World Trigger (Manga)

Estão prontos para conhecer World Trigger, um dos battle shounens mais injustiçados dos últimos tempos? Então preparem suas reservas de trion e vamos lá! TRIGGER ON!

A história se passa inicialmente na cidade de Mikado, um lugar pacífico e tranquilo que de um dia para o outro passa a viver um pandemônio. Um estranho portal se abriu no céu e dele saíram monstros sabe-se lá de onde que começaram a atacar a cidade, destruindo tudo. Após uma série de ataques, outros portais começaram a se abrir e mais monstros saíram, outros entraram de volta como se fosse uma reposição de soldados. Os humanos, completamente indefesos inicialmente, começaram a chama-los de neighbors (“vizinhos”, em inglês), por acharem que se tratavam de alienígenas, até que um dia surgem pessoas capazes de derrotar os neighbors utilizando uma tecnologia alienígena bem parecida com a dos atacantes. Essas pessoas os afugentam e fundam uma organização chamada Border com a finalidade de combater novas invasões sempre que outro portal se abrisse, até que eles descubram de onde eles vem.

Osamu Mikumo é um agente de classe C que vive sua vida normalmente até conhecer Yuuma Kugo, um rapazinho que se transfere para sua escola e que guarda um grande segredo: Ele veio do outro lado do portal e é um neighbor humanoide muito mais forte do que os monstros que apareciam até então e pior… ele não é o único. O que será que Yuuma veio fazer desse lado? Por que fez amizade com um agente da Border? O que tem do outro lado do portal?

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Eu fico super empolgado quando falo de World Trigger. Criei um estranho apego por esse manga e nem sei o porquê. Publicado nas páginas da Shounen Jump juntamente com os grandes Bleach, Ansatsu Kyoushitsu, One Piece e anteriormente, Naruto, Trigger passa despercebido por muita gente e acaba não brilhando muito. Contando atualmente com oito volumes encadernados, o manga vem ganhando espaço aos poucos, mas infelizmente ainda não é indispensável, figurando muitas vezes entre as obras que correm perigo de cancelamento.

Criado por Daisuke Ashihara em fevereiro de 2013, ganhou um anime (Muito mal feito pela Toei, por sinal) nesta temporada de outubro, World Trigger ganhou vida a partir do one-shot Jitsuryokuha Elite Jin, feito por Ashihara em 2011. A história também se tratava de monstros de outras dimensões invadindo o mundo dos humanos, mas o protagonista era Jin, e não Mikumo. Jin que aliás, também está em World Trigger, fazendo a função de mentor do protagonista.

O traço de Ashihara é bem característico também, bastante caprichado e tudo redondinho. Literalmente redondinho! Ele abusa um pouco das curvas, talvez por sua experiência anterior com o mangá de comédia Super Dog Rilienthal que foi publicado anteriormente na mesma revista, mas isso não prejudica a obra de maneira nenhuma, deixa até mais divertida a leitura com os momentos de comédia de Yuuma que já são de lei. Chama bastante atenção o capricho com os monstros, cheios de detalhes e também a anatomia dos personagens sempre correta, dificilmente sendo visível algum deslize.

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As batalhas em World Trigger são baseadas na medida de energia que cada personagem possui. Sabe o ki em Dragon Ball? O cosmo em Cavaleiros? Aqui nós chamamos de trion! O trion é a força vital de cada pessoa e ela é representada por cubos. Caso você já tenha visto alguma imagem do World Trigger com os personagens segurando cubos e pensou “Que droga é essa?”, essa droga é a energia vital de cada um deles. O sistema de batalha comandado pela Border funciona através de armas chamadas trigger que consomem o trion. Quando entram no campo de batalha ativando o trigger, a Border cria uma cópia de trion de seus corpos, deixando os corpos originais na base, em segurança. Então se alguém perder um braço numa batalha, relaxa, é só refazer o corpo de trion! Isso pode ser um ponto negativo para quem está lendo, já que perde-se um pouco do extremismo e do medo de algum personagem morrer, mas funciona mesmo assim.

Os triggers são divididos em classes assim como os agentes. Quanto maior a classe, mais forte, logicamente. É tudo bem organizadinho, mas tão bem organizadinho que aqui pode aparecer outro ponto negativo. A Border é uma agência muito grande e possui muitos personagens que são apresentados praticamente todos de uma vez. Decorar os nomes deles? Impossível. Você acaba decorando apenas dos que começam a ter mais destaque, mas isso é normal. Quando começam a explicar o sistema organizacional da Border, tudo vai ficando mais claro.

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Yuuma Kugo é um show à parte dentro do manga. O protagonista, juntamente com Mikumo, está sempre ajudando e tirando sarros de todos na surdina – já que não pode revelar que é um neighbor. Para ele, nada importa e nem ele mesmo sabe quais são seus próprios objetivos ali. As expressões que ele faz são engraçadas e bizarras ao mesmo tempo. Eu diria até que Yuuma é um dos personagens mais bem construídos do manga ao lado de Jin. São personalidades marcantes, expressões características e divertidas, além de serem osso duro de roer no campo de batalha, chamando a atenção toda para si.

Agora, é preciso dizer que World Trigger é um manga injustiçado. Eu digo e repito, com certeza Trigger é injustiçado! Vamos aos fatos: Um protagonista divertido e marcante, batalhas super empolgantes com possibilidades infinitas pelos diferentes poderes de cada trigger e um universo totalmente diferente atrás dos portais para ser explorado. Isso porque estou deixando de lado qualidades que aparecem no decorrer do mangá e que não posso contar aqui para não soltar spoiler. World Trigger tem tudo para ser um battle shounen febre entre os amantes de manga, todos gritando pela rua “TRIGGER ON”! Mas não é bem assim…

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Como eu já disse alguns parágrafos acima, Trigger sofre por ser um gênio tímido em uma classe de super gênios. Imagine uma escola de alto nível onde todos os alunos são bons nos estudos e um jovem rapazinho franzino faz parte deste grupo. Todos os alunos respondem perguntas e escrevem respostas super bem boladas na lousa, mas o rapazinho é tímido demais pra isso, apesar de ter potencial assim como os outros. Este é World Trigger. Potencial tem! Qualidade tem! O que não tem? Espaço… Destaque… Pois isso tudo já está com One Piece, Gintama, Ansatsu Kyoushitsu, Bleach e por aí vai. Tem aqueles que vão dizer que mesmo novas obras que surgiram depois de Trigger ganharam mais espaço que ele como Hinomaru Zumou, Boku no Hero Academia e tal. Mas é uma questão de divulgação e destaque. Hinomaru Zumou teve divulgação até em eventos de sumô. Academia tem uma clara ligação com HQs de heróis, mas World Trigger, apesar de ter potencial, não tem nenhum diferencial marcante para com os outros. Nenhuma característica de destaque.

Para completar, o que poderia alavancar a série era um anime bem feito e de ótima qualidade, mas deram Trigger nas mãos da Toei e eles fizeram uma série ridícula com cabeças tortas e amassadas, cenas de ação fracas e frames parados. Isso matou o manga de vez, agora é difícil ganhar uma segunda temporada para o anime e também será complicado subir a popularidade do manga. Com a chegada que novos títulos com destaques diferentes, WorldTrigger, apesar de ter um baita potencial, pode acabar ficando pelo caminho e deixando muitos a ver navios. Espero que eu esteja errado e que quando surgir o mundo atrás do portal, o manga ganhe um diferencial para com os outros e passe a ser a história que ela tanto merece.

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Estão prontos para conhecer World Trigger, um dos battle shounens […]