Mirai no Football

Futebol e ficção científica se misturam nessa inusitada história mas… Será que é uma boa combinação? Venha conhecer o manga Mirai no Football!

Apesar do futebol ser o esporte mais popular do planeta e ser capaz de mover massas em todos os cinco continentes, quem acompanha mangás sabe o quão difícil é achar um de qualidade com esse tema. Conhecemos vários muito bons sobre outros esportes como basquete, beisebol, vôlei e boxe, mas de futebol… O que mais se aproxima por conta da nostalgia é Super Campeões (Captain Tsubasa para os íntimos), mas está longe de apresentar o esporte de forma séria e tradicional sem super poderes. Seguindo a tradição, Mirai no Football tem o futebol como tema, mas como tema secundário.

Toudou Mirai é um jovem prodígio que acaba de se transferir para o Andalucia FC da Espanha por uma quantia exorbitante e quando acha que vai brilhar na equipe espanhola, é colocado no time reserva, o que causa a sua ira. Egoísta e acostumado a ser o centro das atenções, Mirai fica possesso quando o time reserva é enviado em um cruzeiro para a Inglaterra para jogar contra um time chamado Durham. O que ninguém esperava era que esse cruzeiro naufragasse e que Mirai desaparecesse do local misteriosamente. Enquanto isso, 120 anos atrás, um garoto japonês aparece misteriosamente na cidade de Durham para ajudar o time local a entrar no primeiro campeonato de futebol da história. Como Toudou Mirai, o astro japonês do futebol, foi parar em 1887?

Mirai no Football 2

Composto de apenas cinco capítulos em um volume único, Mirai no Football foi publicado bimestralmente pela Shounen Sunday Super no ano de 2009. O autor é Yamatoya Eco, não tão conhecido, mas que possui mais duas obras com o futebol como tema: Nadeshiko no Kiseki sobre futebol feminino e T.R.A.P. que mistura futebol com uma trama um pouco mais dramática.

Apesar de ser autor de três mangás sobre o esporte, Mirai no Football foi a primeira obra de Yamatoya Eco e a arte ainda parece um pouco crua e sem identidade, fator que se desenvolve mais nas suas obras seguintes, mas prejudica um pouco o entendimento de algumas cenas de Mirai. Felizmente, como já disse, o futebol não é o tema central da história, então a precariedade das cenas não prejudica muito a leitura inicialmente.

Mirai no Football 3

Já o roteiro, apesar de ter uma bela lição de trabalho em equipe e uma magnífica evolução de personagem, sofre um pouco pela rapidez com que as coisas acontecem e pela falta de explicação de algumas atitudes. Não sei se Mirai no Football foi cancelado ou se foi planejado mesmo para ser um volume único de cinco capítulos, mas sem dúvida alguma, esse foi o grande obstáculo para se tornar uma obra interessante. Costumo enxergar o mangá com três pontos de suma importância para decidir se a obra foi boa ou não: Fluidez do esporte em si, viagem no tempo e a capacidade de emocionar o leitor. Vou explicar porque vejo esses três pontos e porque, na minha opinião, Mirai no Football falha em dois deles.

Primeiramente, sobre o futebol. Como já disse, algumas cenas ficam difíceis de se entender o que acontece e, apesar do nome do esporte estar no título da obra, conseguimos assistir a apenas duas partidas com o protagonista jogando. Cada uma delas tem apenas um capítulo de duração, ou seja, é muito pouco para apresentar um jogo com cenas de qualidade e impacto. Quem busca aprender sobre futebol ou ver boas cenas de jogadas mirabolantes, com certeza não vai encontrar aqui. Só existe uma cena de grande jogada e o ângulo em que ela foi desenhada não explica totalmente o que aconteceu. Ponto negativo para a arte de Yamatoya Eco.

Mirai no Football 4

Outra palavra que figura no título da obra é “mirai” que pode ser encarada como nome do protagonista ou também como “futuro” na tradução literal, ou seja, “Futebol do Futuro” ou “Futebol do Mirai”. Sabendo que a obra trata de um garoto que misteriosamente foi parar em 1887, somos apresentados a Richard Barton, aparentemente o responsável por essa viagem no tempo ter acontecido, mas por quê? Como a viagem aconteceu? Como ele é capaz disso? Você só vai saber se perguntar ao autor, já que a obra não responde nenhuma dessas questões. Ponto negativo para o roteiro de Yamatoya Eco.

E enfim chegamos no terceiro ponto, a capacidade de emocionar o leitor e nisso, meus amigos, Mirai no Football é nota 10! Logo no primeiro capítulo somos apresentados a Eddie Gordon, o líder do time de Durham que facilmente faz amizade com Mirai e pede a ajuda dele para levar o seu time para o primeiro campeonato que iria acontecer em poucos dias. Para isso, Eddie precisaria realizar duas tarefas simples: Vencer dois jogos eliminatórios e dar uma lição de trabalho em equipe em seu amigo japonês. Mais do que isso, o que vemos é uma emocionante ligação que é criada em torno dos dois amigos e que transcende através do tempo e da bola de capotão. Ponto super positivo para Yamatoya Eco e Mirai no Football!

Mirai no Football 5

Para resumir e responder a pergunta da primeira frase desse post, se Mirai no Football cumpre bem o seu papel como mistura de futebol e ficção, não cumpre. Passa longe até. Mas a obra compensa a frustração nesses pontos com uma bela amizade típica daquelas que se vê em mangás e que dá até um arrepio na espinha quando você lê o capítulo final. Então se você for ler Mirai no Football, leia pela lição de amizade e não pelo futebol ou pela ficção. Ler essa obra com a expectativa correta vai te deixar com a sensação de dever cumprido ao terminar e não com a frustração de quem espera uma coisa ao ver o título “Futebol do Futuro” e não encontra nem futebol e nem futuro.

Futebol e ficção científica se misturam nessa inusitada história mas… […]