Natsuyuki Rendezvous – Primeiras impressões

Em uma temporada considerada (e que vem se provando) fraca, se destacar com um pouco de qualidade não seria exatamente muito difícil. Mas Natsuyuki Rendezvous vai muito além e com seu primeiro episódio promete que pelo menos uma série da temporada de verão poderá entrar na briga entre os melhores títulos do ano.

Eu cheguei a comentar no post sobre a temporada de como eu estava encarando Natsuyuki como o sucessor de Sakamichi no Apollon como o drama romântico do bloco noitaminA. Fazer isso já era colocar um peso bem forte nas costas da série visto que Apollon teve uma qualidade bem acima da média, mas se pudéssemos julgar uma obra por um único episódio (o que obviamente não podemos se o intuito é dizer com certeza o que ela será), poderíamos dizer com segurança que Natsuyuki faz jus ao espaço que lhe foi dado.

OBS: Esse post possui um pequeno spoiler, leia por conta e risco. Não acho que spoiler de primeiro episódio em post de primeiras impressões seja um problema, mas fica o aviso.

Baseado em josei da autora Haruka Kawachi lançado entre 2009 e 2012 e finalizando com o total de quatro volumes, Natsuyuki Rendezvous tem um enredo bem simples, até familiar para o público brasileiro de certa forma: Ryuuseke Hazuki é um rapaz que ao passar várias vezes na frente de uma floricultura, acaba apaixonado perdidamente por sua dona, Rokka Shimao.

Aproveitando que o lugar precisava de alguém para trabalhar após a saída da única funcionária que havia, Hazuki começa a trabalhar para tentar se aproximar de sua paixão. Entretanto, após um tempo no lugar o rapaz se depara com outro homem – na verdade um fantasma – o falecido ex-marido de Rokka, Atsushi Shimao, que somente ele consegue ver.

Programado para 11 episódios – tempo normal dos animes do bloco -, Natsuyuki não perde tempo e muitas coisas acontecem no primeiro episódio, ainda que o ritmo lento faça parecer que não. Desde a introdução dos personagens, a paixão obsessiva (de certa forma Hazuki soa um pouco estranho enchendo seu apartamento de flores inúteis apenas para ter alguns minutos de contato com Rokka), o contato com Atsushi, as conversas sobre o passado do casal e a inesperada confissão amorosa embaixo de um guarda-chuva, tudo foi apresentado neste único episódio sem que em nenhum momento tivéssemos a sensação de que as coisas aconteceram de forma forçada ou apressada.

E é justamente dentro desse ritmo dado pela direção e pelo roteiro de Kou Matsuou (Red Garden, Kure-nai) que está a grande diferença entre Sakamichi e Natsuyuki. Apesar de em ambos termos um episódio introdutório com grande movimentação, a tranquilidade ressoa pela segunda obra, dando um caráter muito mais intimista do que identificatório com o enredo e seus personagens – única ponta solta que percebi foram seus dois protagonistas masculinos apáticos demais, algo que deve mudar com o desenvolver da história.

Se a história ajuda, a direção e o roteiro também, completamos o pacote com um belíssimo trabalho do estúdio Dogakobo, que apesar de possuir um vasto catálogo de assistência em animes, possue poucas séries próprias. A animação, apesar de não ser muito exigida pelo caráter mais tranquilo da obra, tem uma fluidez bela que dá aos movimentos simples dos personagens uma verossimilhança, ajudando o espectador à manter sua suspensão de descrença, algo que importante para um drama que utiliza-se de fatores sobrenaturais como mote de sua obra.

Certamente espero grandes coisas dessa série depois desse fantástico início, pulando milhas à frente dos outros animes da temporada (com exceção de um que eu ainda vou comentar por aqui) e trazendo de vez o bloco noitaminA àquilo que fez com que déssemos tanto crédito a ele: obras de qualidade.

Em uma temporada considerada (e que vem se provando) fraca, […]