Sakamichi no Apollon – Primeiras Impressões

Recomenda-se clicar no vídeo no meio do post e deixar a música rolar enquanto se lê o post.

Vou ter que começar esse post citando diretamente a primeira linha do post do blog Random Curiosity sobre Sakamichi no Apollon:

How can a show with such ridiculously high expectations possibly exceed them?

Como pode um anime com expectativas tão altas conseguir ser melhor ainda?!

Muita gente diz que criar um hype excessivo em cima da uma obra só tem a atrapalhar por criar um patamar de qualidade inalcançável. Sakamichi no Apollon, novo e esperado trabalho do diretor Shinichiro Watanabe (Cowboy Bebop, Samurai Champloo, Macross Plus), manda uma resposta bem direta: Só tem medo do hype obras que não garantem por si próprias sua qualidade.Kaoru Nishimi é um garoto fechado, inteligente – sempre o melhor da sua turma – e que procura o individualismo ao invés do destaque. Após se mudar para a ilha de Kyushu ao sul do arquipélogo japonês por causa do emprego do pai, Kaoru conhece em sua nova escola o bad boy Sentarou Kawabuchi, garoto temido, principalmente pelos nerds, por seu caráter explosivo e por sua força física.

Estamos falando aqui de um Japão no ano de 1966 e de uma região com forte presença de militares americanos após a Segunda Guerra Mundial. A forma de se dar da rebeldia juvenil vem justamente na escolha por símbolos que seriam mais inesperados, no caso o Jazz americano e seu som longe das limitações do clássico e da música tradicional japonesa.

Sentarou, incutido dessa rebeldia, não aceita outro tipo de música senão o Jazz, sendo ele mesmo um baterista com certa habilidade. Em um encadeamento de eventos improvavéis os dois acabam se encontrando em uma amizade justamente pelo inesperado. Um é o oposto do outro e é a música que irá uní-los.

Shinichiro Watanabe conseguiu com habilidade rara de se ver na maioria dos animes hoje em dia desenvolver o laço que prenderá seus protagonistas ainda no primeiro episódio. Ainda que eles mesmos não se aceitem como amigos plenos – mais relacionados pelo elo de ligação que é a representante de turma e amiga de infância de Sentarou, a simpática Ritsuko Mukae, coincidentemente filha do dono de uma loja de discos -, já foi demarcado o caminho a ser pavimentado para que uma amizade quase fraterna se desenvolva, mudando o ambos através da música.

Música que por sinal é outro dos pontos altos desse que promete ser um forte candidato a anime do ano. Com Yoko Kanno em cargo dessa parte – que também havia trabalhado junto de Watanabe em Macross Plus e Cowboy Bebop – já poderíamos esperar as escolhar certas, seja para as músicas temas (e me desculpem aqueles que reclamaram, mas achei tanto a abertura quanto o encerramento no tom certo para não se repetir demais), seja para a trilha sonora em si que neste primeiro episódio soube usar do próprio Jazz com parcimônia, causando o impacto necessário.

A animação da Tezuka Productions é boa, principalmente nas cenas onde instrumentos musicais são tocados. Mas mais interessante é o traço menos exagerado, conseguindo trazir a maturidade do josei original de Yuuki Kodama. Me incomoda um pouco a forma como as sombras são usadas na tentativa de dar suavidade à arte, mas isso é muito mais questão de costume do que de qualidade.

Assim como Chihayafuru, Sakamichi no Apollon provavelmente será outro título renegado a um público pequeno, ainda que com qualidades bem acima da média. Para quem ler esse post, fica a minha recomendação. Watanabe mostrou que o tempo parado não enferrujou suas habilidades, mas que o permitiu desenvolver um projeto realmente maduro com que pudesse trabalhar.

Se Watanabe “gosta de definir o seu trabalho como um champuru, expressão usada na província de Okinawa para comidas que são uma “mistureba”“, ao misturar o swing do Jazz e de Sentarou com um Japão em reconstrução, assim como Kaoru, o diretor parece ter acertado novamente. Se eu fosse você não perderia esse anime por nada.

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