Earth Maiden Arjuna – A deusa do tempo – Corrente de Reviews 2014

“Um, o corpo facilmente permeia por todo o universo. Dois, companha-se e expire sobre a Terra. Três, procure muito além do ilimitado. Quatro, o objetivo não é atirar no alvo, mas tornar-se um com o alvo”

Earth Maiden Arjuna – A deusa do tempo

Hoje é a vez do Gyabbo! participar da terceira edição da Corrente de Reviews, em sua edição 2014, encabeçada pelo parceiro Anikenkai e organizada em conjunto comigo e com o Estranho do blog Ao Quadrado. Recebemos nossa indicação pelo Gekkou Gear, após o mesmo publicar uma interessante análise de Sidonia no Kishi.

Quem acompanha o blog há mais tempo vai lembrar que no seu primeiro ano eu escrevi um texto sobre os cinco animes que mais me arrependia de ainda não ter visto, estando nessa lista Earth Maiden Arjuna – A deusa do tempo .Assim, foi com muita empolgação que recebi a minha indicação, juntando a utilidade de participar da corrente e o agradável de poder finalmente ver essa obra que há tanto me gerava curiosidade.

Arjuna – A deusa do tempo, como ficou conhecido no Brasil após várias exibições no extinto canal Locomotion, é uma produção do estúdio Satelight (Macross Frontier; Log Horizon) de 2001, concebida, escrita e dirigida por Shoujo Kawamori, o mesmo criador de franquias famosas como The Vision of Escaflowne e Macross, cujos trabalhos estiveram marcados não somente pelo uso de mechas, mas também pelo desenvolvimento de temáticas bélicas, espirituais e ecológicas, algo fortemente presente aqui também.

Em um dia quente de verão, a adolescente Juna Ariyoshi morre após um estranho acidente de moto envolvendo uma bizarra criatura gigante que surge do nada nas montanhas quando ela viajava até o mar com seu namorado, Tokio Oshima. Sua morte possibilita que ela consiga ver todo o sofrimento pelo qual o planeta Terra passa em razão do uso impensado dos recursos naturais pela humanidade. A ele é dada a oportunidade de voltar a vida por uma poderosa entidade que reside no corpo de um garoto, Chris Hawken, desde que ela aceite a missão de salvar o mundo que está próximo de um colapso, sendo atacado por outras tantas criaturas que causaram o acidente dela, os Raajs.

Com uma sinopse um tanto quanto clichê, basicamente uma jornada do herói com temática ecológica, Kawamori precisaria apresentar outros elementos que fizessem o anime sobressair-se aos olhos dos espectadores. Dessa forma, o autor vai buscar nas tradições hinduístas não referências visuais para enfeitar e compor seu trabalho, mas também um pouco da própria filosofia incutida nas diversas suas diversas narrativas, especialmente na Bhagavad Gita, onde a figura do arqueiro Arjuna dialoga com Krishna em busca de ajuda enquanto este último o transporta por um campo de batalha em sua carruagem.

Essa associação tão direta acaba não funcionando tão bem para o público ocidental médio, não muito acostumado com as lendas hindus, mas, pela influência que o budismo recebeu da Índia, deve ser uma camada ainda mais interessante para o público japonês. Porém, para além de meras referências, Arjuna encarna o hinduísmo na própria mensagem que a obra pretende passar em interessantes proposições que questionam nosso papel no mundo e como nos relacionamos com a natureza, com os outros seres humanos e conosco mesmo.

Aqui, todavia, é onde a obra começa a se perder, muito em razão de tentar abarcar muitas ideias de uma só vez, resultando em uma amálgama de conceitos mal explorados e explanados, resultando muitas vezes em uma sensação de estarmos sendo apresentados à teorias hippies sem algum embasamento científico-filosófico. Isso resulta em má exploração dos personagens em prol de apresentar situações como uma viagem ao intestino de Tokio enquanto esse está doente.

A falta de foco nos personagens termina por não nos deixar compadecidos pelo futuro daquelas pessoas. Pior que Arjuna ainda tenta desenvolver um triângulo amoroso com Sayuri, uma amiga de escola. Dado tempo, qualquer um dos pontos poderia ter resultado em algo sólido, mas no final temos a sensação desagradável que tudo ficou na mediocridade.

Treze anos depois, tecnicamente Arjuna já está bastante datado, em especial pelo uso de CG, um verdadeiro desastre para os olhos de hoje e uma escolha duvidosa para a época. A animação é bastante inconstante, com cenas de grande fluidez de movimentos até outras formadas pelos efeitos econômicos da animação japonesa que tanto estamos acostumados a ver, sacrificando qualquer empolgação que poderíamos ter nas cenas de ação. Novamente, ficamos na mediocridade, talvez só um pouco acima pelo uso bem feito de fotos e vídeos do mundo real entre as cenas de animação.

O único elemento que se sobressai é a parte musical, outra grande obra da aclamada Yoko Kanno. Também carregado de forte influência das tradições musicais da Índia, temos uma trilha sonora perfeitamente encaixada, com sons exóticos para nossos ouvidos e carregados de emoções.

Earth Maiden Arjuna acabou não se mostrando à altura das minhas expectativas depois de quase 10 anos de espera para vê-lo. Não em razão de hype algum, isso já se perdeu há um bom tempo, mas verdadeiramente por se perder na própria tentativa de ser original demais, no desenvolvimento raso dos personagens e na falta de aprofundamento das questões que a própria obra apresenta. Com certeza vale assistir por se tratar de uma experiência pouco usual para um anime e por, dependendo do grau de abertura da pessoa, nos instigar a pensar o mundo de uma forma diferente.

Para continuar a Corrente de Reviews 2014, indiquei para o blog Not Loli! da Chell o anime de terror e suspense Yami Shibai, onde lendas urbanas japonesas são apresentadas de forma diferente em episódios de cinco minutos. Vamos ver o que ela tem a dizer sobre essa obra!

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Leia também a participação do Gyabbo! nas Correntes de Reviews dos anos passados:

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