Dansai Bunri no Crime Edge – Primeiras impressões

Dansai-Bunri-no-Crime-EdgeO cabelo de uma mulher é a sua própria vida – ou no caso desse anime a vida de muita pessoas!

Dansai Bunri no Crime Edge é a mais nova animação do Studio Gokumi (criado por ex-membros do antes grande estúdio Gonzo) baseada em um manga do autor Tatsuhiko Hikagi publicado originalmente na revista seinen Monthly Comic Alive (Infinite Stratos; Steins;Gate; Haganai) desde março de 2009, contando com sete volumes até o momento.

No enredo temos Kiri Haimura, um jovem colegial que mora com seu avó, todo normal tirando o fato dele ter um grande fetiche por cortar cabelos alheios, especialmente se for os longos cabelos escuros de uma japinha. Um dia, após ouvir uma lenda urbana em sua escola que diz existir um fantasma de uma garota com longuíssimas medeixas, Kiri acaba indo até o local verificar a história e encontra com Iwai Mushanokouji, que se não é realmente um espírito, pelo menos possui os (muito) longos cabelos.

Dansai-Bunri-no-Crime-Edge-Kiri-Iwai-looking-at-each-otherA verdade é que Iwai possui uma maldição que torna seus fios impossíveis de serem cortados por qualquer lâmina normal. Mais do que isso, ela vive presa e observada por uma dupla de assassinas – que mataram o pai da garota, por sinal – possuidoras das Killing Goods, itens com poderes sobrenaturais (advinha quem também possui uma dessas no bolso do casaco e não sabia? Advinha se essa recém descoberta arma não consegue cortar o cabelo de Iwai? Já pensou…?).

Mas como a fixação de Kiri pelos cabelos da garota atinge níveis que ele nunca esperaria, sonhando com eles enquanto está acordado e ignorando outras garotas, é claro que ele não iria desistir tão fácil. Após descobrir que seu pai era na verdade um lendário assassino (?!) que utilizava da mesma tesoura que ele usa, o jovem finalmente consegue quebrar a maldição (e ainda faz um corte chanel pra garantir o serviço) dando vida à Iwai através da morte simbólica do seu antigo ser. Mas ao fazer isso ele inicia um jogo onde muitos morrerão pelo poder que se esconde entrelaçado aos fios da Rainha dos Cabelos (sério, é esse o título dela).

Dansai-Bunri-no-Crime-Edge-cut-hairSabe, depois de um tempo assistindo animes e blogando sobre eles você acaba perdendo um pouco da sensibilidade para novos temas. Quero dizer, quem está no meio a um certo tempo meio que aprende não ser mais surpreendido pelo que possa vir do Japão e isso permite que aceitamos diferentes e inesperadas ideias. No entanto, ainda assim, algumas histórias só conseguem me fazer pensar em uma coisa enquanto assisto: “Isso é sério?!”

Dansai Bunri no Crime Edge simplesmente não dá a mínima para aquilo que conhecemos como “suspensão de descrença” ou de forma mais simples, nossa própria vontade em aceitar os termos criados em uma obra como verossímeis, ainda que em uma obra de ficção. É a forma como essa suspensão é trabalhada que nos possibilita (e isso varia de pessoa para pessoa, mas acaba tendo um padrão) “acreditar” em um anime sobre lutas dentro de mercadinhos como Ben-to e não em um anime sobre jogos sanguinários iniciados após o corte dos cabelos amaldiçoados de uma garota.

Dansai-Bunri-no-Crime-Crazy-Girls-with-killing-goodsUma história quase nunca é um problema, a questão é em como se conta. Em Dansai Bunri o resultado é um completo desastre narrativo que joga informações difíceis de engolir como se fossem a coisa mais natural do mundo e em quantidades absurdas, abusando de qualquer boa vontade do espectador. Sério, dá até vontade de recomendar que assistam pelo menos esse primeiro episódio para verem o absurdo que é a forma como tudo é encaminhando sem nenhuma preocupação de coesão (juro que estou me segurando para falar da cena onde Kiri descobre do pai, é de rir para não chorar).

Não que o diretor Yuuji Yamaguchi fosse conhecido por dar bom ritmo às suas obras – vamos lembrar que por mais divertidos que sejam, Fate/Stay Night e Unlimited Blade Works pecam do mesmo problema, mas em uma escala bem menor do que vista aqui.

Se a história já é um pouco difícil de engolir e o diretor não colabora em nada para que isso aconteça, a animação mediana do estúdio com uma arte que abusa de cores únicas para tentar determinar o tom das cenas (para em seguida quebrar completamente com essa ideia) não somam muita coisa que salve esse anime, ainda mais quando o banho de sangue prometido me traga o anime de Mirai Nikki na cabeça!

Se você for corajoso de continuar me conte depois que fim deu essa série depois dos seus 12 episódios.

Outras opiniões:

Dansai-Bunri-no-Crime-Edge-Hair-sex Dansai-Bunri-no-Crime-Edge-kiri-fatherDansai-Bunri-no-Crime-Edge-Kiri-angry-facePS: Não vou comentar como todas cenas envolvendo o Kiri, a Iwai e seu cabelo foram uma grande analogia para uma relação sexual virginal. Sério, é tão óbvio que fica sem graça de falar.

O cabelo de uma mulher é a sua própria vida […]

15 thoughts on “Dansai Bunri no Crime Edge – Primeiras impressões”

  1. Saudações

    Não tenho a mínima intenção de semear a discórdia ou algo do gênero, mas mesmo em se tratando de uma impressão inicial do anime, acredito que pegaste pesado demais e foste “injusto” em seu modo de ver a obra, amigo Denys.

    As razões para tanto estão na análise que fiz em meu blog, sendo que vi o título sem programação nenhuma (sem ler sinopses, saber histórico de mangá nem nada) e o resultado me soou bem positivo.

    Planejo acompanhar o anime semana à semana,ver o que acontece. Só posso adiantar que, distante de ser uma maravilha, a história em pedaços deste episódio deve ter uma razão para ser. E o visual do anime não me pareceu feio. Enfim, são impressões pessoais (da mesma forma que discordo de ti, poderia estar concordando, sendo ambas as hipóteses muito naturais).

    De qualquer forma, lhe convido à acompanhar por lá, se desejar.

    Até mais, rapaz.

  2. Eu gostei da historia mas o jeito que ela foi desenvolvida no anime ficou horrível, minha sincera impressão é que estavam faltando uns pedaços na historia pra fazer as ligações de cena com cena, e fazer os diálogos fazerem sentido.

    Os diálogos parecem falas random com o objetivo de dar informações relevantes pro telespectador, o problema é que são simplesmente jogados na tela no meio de diálogos que não fazem sentido. O cara ta falando sobre a vida e o outro solta um “ela parece que matou alguém”, pqp, e o pior de tudo, o avô do cara, que diabos foi aquilo, baixou o santo no velho e ele convenientemente começou a contar um bando de coisa que o protagonista precisava saber, o problema é que não fazia nenhum sentido a reação do velho e as falas dele com os acontecimentos.

    Vou ver mais uns episódios porque achei a historia interessante mas o desenvolvimento está lastimável.

  3. Lembro que dei risada quando vi a sinopse desse anime. No quesito bizarrice, o Japão nunca decepciona, huehuehue. Não ando com muito tempo livre, mas se estivesse de boa assistiria só para dar risada. Essa parece ser aquele tipo de série que vira uma comédia involuntária, mesmo que o roteiro seja (supostamente) sério ,rss.

  4. Tô tentando ver o episódio a três dias, porque eu sempre paro no meio de tão chato que tá. O episódio é arrastado demais e os personagens não são lá muito cativantes (o Kiri parece um maníaco, aliás).
    E a cena onde ele tenta cortar o cabelo da Iwai pela primeira vez é bizarro, sei lá, parece que eles estão tendo um orgasmo com aquilo. Regra dos três episódios pra esse aí, provavelmente dropparei.

  5. off-topic: alguma resenha do filme de samurai x?
    parece que td mundo ta ignorando…
    estão esperando cometar um (im?)possível lançamento nacional?

  6. Discordo completamente de você, se o clima de mistério e suspense que a série esta prometendo forem bem trabalhados isso é o que realmente importa. Como você mesmo disse “suspenção de descrença” varia de pessoa para pessoa, e já vi coisas muito mais difíceis de engolir. Essa história não é nem mais, nem menos absurda que muitos animes que existem por aí. O que percebi foi certa má vontade e uma opinião preconcebida de que o anime será ruim.

    1. Cada um possui seu estilo, sua forma de tirar uma impressão. Eu nunca que vou querer tirar conclusões a partir de 1 ou 3 episódios, são apenas primeiras impressões. Estou passando o que vi a partir do primeiro episódio, se vai melhorar ou piorar só o tempo vai poder dizer.

      Gyabbo!

  7. A ideia da história é legal, daria pra fazer uma ótima visual novel kk’ até achei que fosse uma animação adaptada de uma VN, já que nesse tipo de game é bem mais comum encontrar temas bizarros como ver algo erótico em cortar cabelos, aplicar injeções, ou desmaiar, como é mostrado no anime. Sério, achei mesmo legal a história, me lembrou muito Mirai Nikki, por ser um jogo assassino, e cada um dos participantes ter uma arma diferente para sobreviver, e todos almejando um prêmio final. É bem estranha essa história, nos primeiros episódios fiquei meio “WTF?”, mas depois acostumei, rs. Tipo, no primeiro episódio, ele mal vê a menina, e já vai dizendo “seu cabelo é lindo, quero cortar seu cabelo!”. Sério, quem não acharia suspeito um cara estranho chegar e pedir pra cortar seu cabelo, do nada? Se fosse na vida real, acho que a guria ia entender como uma cantada e o cara ia apanhar. E aí, ele corta o cabelo dela, e ela diz, “o cabelo é a vida de uma mulher, oh.. você foi o primeiro a me matar!”. E todo o drama que eles fazem só por causa do cabelo dela.. Mas o pior foi o trocadilho ali “Kami-sama.. Kami-sama.. Kame-sama” Sendo Kami=Deus e Kame=cabelo. Comparando cabelos a um Deus LOL o legal é que, como citado na postagem ali, os personagens falam isso como se fosse a coisa mais normal do mundo kk’ Mas o estranho mesmo é a quantidade de fetiches estranhos que o anime cita.. Como o fetiche por cabelos (isso me lembra Cuticle Tantei Inaba hue), as cenas da Iwai em roupas curtas para agradar os lolicons, o sadismo daquela líder do colégio, o masoquismo do outro líder, que era torturado por ela, e toda aquela saliva colocada nos mínimos detalhes, acredito que foi pra agradar os fãs que tem fetiche por isso (no Japão se encontra de tudo rs). Aí tem também aquela outra masoquista lá, aquela policial que gostava de ser enforcada pelo “livro de regras” só para desmaiar. Porra, fetiche por desmaios?! Dafuq?? Além de que a Gossip toda é uma organização sadista, pois eles criam toda aquela matança e ficam observando como se não fosse nada. Aliás, todo esse negócio de “instead” é algo meio sadomasoquista, pois o instead está deixando o assassino maltratá-lo, e o assassino está tendo prazer em maltratar. E pode ser só o clima do anime que criou isso, mas aquelas duas irmãs tem uma relação meio estranha também (incest detected). Resumindo: PRATICAMENTE TUDO O QUE EU VI NO ANIME FOI SADOMASOQUISMO! E o que não foi, foi algum outro tipo de fetiche bizarro. Mas digo, foi divertido. Pena que algumas coisas ficaram muito vagas ali. E eu ri da animação falha dos peitos daquela loira nos 8:20 do episódio 9 lol

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