Entrevista com Marcelo Del Greco – Editora Nova Sampa

Depois do anúncio da volta da editora Nova Sampa para o mercado de mangas muitas dúvidas pairavam no ar e com esse objetivo o blog Gyabbo! foi falar direto com o responsável por esses mangas, Marcelo Del Greco.

Em uma entrevista detalhada fizemos todas as perguntas que os fãs de mangas queriam saber, clique para ler mais e confira tudo que há para saber dos mangas que vem por aí.

Agradecemos ao Marcelo pela possibilidade e abertura ao blog Gyabbo!.

Gyabbo!  Primeiro, agradeço por ter aceitado essa entrevista. Muitas dúvidas pairam sobre as cabeças dos muitos leitores e esperamos aqui sanar a maioria delas, além de trazer informações quentinhas.

Marcelo Del Greco – Eu que agradeço pela oportunidade de tentar esclarecer quaisquer dúvidas.

Gyabbo! – Começando de forma clichê, mas necessária, quem é Marcelo Del Greco dentro de todo esse meio que envolve diversas formas de entretenimento pop japonês?

MDG – Acho que sou uma pessoa que teve muita sorte, que conseguiu unir o lado profissional (sou formado em jornalismo) com o pessoal, afinal sempre gostei de animes, mangás e séries de tokusatsu – uma bagagem que me ajudou muito, inclusive. Por conta disso, tive a felicidade de participar de algumas publicações-chave na história do, como você disse, entretenimento pop japonês: fiz a Herói pela própria Nova Sampa e a Pokémon Club pela Conrad. Depois, na JBC, criei a Henshin e fui por 12 anos o responsável pelos mangás da editora. Paralelo a isso, sempre me envolvi com a dublagem de animes e séries japonesas e trouxe em 1999 Ultraman Tiga para o Brasil.

Gyabbo! – Quais foram as principais etapas que marcaram o profissional que você é hoje nesse meio?

MDG – Creio que todas. Cada momento que passei foi importante para se amadurecer. É um aprendizado se fim.

Gyabbo! – Apesar do foco dessa entrevista ser na volta da editora Nova Sampa ao mercado de mangás, é de curiosidade geral e inevitável perguntar o que de verdade motivou sua saída da editora JBC após mais de uma década lá?

MDG – Achei que tinha chegado a hora. Depois de 12 anos trabalhando no mesmo lugar achei que era tempo de mudar de ares. Mas foi uma decisão muito difícil para mim, não só por causa das pessoas que trabalham lá, mas também não foi fácil me desapegar dos mangás que eu já vinha fazendo e até mesmo dos que eu havia negociado e que não irei editar. Me pergunto até hoje quem vai pintar as zebras agora em Fairy Tail, por exemplo (risos).

Gyabbo! – Depois de tanto tempo em uma empresa onde conseguiu grande sucesso de vendas, como você se sente nesse novo desafio? Como é trabalhar voltado a um público bem diferente ao que estava acostumado na JBC?

MDG – Acho que o maior desafio é conquistar novos leitores e tentar expandir o mercado. O universo sabe que os mangás shonen dominam as vendas em qualquer parte do mundo, mas há muita coisa bacana entre os seinens que certamente vão atrair os leitores de mangás habituais, mas também novos por conta de sua temática mais adulto. O Hitman, por exemplo, lembra muito os roteiros do Tarantino – algo que certamente atrairá outros tipos de leitores.

Gyabbo! – Para que fique bem claro, qual é o seu cargo e suas incumbências dentro da Nova Sampa? O que está em suas mãos efetivamente dentro da linha de mangas da editora?

MDG – Tudo é feito em parceria com a Sampa. Claro que há coisas que ficam por minha conta, como também há as responsabilidades da editora. No que se refere à produção dos mangás antes de serem impressos, basicamente é tudo por minha conta. Da escolha de cada título à edição deles. Já a parte industrial, eu até participo, mas é a área da Sampa.

Gyabbo! – Quais são os planos editoriais da Nova Sampa para sua linha de mangás depois de tanto tempo afastada desse mercado (Bancas, livrarias, público-alvo, periodicidade etc.)?

MDG – A Sampa vai brigar por um espaço entre as grandes editoras do mercado. A diferença é que não iremos trombar de frente com a Panini e com a JBC. Vamos trazer mangás de qualidade, mas com foco em um público diferenciado.

Gyabbo! – Uma das maiores dúvidas dos leitores é quanto ao formato dos mangás da Nova Sampa. Em entrevista ao programa HQ & Cia você afirmou que o público de bancas é fundamentalmente infantil. A editora Nova Sampa entra com títulos voltados para o público masculino adulto que pode pagar mais por aquilo que quer, isso significa produtos com um acabamento gráfico melhor por um preço mais alto ou teremos algo semelhante ao que é feito na JBC e Panini nos mangas “padrão de bancas”? Que faixa de preços e qualidade gráfica podemos esperar (se possível dê um parâmetro)?

MDG – Sempre iremos em busca da melhor qualidade possível para cada mangá. Às vezes, por uma série de motivos, não só econômicos, não conseguimos trabalhar com o material que gostaríamos. Mas vamos tentar compensar de alguma outra maneira. A princípio iremos trabalhar com estruturas semelhantes às que já se encontra no mercado, para sentir a reação dos leitores com os títulos que estamos trazendo e com o tempo vamos ajustando cada título.

Gyabbo! – No Facebook você comentou que dois dos títulos anunciados estão em produção e dois em pré-produção, como está essa grade de lançamentos? Em que meses veremos esses títulos à venda?

MDG – Devemos ter Hitman em outubro e Yakuza Girl em seguida, mas ainda estamos definindo as datas. Ikkitousen e Oldboy virão depois, mas ainda podem chegar este ano. Depende de uma série de acertos burocráticos.

Gyabbo! – Até o momento tivemos, desde ao Anime Friends ao seu perfil no Facebook, o anúncio de quatro títulos; que outros mangás não comentados podemos esperar para futuros lançamentos?

MDG – Sim, com certeza. A Sampa veio para figurar entre as grandes editoras de mangás do Brasil.

Gyabbo! – Na sua época de JBC muito se questionava quanto ao uso excessivo de gírias e referências populares. Qual é o norte editorial da Nova Sampa quanto a essa questão de adaptação para o público brasileiro?

MDG – Isso sempre varia de acordo com cada mangá. Você não via gírias em Fullmetal Alchemist ou Cavaleiros do Zodíaco. Não faria sentido. Mas elas eram cabíveis em mangás com contornos cômicos como Yu Yu Hakusho (talvez o grande precursor por conta da sua dublagem clássica), Tenjho Tenge, Ranma 1/2 e Fairy Tail. Isso ajuda muito a criar uma identidade para cada título. O importante é não exagerar. Nos mangás da Sampa, a pegada é diferente por serem mais adultos. Mas terei mais liberdade para aproximar mais o texto original para o português.

Gyabbo! – Outro ponto muito questionado e que podemos perceber que continua nesse primeiro momento é o uso da sua conta pessoal no Facebook para fazer os anúncios dos títulos que virão. Estamos no começo da entrada da editora no mercado, mas isso será uma constante ou será criado um lugar específico no site da Nova Sampa para esses anúncios, parcerias com blogs, ads na internet e outras mídias?

MDG – Com o tempo certamente teremos todos os recursos necessários. Mas a minha conta do Face foi criada ainda na época da JBC exatamente para divulgar os títulos e para os leitores terem mais contato comigo. E foi algo muito positivo no geral, por isso achei interessante continuar por enquanto usando o Facebook.

Gyabbo! – Durante essa história de 12 anos de mangas como conhecemos hoje no país pouco se investiu em títulos josei/seinen, mangas voltados para um público mais adulto. O que fez a editora tomar essa decisão editorial e acreditar que eles podem vender bem por aqui?

MDG – Primeiro existem títulos com potencial nesses gêneros, não digo tanto josei, mas sim os seinen, e essa é uma maneira de tentar ampliar o mercado, de dar mais opções aos leitores que liam Samurai X dez anos atrás e que hoje cresceram e não querem mais a tradicional linha shonen.

Gyabbo! – E por falar em josei, até o momento tivemos apenas títulos com o foco no público masculino. Existem planos concretos para o lançamento visualizando o público feminino?

MDG – Por enquanto não.

Gyabbo! – Um dos principais entraves que muitos editoras novas no mercado de mangas enfrentam é a dificuldade de distribuição no país. Vocês estão preparados para atender a demanda do país inteiro ou será algo focado na chamada “Fase 1”?

MDG – Isso é algo que vai além da vontade das editoras. Geralmente a distribuição é decidida em conjunto com a distribuidora, que faz toda uma pesquisa de mercado antes de lançar cada título. E é baseada nessas informações que a distribuição é realizada e até mesmo a tiragem é determinada.

Gyabbo! – Quase fechando nossa entrevista, após sair da JBC e entrar em uma editora nova, como você avalia a conjuntura mercadológica atual dos mangas no Brasil?

MDG – O mercado está saturado pela quantidade de mangás que temos hoje. O detalhe é que sua maioria é de shonens, alguns poucos shojos e alguns raros seinens. Por isso, a tentativa da Sampa vai ser desviar dos shonens nesse momento.

Gyabbo! – Gostaria de agradecer pelo tempo aberto ao Gyabbo! e seus leitores para responder essas perguntas e pediria para você deixar uma mensagem final para seus futuros leitores na Nova Sampa.

MDG – Mais uma vez eu que agradeço. Espero que gostem desse novo trabalho da Sampa e que os mangás estejam do agrado dos leitores. A Sampa é uma editora com muita estrada e de muita experiência no mercado. Além disso, para mim é uma grande felicidade voltar a trabalhar com a editora que me deu minha primeira chance como jornalista na revista Herói.

Depois do anúncio da volta da editora Nova Sampa para […]