Vinland Saga – Editora Panini – Vol. 4

Começamos aqui a analisar mangas que são publicados no Brasil. Dessa vez falaremos de Vinland Saga #4 que provou que Makoto Yukimura sabe fazer muito mais do que simplesmente desenhar brigas.

Antes de qualquer coisa eu devo avisar que este texto contém vários spoilers do quarto volume de Vinland Saga. Então se você não leu ainda corre lá e depois volte aqui.

O volume começa dando sequência à batalha que estava ocorrendo no fim do volume anterior. Askeladd usou o incêndio para dividir as tropas inimigas e com a ajuda de Thorfinn conseguiu recuperar o príncipe e o seu tutor. Depois disso eles tentaram fugir atravessando a Inglaterra, mas não conseguindo fazer isso a única opção foi pedir ajuda para um conhecido seu dentro de Gales, tentando voltar por lá para base dinamarquesa dentro da Inglaterra.

O primeiro ponto a ressaltar foi que esse volume reforça ainda mais a fama do pai de Thorfinn como um grande guerreiro quando Thorkell afirma que o seu pai era o único homem mais forte que ele. Isso soou um pouco desnecessário, pois grande parte do volume #2 foi destinado à criação do “mito” em torno de Thors, que ele era um grande guerreiro.

Até o Thorfinn ficou surpreso.

Até o Thorfinn ficou surpreso.

O problema é que em uma história como essa, que utiliza fatos históricos para seu enredo, muitas vezes o leitor acaba esperando algo mais realista. Isso ocorre pelo fato desse mangá não ser como um Naruto ou One Piece que apresenta um universo próprio onde não fica estranho ver alguém virar fumaça ou ter uma raposa gigante dentro de si. No universo estabelecido pelo autor esse diálogo pode ser interpretado como algo forçado.

Porém nem só de pontos “negativos” foi feito esse volume, na verdade houveram muito mais pontos positivos.

Uma coisa que o autor conseguiu fazer com sucesso nesse volume foi mostrar com alguns toques sutis como os vikings, sua sociedade e seus costumes eram baseados somente em lutar. A primeira vez que isso ocorreu foi quando eles falavam sobre o amor e não sabiam o que ele era. Até perguntaram se era de comer. Um dos mais “sábios” respondeu, então, que era uma magia da religião cristã. O interessante em abordar isso foi tentar mostrar que para eles o afeto não era algo muito importante.

Posteriormente o tema foi novamente abordado quando perguntaram para o padre sobre o assunto. Nesse momento o autor perdeu a sutileza com que o assunto havia sido tocado anteriormente, mas conseguiu desenvolver um bom diálogo, talvez pelo fato de que quem tentava explicar o que é o amor estava levemente embriagado e ainda por cima tentando dar uma resposta filosófica, o que deixou-os ainda mais confusos.

Vinland14

Outro ponto positivo foi o desenvolvimento do personagem Askeladd. Primeiramente é revelado o seu passado, sendo ele descendente de um grande general britânico (parece que nesse mangá sempre “filho de peixe, peixinho é”), e o mais importante para a trama é que ele mostra seu ódio pelos dinamarqueses. Isso abre um enorme leque de possibilidades para o futuro da obra; ao mesmo tempo em que ele odeia os dinamarqueses ele está buscando um alto cargo político da Dinamarca, algo interessante porque deixa uma dúvida no leitor sobre o que ele irá fazer quando conseguir seu cargo.

De mesmo modo, assim como as capas de cada volume tem uma cor diferente, cada um desses conta a história a partir de uma temática nova. O primeiro volume foi carregado de ação, já o segundo teve um teor mais familiar com o flashback sobre a infância do protagonista, o terceiro tem um ar de guerra e o quarto volume, por sua vez, caminhou totalmente pela política, demonstrando as manobras necessárias para Askeladd conseguir fugir de seus oponentes. Isso mostra a flexibilidade do autor no que diz respeito ao modo como ele conta a sua história e como ele é competente nisso.

Nesse volume também ocorreu o estreitamento dos laços entre o Thorfinn e o príncipe, porém, agora nesse primeiro momento não se pode dizer se esse fato irá intervir na história do mangá ou se só será utilizado como alívio cômico como feito aqui.

Vinland12A arte é um comentário à parte, a cada volume parece que o Makoto está aperfeiçoando o design dos personagens e colocando mais detalhes em seus desenhos.

Esse quarto volume podo até ter um defeito, porém se ele existiu foi minúsculo diante das qualidades. O autor conseguiu abordar mais características dos vikings e intrigar o leitor sobre quais serão os próximos passos de Askeladd na sua luta por poder. Resta saber se nos próximos volumes o autor conseguirá manter a qualidade da obra, se irá aproveitar bem o principal gancho deixado nesse volume (o ódio de Askeladd) e utilizar a relação entre Thorfinn e o príncipe para algo a mais dentro da história.

Só nos resta esperar e seguir apreciando Vinland Saga.

Quer discutir o volume, encontrou alguma coisa interessante que eu não citei ou discorda do que eu disse?

É só usar os comentários, só cuidado para não dar spoilers dos próximos volumes.

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