Card Captor Sakura – Editora JBC – Vol.1

Um dos primeiros mangas a serem lançados no Brasil, iniciando o longo caminho de mais de uma década da editora JBC com esses quadrinhos, Card Captor Sakura retorna em uma nova edição publicada desde Junho desde ano. Primeiramente anunciada como uma “edição de luxo” e saindo como uma “edição especial”, será que vale a pena colecionar novamente as aventuras da – já clássica – obra do grupo CLAMP?

Se no começo dos anos 2000 Sakura veio ao Brasil junto de Samurai X pela editora JBC no famigerado formato de meio-tanko, com papel jornal e custando hoje inacreditáveis R$2.90, a série volta em um formato maior, tankohon completo (levemente maior que um Naruto), papel offset (branco, semelhante ao sulfite) e com 16 páginas coloridas, mensalmente nas bancas brasileiras.

Para quem não conhece a história (tem alguém?), Card Captor Sakura é um manga do grupo CLAMP, publicado originalmente na revista shoujo Nakayoshi de 1996 à 2000, sendo compilado em um total de 12 volumes, que conta as aventura Sakura Kinomoto, uma colegial alegre do 4º ano do ensino fundamental que um dia acaba liberando o lacre do Livro Clow, um poderoso artefato mágico que guardava as poderosas cartas Clow.

Junto das cartas, sai Kerberos ou Kero – quase um bichinho de pelúcia, o guardião do lacre (que estava dormindo na hora que Sakura o abriu), que ensina para a garota sobre as cartas e a transforma em uma Card Captor, com a incumbência de capturar de volta as cartas que se espalharam pela cidade de Tóquio.

Assim, com a ajuda de Kero e da amiga de classe Tomoyo Daidouji – que está mais interessada em vestir Sakura com as roupas que faz especialmente para ela e filma-la em ação do que realmente nas cartas -, Sakura inicia sua jornada. O começo do manga é bastante episódio, com um capítulo para cada carta. Esse primeiro volume, especialmente, é todo assim, apresentando bem o contexto da história e seus principais personagens, além de familiarizar o leitor com as “regras” do mundo mágico das cartas Clow.

A leitura é muito tranquila, divertida, equilibrando muito bem momentos de ação, comédia simples, slice-of-life e futuramente romance. O traço do grupo que muitos hoje consideram menos trabalhado que nesta fase, é belíssimo e em alguns quadros você fica simplesmente parado, absorvendo o detalhe da arte de cada quadro, principalmente quando temos alguma carta em cena, visto que o trabalho de design delas é incrível.

Quem não conhece pode achar um pouco bobo esse primeiro volume, apesar dele ser inegavelmente gostoso de se ler, seja pelo roteiro simples, porém interessante, seja pela belíssima arte. Mas o melhor de Sakura é que o enredo ainda tem muito a se desenvolver e os mistérios das cartas Clow não se limitam à algo Pokemon-like.

Outro ponto positivo são os personagens, apesar de hoje eles soarem clichê (Sakura é a rainha do moe, apesar de não ter as características mais irritantes das suas “colegas” de hoje em dia), ainda é perceptível como cada um possui uma personalidade própria, que se não é exatamente profunda, até por não ser esse o objetivo da obra, faz com que o leitor se interesse por aqueles personagens e suas características, mesmo os mais secundários que até hoje são lembrados.

CCS é realmente uma leitura que fazia falta no leque de opções da editora JBC, seja por ser shoujo, seja por ter ótimas pitadas de ação. Só pelo título já seria um lançamento válido, mesmo que seja um relançamento. No entanto, estamos falando de uma “edição especial” e Sakura veio prometendo um novo nível de qualidade para a editora.

Em uma primeira olhada, o manga está realmente belíssimo, mesmo com a discussão em torno da fonte usada no título na capa (exigência do próprio grupo CLAMP, de acordo com a JBC) que eu pessoalmente continuo achando feia, o relançamento realmente está em outro nível, mas acaba pecando nos detalhes.

As páginas coloridas estão realmente perfeitas, com uma impressão viva e com o material do papel de ótima qualidade. Certamente é algo que deveria ser exigido nos lançamentos de todo mercado (o que a JBC prometeu que irá cumprir, lançando o que for colorido no original, colorido aqui).

Chegando às páginas “normais” temos um papel offset… bom. A questão, certamente, em comparação com o que temos normalmente no mercado, especialmente nas bancas, o papel branco tem mais qualidade, permitindo uma impressão de qualidade muito maior, com pretos realmente pretos ao invés daqueles acinzentados que vemos.

A questão é que o papel usado em Sakura – ainda que com suas qualidades – perpetua o problema das transparências. E não estou aqui querendo que seja impossível ver um pouco do outro lado da página, praticamente todo tipo de papel usado vai deixar isso, mesmo se formos ver mangas importados. No entanto, não é apenas “um pouquinho”, mas sim algo que incomoda, especialmente quando estamos falando de uma edição especial que custa R$14.90. Compare com os mangas da editora L&PM, poderiam ter tido um pouco mais de cuidado.

O outro ponto a ser questionado é quanto às adaptações. Card Captor Sakura Edição especial saiu ainda sob a batuta de Marcelo Del Greco e com isso já sabíamos que buscando uma aproximação maior com o público que assistiu à série de televisão também, o manga iria se apropriar de termos e expressões da dublagem.

Vou ser sincero e dizer que isso é algo que não me incomoda. Entendo quem reclame, ainda mais por se tratar de um relançamento e de Sakura já ter saído da televisão há bastante tempo, mas definitivamente não me incomoda, ainda que entenda e até apoie as possíveis reclamações quanto a isso. Da mesma forma, termos que no original são ditos em inglês, aqui são colocados diretamente no português, algo que eu não concordo, pois acredito sempre que as adaptações devem levar para o português apenas aquilo que está na língua original – termos em outras línguas foram colocados em outros idiomas com alguma intenção do autor e assim deveriam ser mantidos.

Um outro detalhe, mas que não é exclusivo da JBC como eu apontei aqui na review de One Piece, é o corte da arte nas laterais. Como a Panini e a JBC usam a mesma gráfica, se entende que este é um problema de lá, mas que parece não ter pressão das editoras para resolver. Não é feito o posicionamento correto na hora do corte das páginas, levando pequenos pedaços da arte original.

Por fim, existe uma certa inconstância entre o que adaptar e o que manter no original japonês com notas, algo que deveria ter sido estudado desde o início para termos um padrão editorial na publicação. Espero que corrijam esses “problemas” com o passar das edições.

Sakura, personagem tão icônica da geração dos anos 2000 dos mangas, ao lado de Sailor Moon como as maiores expoentes do Mahou Shoujo no ocidente, está de volta e com praticamente toda elegância e pompa que merece. Poderia ser melhor? Poderia, mas já é um passo enorme na forma de publicação que era feita pela JBC.

Para quem já tem sua coleção no formato meio-tanko, devo dizer que vale a pena comprar novamente. E quem ainda não tinha tido a chance de ler Sakura em mãos, com certeza não pode deixar essa chance passar.

Seja bem-vinda de volta, Sakura.

E você que já leu, o que achou da nova edição de Card Captor Sakura? Você que não leu, pretende comprar esse relançamento? Comente e vamos conversar!

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