Kakugo no Susume – Apocalypse Zero: Um banho de sangue

Tem estômago fraco? Então NÃO venha conhecer o anime Kakugo no Susume – Apocalypse Zero!

“Alegrias violentas têm fins violentos.” –  William Shakespeare

Bem vindos às segundas-feiras do Gyabbo!, onde os bizarros são normais!

Lembram-se de que falamos de Shigurui de Takayuki Yamaguchi? Pois é, hora do autor voltar a este espaço! Hoje vamos falar da sua segunda obra mais famosa: Kakugo no Susume, ou Apocalypse Zero!

Na história somos apresentados a uma Tóquio pós-apocalíptica no final do século XXI. Terremotos destruíram boa parte da civilização na Terra, dando início à guerras pelo pouco que restava. Vazamentos radioativos contaminaram a população e quem não morreu virou monstro: os mais terríveis e esquisitos já vistos na história dos mangás e animes!

No entanto, ainda há pequenos bolsões de paz onde as pessoas normais tentam viver uma vida cotidiana; estudando, trabalhando e namorando. Porém, a cada dia, as criaturas vão ganhando mais terreno e aos poucos os humanos vão perdendo sua batalha pela sobrevivência. Para tentar impedir isso, foram criadas as Armaduras de Carapaça Fortificadas – objetos de biotecnologia, exoesqueletos ultra-resistentes, usados como última cartada da humanidade.

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Os irmãos Harara e Kakugo treinaram incessantemente para poder usar estas armaduras e assim salvarem o mundo. O primeiro fica com a armadura Kasumi, o segundo com a armadura Zero. Após um ritual de muita dor, os dois conseguem fazer sua simbiose com os apetrechos… mas algo deu errado com Harara: primeiro, ele se transformou em hermafrodita e depois ficou maligno! Para ele, a humanidade não merece ser salva. O pai e mestre dos garotos, senhor Oboro, tenta impedir que seu filho/filha leve a cabo seu recém-revelado plano de dominação mundial. Ele também possui uma armadura e luta contra Harara – infelizmente não tem a menor chance – e quando Kakugo tenta lutar acaba sendo derrotado também. É o fim?

Ainda não. Depois deste incidente. Kakugo, aparentemente bem de saúde (apesar da luta mortal com o irmão/irmã) é transferido para um novo colégio. Na verdade sua missão é tentar proteger alguns dos poucos humanos normais que restam naquele pedaço da cidade dos mutantes, além de ficar de olho em Harara que provavelmente vai querer conquistar aquele pedaço de terra. Entre os colegas de Kakugo está Tsumiko Horie, uma garota que se apaixona por ele. O rapaz tenta não se envolver e se concentrar em sua missão, mas fica claro que ele começa a sentir algo por ela.

Bem, agora que você já sabe o enredo, vamos falar um pouco sobre a série em si. O mangá foi publicado em 1994 na Shonen Champion com 11 volumes no total e ganhou um OVA em 1996, indicando um relativo sucesso. Porém, pelo que eu pude pesquisar, esta série teve certa relevância apenas no Japão – fora do país ganhou um status ‘cult’ e foi publicado em poucos lugares. O motivo, além do autor não ser ainda tão conhecido, é o conteúdo da obra.

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Apocalypse Zero é um show de nojeiras sem fim! Se você leu meu post sobre Shigurui e não se sentiu confortável com o que viu, nem chegue perto deste título. A porradaria é extremamente gráfica e fraturas expostas são a coisa mais leve que você vai ver. O golpe especial mais comum é um que serve para arrancar as tripas do oponente pela boca (sim, o mais comum!). Sem falar em outras coisas bizarras: existem monstros que usam… er… os próprios órgãos genitais como armas! Obviamente, não dá para postar imagens disto aqui no blog…

O fanservice também come solto: tanto Kakugo quanto Harara aparecem pelados várias vezes e até a inocente Horie já foi mostrada em poses e situações bem insinuantes, principalmente quando sequestrada por monstros – tudo dentro do contexto gore e exploitation.

O tom violento do mangá chega a ser tão extremo que o próprio autor parece admitir que não dá para levar a sério e usa e abusa do tom “cartunesco” no seu traço em diversos momentos. Claro, na hora da porradaria a coisa fica séria (embora realmente seja praticamente impossível manter a suspensão de descrença intacta quando um inimigo perde os intestinos pela boca e diz que está tudo bem…).

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Em 1992 Apocalypse Zero teve uma espécie de série-protótipo chamada Heisei Busou Seigidan, que conseguia ser AINDA mais bizarra! Principalmente em conteúdo sexual. Porém, em 2010, a série ganhou uma continuação chamada Exoskull Rei. Neste título o conteúdo gore parece estar um pouco mais suavizado e a história mais séria. Parece que, com o tempo, a ideia de Takayuki Yamaguchi é ficar um pouco mais mainstream.

Duvido com todas as forças que Apocalypse Zero venha, um dia, a ser publicado por aqui. Não que seja uma grande perda. A história é bem banalzinha e o traço de Yamaguchi não está tão bom (exceto nos volumes finais, onde é possível ver uma considerável melhora). O próprio conteúdo gore, apesar de chocar no começo, começa a ficar chato e desnecessário no final até para os fãs do gênero.

Mesmo assim, vale o registro deste título como curiosidade. Um exemplo do quão bizarros os quadrinhos japoneses conseguem ser!

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