Hotori: Tada Saiwai wo Koinegau

E se você conhecesse um robô que está recebendo memórias de outra pessoa enquanto você está perdendo a sua?  Saiba mais de Hotori: Tada Saiwai wo Koinegau e sua história aqui no Gyabbo!

Hotori: Tada Saiwai wo Koinegau é uma longa-metragem animado de ficção científica produzido em 2005 pelo estúdio Sunrise e dirigido por Takashi Anno (Maison Ikkoku). A história se inicia na Personality Plant, onde robôs estão sendo construídos e, lentamente, equipados com as memórias artificiais de pessoas reais. Suzu é um robô que está sendo construído para substituir um jovem rapaz que morreu. Por acaso, ele conhece Hotori, uma jovem que sofre de perda de memória progressiva. As duas crianças se tornam amigas e tentam recuperar suas memórias.

Os assuntos abordados são muito próximos do nosso cotidiano: sobrevivência, a definição do que é ser humano, a importância das lembranças, a perda de entes queridos, a convivência com as diferenças, a busca por soluções para os problemas. Tudo isso poderia ser o retrato da vida de qualquer um, não fosse a inclusão da figura de um robô humanoide, que convenhamos, não encontramos nada igual andando por aí, e que é mais humano e de bom coração que muita gente.

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O longa perde um pouco na originalidade, porque o seu tema já foi muito retratado na ficção científica, mas se destaca na maneira como é abordado durante a evolução da narrativa. Não que seja peculiar a forma como tudo terminou, pelo contrário, foi óbvio, mas como chegou até lá foi tão natural e poético que chega a ser quase impossível se desprender da história de Hotori e Suzu.

O desenvolvimento dos personagens, apesar de curto por conta da duração do filme, foi muito bem trabalhado. A presença de Suzu fez que com todos mudassem de forma sutil e sem exageros, até mesmo os personagens que não tiveram tanto destaque foram inseridos nessa relação de aprender e mudar. O robô falou pouco,  mas foi impactante, revelando a importância de se ter as próprias lembranças e, analogamente, ter a própria vida. Mas o ápice da narrativa foi o desenvolvimento de dois seres em situações completamente opostas – um aumentando as suas lembranças e a outra as perdendo -, mas buscando a mesma coisa: serem eles mesmos.

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A simplicidade do traço, característico de uma época de transição no estilo padrão da indústria, deu um charme a mais na animação. Todos os elementos são trabalhados de forma plástica e simples, sendo muito bem feitos, agregando sentimentos de nostalgia por ter um traço que hoje poderíamos ver como um pouco “vintage”.

Em termos técnicos a animação foi satisfatória. Os personagens exibem movimentos bem articulados, sutis através de uma animação fluida na medida do possível. O character design dos personagens também entra no quesito simplicidade, mas harmonioso. Os backgrounds estavam também bem feitos, mas simples demais para uma  história com clima futurista, deixando a impressão de que poderia ser melhor trabalhado para nos envolver na atmosfera desse mundo novo.

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Foi uma lástima que o longa durar apenas 40 minutos, fazendo com que ficasse com um gostinho de quero mais.  Indico para todos que curtem um bom drama e não se importam em chorar.

Peguem seus lencinhos e bom filme!

Sobre Karolina

Técnica em comunicação visual, 20 anos, mora em São Paulo. Desde
criança conviveu com animes na sua vida, mas só se interessou mais a fundo na 7ª serie do fundamental e está até hoje presente em sua vida. Fangirl de shoujo, animações clássicas e psicodélicas, também é fã de carteirinha de Evangelion e Noragami.
Twitter: @KarolFacaia

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