superior demais e se distanciou do resto do mundo. Possivelmente seja um menino que precisa de uma autoridade firme como a da treinadora Masako.

Daiki Aomine: ele quase ia pelo mesmo caminho que o Haizaki – batendo no Wakamatsu senpai, roubando a comida do Sakurai… –, mas a verdade é que o Aomine, antes do despertar de suas habilidades, era super bom moço e isso fez muita diferença. Se o técnico da Teikou tivesse procurado discipliná-lo em vez de deixá-lo fazer o que quisesse por medo que desistisse do basquete, provavelmente o Aomine não se tornaria um poço de frustração tão grande. Se o Hanamiya é o mais “odiável”, o Aomine é provavelmente um dos menos “odiáveis” de Kuroko no Basket.

akashi

Akashi, com sua dupla personalidade e radicalismo assustador.

Seijuro Akashi: este é perigoso não pela rebeldia, mas pelo pensamento radical, dupla caráter e grande carisma. No auge do duelo Seirin x Rakuzan, Akashi chegou a ser o mais popular personagem de Kuroko no Basket. O carisma faz com que pessoas disponham-se a apoiá-lo mesmo quando toma decisões questionáveis. Embora não seja do tipo de fazer – ou levar os outros a fazerem, como o Hanamiya – jogadas violentas ou desleais, o Akashi não hesitaria em torturar e destruir psicologicamente um adversário. Podemos dizer que as ações do Akashi seriam mais ou menos justificáveis numa guerra, mas absurdamente exageradas para um campeonato escolar. Para complicar as coisas, ele é muito controlado e inteligente, o que o torna um caso tão difícil quanto o Hanamiya.

Apesar de trabalhar com vários clichês de mangas de esporte, Tadatoshi Fujimaki sempre procurou “encaminhar” o rumo dos personagens para um lado mais positivo, considerando-os como realmente são: adolescentes em plena formação, cheios de potenciais para mudar, nunca pessoas fadadas a serem para sempre como aparecem ali. Kuroko no Basket passa uma mensagem interessante de como o esporte pode sim ser uma ferramenta importante no crescimento pleno e saudável dos jovens, transformando suas vidas se tiverem essa possibilidade. Não existe adolescente sem solução, é nosso papel enquanto sociedade permitir que eles próprios encontrem suas soluções.

Sobre liviasuguihara

Instrutora de inglês, "arteira", amante de animes e mangás. Você também me encontra no Twitter (@lks46), no Behance (https://www.behance.net/lksugui7ac5), e no Instagram (liviasuguihara).

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4 thoughts on “Os complicados adolescentes de Kuroko no Basket”

  1. Olá, nunca havia entrado neste site antes e por pura curiosidade acabei lendo este artigo maravilhoso ♥ Já posso dizer que virei fã!
    Comecei a ver Kuroko no Basket há poucos meses e o que me chamou mais atenção nesta obra foi exatamente os personagens. Cada um deles possuem traços marcantes e até mesmo o mais desprovido de emoções (vulgo Kuroko) tem uma característica única que me conquistou. Não sou fã de esportes, sendo sincera. No entanto, o que me faz amar KnB são os conflitos gerados justamente por estes traços dos personagens. Fujimaki sabe o que faz!

    E é aí que eu quero chegar. Já tinha parado para pensar em cada um deles como adolescentes que têm seus próprios problemas e conflitos internos. Não sou formada no assunto, apenas uma mera estudante, porém ao viver no meio de tantos adolescentes e eu sendo uma também, consigo enxergar exatamente isso.
    Talvez a falta de carinho, apoio e ajuda os tornem o que são. Por isso, não consigo sentir raiva de nenhum deles. Ainda bem que o autor permite a reconciliação de cada personagem com o seu próprio ser e não vemos, até agora, nenhum partindo para a vida no crime. Gostaria que fosse assim no mundo hoje, mas infelizmente nem todos têm a mesma sorte.
    Por fim, gostaria de parabenizá-la pelo análise. Muitos assistem o anime sem perceber esta ligação com o mundo atual, com os complicados adolescentes e tudo mais. Então espero que isso sirva de reflexão para quem ler. Um abraço!

  2. O que mais me encanta em KnB é a rica personalidade dos personagens. Mesmo o maior dos figurantes tem um estilo próprio. E algo que percebemos é que a cada adversário, a personalidade é mais complicada. O Kise-Kun e o Midorimacchi são os adolescentes mais ”fáceis de lidar”. O Kise no mangá é mais frio do que no anime, mas mesmo assim é alguém ”de boa”. O Midorima tem suas maluquices mas é o mais gentil da Kiseki no Sedai, ajuda todo mundo e não quer levar crédito. E também não ficou se achando ou deixando o basquete de lado quando o resto do time ficou. Meus dois favoritos da Kiseki no Sedai <3
    O Hanamiya é meu personagem favorito, ele pode ser um fdp, mas saiu daquele padrão que estávamos acostumados a ver na história. Não é o tipo de personagem gentil que ama basquete e só quer se divertir, ele quer mesmo é estragar o sonho dos outros e é um vilão muito amável <3. Mas não acho que vai deixar de ter sua natureza sádica. Gosto muito do Shougo-kun também.
    Um adolescente que também é complicado é o Mayuzumi. Muita gente detesta ele (nunca achei um fã dele), mas eu o adoro. Ele é um Kuroko, mas totalmente Dark. Enquanto o Kuroko é frio mas tem seus momentos de raiva, fofura etc. O Chihiro é sempre apático, anti-social e gosta de fazer o que quer. Ta aí mais uma personalidade que podemos analisar.

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