Rurouni Kenshin – Samurai X – Trilogia Live Action

Samurai X é um clássico tanto em anime quanto em manga, lançado pela editora JBC no Brasil e exibido no Cartoon Network. A trilogia em live action terminou ano passado no Japão e será lançada nesse ano em DVD e Blu-ray no Brasil. Confira as impressões sobre os filmes aqui no Gyabbo!

本ポスター第2弾FINAL枠ナシO primeiro filme adapta os primeiros arcos do anime e do manga e leva para a telona a história do andarilho Kenshin Himura. Conhecido como Battousai, o Retalhador, por seus feitos durante a revolução que levou à Era Meiji, Kenshin abandonou o título e jurou que jamais voltaria a matar pessoas. Para isso, adquiriu uma sakabato, uma espada com a lâmina invertida.

Dez anos depois, ele chega a Tóquio e conhece Kaoru, que procura por Battousai por acreditar que este está por trás dos crimes que mancham ao nome do dojô de seu pai. Um assassino com a posse da espada usada pelo Retalhador está se passando por ele, ao mesmo tempo em que um traficante quer contratar os serviços de Kenshin. As personagens fixas da história são apresentadas nesse contexto.

O segundo filme, O Inferno de Kyoto (Rurouni Kenshin: Kyoto Taika-hen), e o terceiro, O Fim da Lenda (Rurouni Kenshin: Densetsu no Saigo-hen), adaptam o arco do vilão Shishio Makoto. Ele deseja tomar o controle do governo do Japão, por se ressentir da Nova Era. O vilão, tal como o protagonista, lutou na revolução que levou ao início da Era Meiji. Por conta disso, oficiais do atual governo recorrem a Kenshin Himura como a última esperança para impedir os planos de Shishio.

Samurai-X-2O elenco entrega boas atuações. Takeru Satô é perfeito em sua caracterização do Kenshin, tanto nas cenas sérias do personagem – em que ele muda até o “olhar” – como nas cenas cômicas, capturando a alma tranquila e sonsa da fachada divertida de Himura. Um protagonista tão eficaz é uma das causas do sucesso do longa.

As outras personagens da saga também estão presentes. Kaoru (Emi Takei) é interpretada por uma atriz novinha, que combina bem com ela. Sanosuke (Munetaka Aoki) e Megumi (Yu Aoi) também estão reconhecíveis e bem caracterizados. Misao (Tao Tsuchiya), Aoshi (Yusuke Iseya) e Saito (Yosuke Eguchi) também estão presentes e com as personalidades já conhecidas pelos fãs.

Os vilões do primeiro filme não se destacam mais do que já haviam feito no anime e manga, pois são unidimensionais. Já Shishio contém toda a complexidade que se esperava da personagem, numa ótima atuação de Tatsuya Fujiwara (o Kira da adaptação live action de Death Note). Ryunosuke Kamiki também está ótimo como Soujiro Seta, o garoto sem emoções, com o mesmo cinismo do braço-direito de Shishio no original.

Samurai-X-3A caracterização excelente é ajudada pelo trabalho do figurino. As roupas seguem o estilo usado pelas personagens no anime e no manga, muitas vezes sendo idênticas. Os cortes de cabelos também. Isso faz com que sejam facilmente reconhecidas e não cause estranhamento no tipo diferente de mídia.

A trilha sonora é eficaz em definir o tom e o clima das cenas. Seja em uma batalha, um momento cômico, uma cena mais romântica, a trilha é competente. Mas o destaque vai mesmo para os belíssimos cenários dos filmes. As cenas ganham força e credibilidade pelos cenários utilizados, especialmente pela caracterização da Era Meiji: as cidades, o dojô, as florestas, a neve, etc. contribuem para que o cenário seja uma ferramenta imprescindível no clima da era.

Samurai-X-4Entre as produtoras da trilogia cinematográfica baseada no manga de Nobuhiro Watsuki, está a Warner Bros japonesa. A direção de Keishi Ōtomo é segura, o primeiro filme segue um ritmo que alterna entre ação e conversas filosóficas, com o ocasional comic relief proporcionado por Sanosuke. O roteiro do primeiro é impecável, mesmo com os vilões que deixam a desejar, os protagonistas compensam em simpatia e modo de pensar.

O segundo peca na execução, com partes enroladas e ação seguida por ação seguida por mais ação. Apesar da embromação, é eficiente em dar início ao arco de Shishio e a subtrama focada no chato do Aoshi. O filme não contém uma resolução de fato, sofre do “mal do livro do meio” – isto é, move o enredo, mas não funciona bem por si só – e termina em aberto.

O terceiro prolonga o treinamento e a conclusão da subtrama do Aoshi, que talvez funcionariam melhor se tivessem sido interligadas nos primeiros trinta minutos, misturando ação e filosofia como no primeiro filme. Ou talvez, se a subtrama tivesse sido concluída de uma vez no segundo. E falta a história da cicatriz, tão mencionada durante toda a saga, mas que nenhum filme chega a se aprofundar.

A cicatriz é um buraco  na história que poderia ter sido resolvido com flashbacks, ou até mesmo aproveitado a cena em que Kenshin e seu mestre conversam sobre a cicatriz para inserir uma explicação e um flashback de quando ela foi completada. Nada que cinco minutos não resolveriam, se comparados com a falha no enredo ocasionada por só mostrar quando o primeiro traço foi feito – e ignorar que o importante mesmo para o protagonista, é quem fez o segundo.

Samurai-X-5Mesmo com as falhas, a trilogia live action é muito boa. A essência do manga está nela, com a mesma simpatia do anime. A história é envolvente apesar de ter sofrido nas sequências – provavelmente em consequência de terem sido lançados com um mês de diferença, planejadas e produzidas em conjunto. Em geral o enredo é complexo, não precisa conhecer o original para aproveitar, mas já ser fã torna a experiência de ver uma adaptação bem feita ainda melhor.

Recomendado para todos os fãs de Samurai X.

Para mais opiniões sobre os filmes, leiam e vejam no Anikenkai e no Video Quest.

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