Re-Kan! – Primeiras Impressões

Venha conhecer o dia a dia de uma jovem capaz de ver fantasmas em Re-Kan!

 A beleza das coisas existe no espírito de quem as contempla.

David Hume

Re-Kan! é uma comédia seinen do estúdio Pierrot+ adaptada do manga homônimo de Hinako Seta, prevista para ter 13 episódios e dirigido por Masashi Kudo.

Amami Hibiki é uma jovem colegial que possui o dom de ver espíritos, falar com animais, além de ter outras visões sobrenaturais. Morando com seu pai já que sua mãe já faleceu, ela é uma garota muito positiva, tratando tanto as pessoas como os fantasmas que ela conhece de forma igualmente educada e gentil. Hibiki acaba de se mudar para uma nova escola onde faz questão de não esconder que possui essa intimidade com o mundo do além. Os jovens de sua classe a princípio estranham um pouco a entrada de uma aluna com dons tão atípicos, mas se acostumam até rápido demais com essa realidade, encarando as situações bizarras que cercam a garota de forma bastante tranquila.

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Os amigos de Hibiki são a parte interessante do anime nesse primeiro momento, pois todos agem de forma bastante normal com esse cotidiano da protagonista, causando várias situações que seriam constrangedoras dentro da escola. A personalidade de cada um é bem característica, sendo que algumas amigas são mais duronas e outras puro moe, mas por mais absurdo que algumas coisas sejam, todos estão sempre dispostos a proteger a Hibiki caso alguém a desrespeite. Exceto por Inoue, que enfatiza não acreditar nessas coisas, mas tem o espírito de sua querida avó sempre ao seu lado representado como um fantasminha esvoaçante visto por Amami.

As reações de Inoue são muito engraçadas com relação a cada coisinha que acontece com Hibiki. Enquanto os outros já aprenderam a lidar com isso, a Inoue tem reações exageradas de espanto, o que gera cenas muito cômicas. Apesar disso, Narumi deixa bem claro sua personalidade tsundere quando tenta ser grossa com Hibiki, mas está sempre preocupada com ela e de alguma forma é envolvida nos eventos sobrenaturais. O jeito que o primeiro episódio terminou deixa bem claro que essas duas ainda serão grandes amigas, pois de uma forma ou de outra a Narumi tem uma ligação com o mundo espiritual que mostra seu lado gentil. Algumas cenas deixaram a entender que a Inoue também é capaz de ver espíritos, embora não possua algo tão apurado como a Hibiku, mas não quer admitir a si mesma ou simplesmente não percebe.

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Pela temática Re-Kan! lembra um pouco Natsume Yuujinchou, mas o que me agradou nesse anime foi que a Hibiki não sofre ao tentar negar essa parte da vida dela, enquanto o Natsume, sim. O convívio com o sobrenatural é algo que inevitavelmente faz parte do cotidiano dela e tentar esconder isso seria como velar uma parte do que ela é. A forma como todos ao redor aceitam isso sem discriminá-la também é um ponto forte, pois possuir um dom como esse não te faz alguém anormal que deva ser isolado. Um dom de visão paranormal não é motivo para alguém ser tratado de forma preconceituosa, assim como ter cor, credo ou classe social diferentes.

Todas as pessoas e seres vivos merecem respeito e inclusão. Então essa é realmente uma mensagem boa, afinal, existem pessoas reais que passam por isso todos os dias e são tratadas como loucas por não serem compreendidas ou aceitas. Independente de quem acredita ou não se espíritos existem, há quem veja e isso deve ser tratado com respeito por todos.

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Porém nem tudo é agradável e o que poderia ser fofinho pode ficar irritante, como a existência de um gato que surge a princípio como uma boa ideia, já que a protagonista pode falar com animais, mas esse entrosamento é estragado pela personalidade do bicho. Se o autor quisesse fazer um diferencial, com um bichano excêntrico, bipolar ou qualquer coisa nessa linha, seria perdoável, até interessante, mas o gato é simplesmente um tarado. Até certo ponto isso poderia ser perdoável, não fosse apelativo transformar a imagem de um animal, que é um ser inocente, em algo grotesco, com uma dublagem de uma voz grave com nuances claramente forçadas, tornando o resultado intragável. Simplesmente não engoli essa parte do anime.

Quanto à parte técnica, a arte é bem simples, com uma paleta de cores bem básica. Embora seja um estilo rudimentar, a questão dos contrastes foi bem trabalhada, sendo que os cenários ao fundo são claros e homogêneos, destacando os personagens através de roupas com cores fortes bem chamativas. A história começa com a cor fora do tom bem evidente, que vai se neutralizando com o passar do mesmo, refletindo a relação dos personagens que vai se aprofundando.

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Não diria que Re-Kan! é um anime excepcional, mas acredito que valha a pena acompanhar, até porque a história pode trazer boas surpresas com relação aos personagens que surgirão e o desenvolvimento dos já apresentados.

Sobre Karina Herbsthofer

Artesã, fotógrafa, escritora, otaku, comilona, amante de gatos e dança. Viciada em cheirar livros! Mora no estado de São Paulo. Escreve no blog do Gyabbo! desde 2014.

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