[Coluna Hanyan #1] Paradise Kiss

Olá!

Sou a Mallu! O Denys teve a gentileza de entrar em contato comigo para que eu escrevesse uma coluna mensal para o Gyabbo! sobre mangás voltados ao público feminino, então aqui estou. Sinto-me honrada com a oportunidade, espero que dê certo e que eu possa me divertir bastante com todos.

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Em primeiro lugar gostaria de esclarecer que, independentemente do público alvo, as obras tem que ser analisadas pela qualidade. Eu tenho uma tendência a me identificar mais com shoujo, afinal é um produto “demograficamente” destinado a mim, mas nem por isso tenho preconceito contra qualquer outro gênero. Mais do que “gostar de shoujo”, eu gosto de mangá! E se o mangá for bom, não importa para quem ele foi escrito, ele vai conseguir passar uma mensagem diferente pra cada pessoa que o ler.

Então na coluna “Hanyan” (que como a nossa querida Card Captor Sakura nos ensinou, representa todas as coisas boas que nos deixam felizes e… hanyan) eu gostaria de desmistificar um pouco o preconceito que as pessoas têm contra todo um gênero, muitas vezes antes de sequer conhecê-lo. Meninos, deem uma chance ao shoujo e ao josei, da mesma forma que as meninas também podem prestar mais atenção ao seinen e ao shounen. Porque tem um monte de coisa boa espalhada por aí e se a gente se limitar vai perder metade da diversão.

Militância feita, vamos começar a falar um pouco sobre o título que escolhi para abrir a coluna, Paradise Kiss.

(E aumenta o som porque tchu tchu, tchutchururururu…)

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Paradise Kiss é um Josei em 5 volumes, publicado entre 2000 e 2004 na revista de moda Zipper.  E é uma das grandes obras da autora Yazawa Ai, responsável também por Gokinjo Monogatari e o badaladíssimo Nana. O mangá foi lançado por aqui pela editora Conrad (saudades Conrad) em belas edições com capas estilosas e metalizadas, sendo o primeiro e um dos únicos Josei publicados no país.

Em 2005 o estúdio Madhouse lançou um anime com 12 episódios que, apesar de deixar algumas coisas importantes de fora, é muito competente em reproduzir o clima da série. E claro, temos o filme de 2011, que é fraco (apesar de ter um final inventado delicioso, puro fanservice) e que você pode ler uma review completa dele feita pelo próprio Denys aqui.

Nele conhecemos a história de Yukari, uma colegial que se esforça muito para obter bons resultados na escola, desesperada com o vestibular e que de repente é arrancada de sua vida padrão e exposta a um mundo oposto ao seu. Ela andava  casualmente pela rua quando é “raptada” por um exótico grupo de estudantes de moda que desejam utilizá-la como modelo de sua grife no desfile final da escola. No começo ela resiste e acha tudo um absurdo, mas vai sendo gradualmente seduzida por um universo totalmente artístico, anárquico e muito, muito bonito.

Yukari começa a questionar o seu futuro acadêmico e decide dar uma chance ao ateliê Paradise Kiss. Então somos apresentados à uma deliciosa seleção de personagens, com a “mãezona” da turma, Isabella (que é uma das minhas personagens favoritas de todos os tempos, quero um post só pra ela), a doce Miwako e o irreverente Arashi, que trabalham sob o comando do estilista gênio George (e as fangirls gritam desesperadamente).

Paradise-Kiss-Conrad-George-YukariPara dar uma apimentada na história, como não poderia deixar de ser, surge o nosso galã. George não é só o aluno prodígio da academia de moda, capaz de encantar a todos com as suas criações, mas também é um sedutor por definição. É justo dizer que foi o magnetismo de George que puxou Yukari para o ateliê. No entanto, ela não é apenas mais uma das pessoas que orbitam em torno dele, ela se torna a sua musa.

Mas Paradise Kiss é mais do que só uma historinha de amor. O relacionamento entre o criador e sua inspiradora passa longe dos ideais platônicos; é lascivo, fulminante e, porque não, quase doentio. A paixão por George é um dos fios condutores da mudança pela qual Yukari passa. Desnecessário dizer que ao se aventurar pelas artes, ela arruma sérios problemas com a sua mãe rigorosa e tradicionalista…

Paradise-Kiss-Conrad-atelieYukari não é uma das minhas personagens favoritas. Eu a acho mimada, indecisa e, confesso, chatinha. Muitas das decisões da protagonista são questionáveis, mas essa é a graça de Paradise Kiss. As personagens são imperfeitas, com dramas reais e humanos. Você não é obrigado a gostar de todas elas, mas com certeza você vai entendê-las. É impossível resistir ao quarteto artístico do ateliê, com certeza eles figuram entre as grandes turmas de amigos da ficção. São divertidos, irreverentes, questionadores, mas também muito realistas. Encantadores.

O grande trunfo de Paradise Kiss é que, apesar da história se desenvolver durante um período “rebelde” da protagonista, rebeldia não é seu tema central. É uma história inteligente e sensível, capaz de falar diretamente com muitos de nós porque toca em temas extremamente importantes, como o autoconhecimento, a emancipação, o sonho e a realidade. Sem julgar ninguém, Parakiss explora a alma de um grupo de jovens em uma fase crucial em suas vidas. É sobre o momento de se arriscar por um ideal, de ousar, de fugir dos padrões. Mas também é sobre saber a hora de parar, de ceder e de aceitar. Tudo acontece em uma velocidade alucinante, como as coisas realmente acontecem na faixa etária dos protagonistas.

Paradise Kiss é uma história de emoções intensas e profundas, é arrebatador como a própria juventude.

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Sou suspeita para falar sobre essa série. É uma história que já li algumas vezes, e que me acompanha há muito tempo. Tenho um carinho enorme pelos personagens, gosto do desenvolvimento da história e amo o final (apesar de que, não nego, fico de coração partido todas as vezes que releio).

Espero que vocês tenham gostado, e que eu tenha conseguido transmitir para vocês um pouco do charme dessa série que é tão querida por mim. Tentei deixar a resenha livre de spoilers, então não me aprofundei muito, quem sabe no futuro podemos esticar o assunto…  Por enquanto eu vou deixar vocês com a missão de conhecê-la, porque na minha humilde opinião ela é uma daquelas tais “séries obrigatórias”. Não vou falar mais nada, vou sentar e esperar para ver a magia do ateliê de Parakiss hipnotizar vocês também.

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Foi um prazer conhecê-los e retorno mês que vem com a nossa coluna!

Sobre Gabriela N.

Apaixonada pelo cinema, pelo teatro e pela literatura. Devota das artes e das ciências sociais e humanas. Fã de séries e de HQs. Fangirl, geek, retrô. Clichê.

Olá! Sou a Mallu! O Denys teve a gentileza de […]