Hotarubi no Mori e

Existem muitas falhas na minha “formação” como fã de animes, como você pode ler um pouco neste artigo antigo, e uma delas é ainda não ter assistido ao shoujo Natsume Yuujinchou de Yuki Midorikawa em suas quatro temporadas (algo gigantesco para um anime desse gênero).

Não foi por falta de incentivo ou por desmerecer a obra, mas por só ter atentado para ela temporadas depois da sua primeira. Talvez pensando justamente nisso (e em aproveitar o sucesso, claro) o estúdio Brain’s Base adaptou para o cinema outra obra da mesma autora com um atmosfera bem semelhante. Baseado em um one-shot lançado em 2003, Hotarubi no Mori e (2011) era o empurrão que eu precisava para ver Natsume, porém, mais do que isso, é um belíssimo conto folclórico em forma de animação japonesa.

Contado na forma de lembranças da jovem Hotaru Takegawa enquanto viaja em férias para a casa de seus tios no interior japonês, Hotarubi no Mori e é um conto que utiliza-se de elementos fantásticos do folclore japonês para criar uma bela história de amor.

Hotaru, ao se perder na floresta próxima a casa de seus tios quando tinha seis anos acaba conhecendo Gin, um habitante da floresta que apesar de não ser exatamente humano, possui uma aparência normal, exceto pelo fato de usar uma máscara para esconder o rosto.

Ambos se tornam amigos, aproveitando todos os dias das férias da garota para se divertir. Assim, forma-se um forte vínculo que será fortalecido ano após ano quando Hotaru volta à floresta para encontrar o mesmo Gin no verão seguinte.

Se inicialmente temos uma amizade ingênua entre esse “yokai” da floresta e uma criança, com a passagem do tempo e principalmente com o crescimento de Hotaru, ambos começam a ter sentimentos mais fortes que uma simples amizade um pelo outro. No entanto, Gin não é exatamente um yokai, mas sim um humano que foi abandonado na floresta ainda quando bebê e que sobreviviu graças a uma maldição rogada pelo deus daquela montanha, fazendo ele viver para praticamente sempre, mas desaparecendo com um único toque de um ser humano.

Assim, Hotarubi no Mori e vai se desenvolvendo de forma lenta, sem nenhum grande acontecimento, mas de maneira envolvente, principalmente por conseguir imergir o espectador dentro de uma atmosfera calma, contemplativa e de seneridade. Se o diretor Takahiro Omori tem a habilidade de manipular diversos personagens de maneira frenética como vimos em Baccano! e Durarara!!, também mostra uma habilidade excepcional para levar uma história com poucos elementos e em baixa velocidade até um clímax emocionante.

Procurando não cair em spoilers, mas já adiantando que não há surpresas nessa obra, Hotarubi no Mori em seus 45 minutos une uma boa animação com uma arte belíssima, uma fotografia perfeita em mostrar um japão mais rupestre e folclórico com um roteiro que, se não busca dar reviravoltas, tem aí mesmo seu ponto forte, mantendo um padrão de enredo que culmina em um final que pode tirar as lágrimas de alguns por sua bonita tristeza.

Olhando por outra perspectiva, essa obra me parece ser o caminho perfeito para realizar uma transição entre o fã de “desenhos japoneses”, mais pautado em obras pops, para um fã de animes. Seu ritmo mais lento, seu romance singelo, suas cores menos vibrantes podem ser um forte contraste para quem está acostumado a ver um Naruto ou mesmo um Sengoku Basara, mas tem a qualidade para agradar gregos e troianos com este conto de beleza, tradição e transformação.

Quer ler outra opinião sobre Hotarubi no Mori e? Recomendo o texto do Qwerty do blog Nahel Argama.

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