Love Hina (relançamento) – Editora JBC – Vol.1

Aviso de manga cedido

Onze anos depois de chegar pela primeira vez ao Brasil é a vez da pensão Hinata retornar em grande estilo ao Brasil!

Capa-Love-Hina-1-Editora-JBC

Dentro do processo de relançamentos que temos visto no mercado brasileiro de mangas o clássico dos mangas harém está de volta em uma edição especial preparada pela editora JBC, igual ao que foi feito com Sakura Card Captor (que por sinal está terminando neste mês de maio).

Como a ideia do lançamento é sim, chamar de volta velhos leitores que se divertiram com a série nos primórdios da própria JBC, mas também colocar um clássico que muitos adoram ao alcance de um público que não teve esse chance, vou sim falar um pouco da história de Love Hina apesar de acreditar que a maioria das pessoas já conhece.

Naru-Kissing-Keitarou-Cheek-KidsPublicado de outubro de 1998 até outubro de 2001 na revista semanal Shonen Magazine pelo autor Ken Akamatsu em um total de 14 volumes, a história gira em torno de Keitarou Urashima, um jovem que tenta entrar para universidade de Tóquio – mais conhecida como “Todai” – mesmo tendo reprovado na seleção nos últimos dois anos, fato que o fez ser expulso de casa pelos pais, indo pedir um teto na hospedaria de sua avó, a famosa pensão Hinata, para tentar por mais uma ano entrar na universidade mais concorrida do país.

Ainda que tenha esse forte desejo, resultado de uma promessa que fez com uma garota quando ainda eram crianças de que se reencontrariam na Toudai e com isso selariam um amor eterno, Keitarou começa a história sem a mínima chance, não conseguindo entender os assuntos mais simples. Um verdadeiro caso perdido…

Ou não?

Narusegawa-peitosAo chegar na pensão de sua avó Keitaro se mete em uma série de mal-entendidos e trapalhadas que vão envolver seios, escorregões estratégicos, pouca roupa e uma série de acusações de ser um pervertido invadindo o pensionato Hinata exclusivo para mulheres.

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Sim, sem ele saber sua avó transformou o local em um espaço específico para garotas e é aí que começa o harém da história. Keitarou é atrapalhado, tonto, burro e por que não, pervertido, sim, sem nenhum jeito para mulheres, mas acima de tudo alguém com um bom coração e que aos poucos vai conquistando a confiança das garotas, especialmente da esquentadinha (tsundere no termo clássico) Narusegawa, uma bela jovem que também está tentando entrar na Toudai, mas que ao contrário de Urashima, é simplesmente a melhor estudante do país – além de ter sido agraciada com outros belos dotes pela mãe natureza que um manga do estilo pede.

Garotas-da-pensão-hinataE o primeiro volume de Love Hina é basicamente isso, Keitarou metido em diversas trapalhadas que invariavelmente terão algum cunho sexual, mas ganhando aos poucos a confiança das garotas que acabam permitindo que ele fique morando lá – até porque a avó decidiu passar para ele toda pensão, tornando-o novo gerente do local.

Como falei no início do post, Love Hina é um verdadeiro clássico, tanto aqui no Brasil quanto no Japão, e ajudou muito a moldar o que conhecemos hoje em dia como séries de garotos bobos cercados por meia dúzia de belas garotas para permitir aos leitores adolescentes se divertirem com uma comédia baseada na repetição de piadas usando fanservice e violência cartunesca. Keitarou-Shinobu-Aniversário

É justamente por ser um clássico que esse relançamento acaba perdendo um pouco da força. Se em 2002 um manga desse tipo por aqui era uma grande novidade, hoje a maioria dos leitores já está mais do que acostumado – pra não dizer saturado – de comédias românticas no estilo e Love Hina pode acabar soando como mais do mesmo para alguns. Eu mesmo que tenho na minha memória ótimos momentos com a série acabei me vendo em uma leitura sem graça por estar, digamos, “imune” ao estilo de Akamatsu.

Ainda assim, mesmo com o perigo de estar recorrendo à minha memória afetiva, Love Hina consegue se sair melhor que outros mangas do estilo por seu elenco de personagens divertido. Da tímida colegial Shinobu que apresenta uma quedinha pelo protagonista, passando pela ardilosa Kitsune, indo pela “Mulher-samurai” Motoko, pela maluca (e minha personagem favorita da série) e divertida Kaolla Su até a tsundere Naru, todas tem uma personalidade única e diversificadas que mesmo hoje em dia é difícil de encontrar em outras séries.

Naru-em-cima-do-keitarouClichê? Sim, até demais, mas também carismático. Se esse primeiro volume acaba preso por obrigações de situar o leitor dentro do seu contexto e apresentar uma gama não muito pequena de personagens, Love Hina possui muito a evoluir desbravando cada personagem e, principalmente, a peculiar pensão Hinata.

O trabalho da editora JBC neste relançamento está muito bom, mantendo a qualidade técnica que vimos (e que pessoalmente eu aprovei), apesar de alguns leves problemas de páginas próximas demais do miolo, ainda que não atrapalhe a leitura. Talvez a gramatura do papel pudesse ser um pouco maior, mas por R$14.50 com páginas coloridas e em um offset branquinho e bem impresso, não há realmente do que reclamar.

O único ponto que alguém pode querer discutir é quanto à adaptação dos textos, dessa vez retirando os honoríficos (-san, -kun, -chan etc, ou senpai, kouhai), algo padrão das publicações da JBC. Sinceramente? Acredito que existem histórias que necessitam deles, Love Hina não é uma delas e o texto funciona bem melhor sem, ainda que uma ou outra pessoa possa estranhar algo como “veterano” ao invés de “senpai”, um mero capricho e questão de costume. Meu único problema mesmo foi com a variação de “pensão” e “pensionato” em diversas partes, mas como não sei se existe alguma diferença no original japonês que explique isso, prefiro não opinar, ainda que ache “pensionato” um termo meio estranho de “ouvir” da boca de adolescentes.

Naru-JBC-página-coloridaSe você estiver buscando uma boa comédia romântica sem se preocupar com toques – às vezes exagerado – de fanservice e não tenha tido contado com Love Hina tenho certeza de que não irá se arrepender, principalmente por ter um produto de qualidade gráfica invejável aos outros lançamentos.

Por outro lado, se você já tiver lido e não fizer questão de atualizar sua coleção com esse novo formato, manter-se aos meio-tankos não é uma má ideia. É isso que eu farei.

Love Hina já está no mercado a algum tempo, quero saber de vocês nos comentários o que acharam desse relançamento, se estão comprando, porque sim, porque não, sintam-se à vontade.

Onze anos depois de chegar pela primeira vez ao Brasil […]