I Am a Hero – Mangá

Em qualquer mídia o apocalipse zumbi quase sempre é representado nos Estados Unidos. Como seria se acontecesse em outro local? Quem seriam os heróis? Conheça o manga I Am a Hero no Gyabbo!

Após uma grande febre de obras sobre o tão temido apocalipse zumbi que diversas séries, filmes e quadrinhos têm representado, começamos a ter certos pontos de vista que unem a grande maioria das obras em alguns aspectos. O primeiro é que quase nunca sabemos como surgiram os tais zumbis, eles simplesmente aparecem na história sem explicação biológica alguma. Outra, é quase sempre acontece nos Estados Unidos! É mais ou menos como aqueles filmes sobre alienígenas, que apesar de virem para um planeta tão gigante quanto a Terra, sempre acabam pousando especificamente naquele país. É bom termos visões diferentes de certas coisas às vezes e poucos mangás apresentam um apocalipse zumbi tão assustador e tão real quanto I Am a Hero, chegando a bater de frente com outras obras que tentam apresentar esse fenômeno.

Hero 2

Somos apresentados ao assistente de mangaká Hideo Suzuki, que leva uma vida monótona tentando insistentemente conseguir uma série de mangá própria, mas ele tem um pequeno probleminha: Ele tem um distúrbio mental que causa alucinações frequentes onde ele vê monstros e mãos surgindo de onde nada existe. Às vezes fica difícil para ele perceber o que é real e o que não é, mas é assim que Suzuki leva sua vidinha com um relacionamento fadado ao fracasso e uma carreira mediana. Aos poucos ele começa a ver notícias sobre pessoas tomadas por uma raiva repentina que começam a morder umas às outras na rua. Achando que é mais uma de suas alucinações, Hideo demora um pouco para perceber o que realmente está acontecendo e como o fenômeno mudará drasticamente a sua vida e de todo o mundo ao seu redor, transformando um babaca alucinado em um verdadeiro herói.

I Am a Hero foi criado por um autor, Kengo Hanazawa, que tem como especialidade em suas obras, expressar claramente os sentimentos dos personagens e com I Am a Hero não poderia ser diferente. Serializado pela revista Big Comic Spirits da editora Shogakukan, a obra conta atualmente com 15 volumes e teve início em agosto de 2009. Engraçado perceber a semelhança física entre o autor e seu protagonista. Será que é proposital?

Hero 3

 A história começa com um ritmo bem devagar e pode até afastar os desavisados de plantão. Todo o universo paralelo de ilusões que é criado pela cabeça de Suzuki é apresentado aos poucos e pode ficar um pouco difícil para o leitor distinguir o que é que está acontecendo ali. Até você se acostumar com o fato de que os monstros e mãos que aparecem são apenas coisa da cabeça do pobre mangaká, a epidemia zumbi já começou a se espalhar e aí as coisas passam de confusas para aterrorizantes. Mesmo o ritmo da história passa a acelerar após isso, assim como a vida do coitado começa a desmoronar.

Algo que é muito interessante observar, mas que pode causar raiva e revolta de alguns, é a falta de reação de Suzuki para tudo o que está acontecendo a sua volta. Mesmo quando ele passa a perceber que as coisas já não fazem mais parte da sua imaginação e são reais pra valer, a reação dele é a mesma. Ele se assusta com algumas, claro, mas para ele é como se todo aquele apocalipse com pessoas mordendo umas as outras fosse totalmente normal. Com a sua espingarda nas costas, ele passa por situações e perigos reais e mesmo assim age como se fossem coisas cotidianas.

Hero 4

Após alguns acontecimentos, o ritmo do mangá volta a diminuir bastante, sendo visível em diversos capítulos onde praticamente nada acontece, mas é perfeitamente aceitável para a construção de situações dentro daquela realidade. Mesmo na série The Walking Dead, com a maioria da população morta, grande parte das vezes não acontecem coisas grandiosas, mas é diferente quando se vê isso na tela da televisão ou nas poucas páginas de um mangá semanal. Muitas críticas são jogadas nos fóruns todos os dias por conta disso, no entanto, essas pessoas esquecem desse detalhe por comparar muito com a série de televisão. Pensando em questão do ritmo, a leitura ficaria mais prazerosa talvez, lida direto nos encadernados.

Quanto ao traço, não existe do que reclamar, Kengo Hanazawa é um verdadeiro mestre na arte de impressionar através do lápis. Diversas cenas de página dupla como uma de um avião caindo, e até ângulos de cena totalmente improváveis que dariam certo acabam por deixar o leitor de queixo caído e merecem um pouco mais de atenção daqueles que passam as páginas voando como se não houvesse amanhã. Eles ficariam surpresos em descobrir que observar essas cenas em detalhes pode ser uma experiência muito prazerosa!

Hero 5

I Am a Hero pode não ser a melhor história de zumbis existente, mas com certeza é uma leitura válida para os fãs desse gênero e principalmente para aqueles que estão cansados de verem esse fenômeno acontecer só em terras americanas. Por que tudo tem que acontecer no Estados Unidos? Mangakás também podem ser heróis com as suas espingardas e estourar alguns miolos pútridos de mortos-vivos, por que não?

Em qualquer mídia o apocalipse zumbi quase sempre é representado […]