Hitman – Matador por acaso – Editora Nova Sampa – Vol.1

Primeiro título anunciado pela editora Nova Sampa na sua investida no mercado dos mangas pelas mãos de Marcelo Del Greco, chegou a hora de comentarmos sobre Hitman – Matador por acaso.

Originalmente publicado como Kyou Kara Hitman do autor Hiroshi Mutou, começou em 2005 na revista seinen Manga Goraku, contando até o momento com 24 volumes encadernados e com a história em continuação.

Como eu disse no post sobre a Nova Sampa, podemos definir Hitman como um seinen no sentido mais popularesco da palavra, contando com muito sangue, nudez, sexo e violência, muita violência.

Tokichi Inaba é um salaryman comum (esse bicudo da imagem acima) que tem sua vida completamente transformada quando, ao dirigir de volta para casa após ajudar um colega de trabalho com um cliente, acaba se envolvendo em uma execução armada contra um lendário assassino profissional, o Dual Pistols, conhecido assim por ter sempre uma uma grande magnum nas mãos e outra grande “arma” entre as pernas.

Já próximo da morte, o grande matador obriga Inaba a cumprir o caso que ele mesmo ia cumprir para salvar sua namorada, a escorregadia Chinatsu. Após conseguir salva-la com sucesso, a garota, que não quer perder o dinheiro e a fama que o nome do Dual Pistols traz, obriga o atrapalhado vendedor a assumir a alcunha do matador, iniciando assim uma história de ação, ecchi e um pouco de comédia.

No post que eu comentei sobre a vinda da Nova Sampa, cheguei a comentar como os dois primeiros capítulos que havia lido conseguiram me prender facilmente e dar vontade de continuar lendo. Pelo primeiro volume inteiro posso afirmar que a vontade de continuar continua, mas em menor escala.

Hitman, em seu início pelo menos, segue um estilo quase battle shounen de colocar o protagonista em pequenos casos que se resolvem em apenas um capítulo. Isso é ruim por não desenvolver uma história mais interessante, mas também é bom por possibilitar que o leitor possa acreditar melhor na história de um vendedor bobão que consegue com sucesso assumir o lugar de um famoso assassino.

Continuando no estilo “caso do dia”, lembrando um pouco o clássico Golgo 13, a tendência é que a história fique um pouco enjoativa, sempre voltando aos seus próprios clichês (Inaba começa o caso assustado, mas tem que cumpri-lo. Baixa o “espírito” de assassino profissional nele, conseguindo seu objetivo para depois fazer biquinho entre sua esposa e a lasciva Chinatsu).

Mas se ela conseguir engrenar um bom enredo ou pelo menos arcos maiores, certamente temos uma leitura agradável e que foge de tudo que temos hoje nas bancas brasileiras em se tratando de manga. Na verdade, futuramente o único “rival” de Hitman será Oldboy, da própria Nova Sampa, o que não deve ser um problema no bolso de quem quer se focar em seinen.

Sobre o tratamento dado pela editora Nova Sampa ao título novamente temos um saldo bastante negativo. Da mesma forma que Yakuza Girl, Hitman possui papel do miolo e da capa praticamente (senão) iguais aos dos mangas da Panini. A tradução e adaptação estão boas, conseguindo manter um texto fluido, sem precisar cair para as gírias como poderíamos temer.

No entanto, todos os erros cometidos em Yakuza Girl se repetem em Hitman: páginas mal centralizadas, ocasionando cortes ou imagens próximas demais do miolo, alguns erros de revisão e um tratamento amador na hora de refazer fundos para traduzir textos fora dos balões. Só que em Hitman tudo isso está em um nível ainda pior, a forma da edição dos fundos é tão horrível que você fica imaginando que a pessoa responsável (ou irresponsável) simplesmente desistiu de sequer tentar e fez da forma mais fácil possível. Outra coisa tosca é como não conseguiram pelo menos deixar as falas nos balões centralizadas, os textos praticamente fogem do espaço onde deveriam estar, terrível.

Hitman, até pela falta de opções do estilo no nosso mercado, é uma boa recomendação em se tratando da obra em si: despretensiosa, mas divertida. No entanto, o trabalho da Nova Sampa peca demais na parte visual, não justificando os R$10.90 que é cobrado, mesmo com as contra-capas com imagens coloridas. Por falar em capas, esse é outro sintoma do trabalho ruim feito, principalmente com a parte de trás e sua mini-capa no canto superior esquerdo, alguém por favor pode me explicar aquilo?!

Vale a pena comprar? Se você quer algo no estilo, até diria que sim, mas com grandes ressalvas. O que eu espero é que Hitman possa ser um bom laboratório para que esses erros não voltem a acontecer com a obra que mais espero da Nova Sampa: Old Boy.

Eu não vou continuar (até porque acho difícil eu isso apareça nas bancas de Manaus) e você, o que achou de Hitman?

Primeiro título anunciado pela editora Nova Sampa na sua investida […]