Sankarea – Primeiras impressões

“Zumbi, otaku de zumbi, garota depressiva, ecchi. Milagres acontecem…”

É, e a julgar pelo primeiro episódio de Sankarea estamos presenciando um milagre acontecer.Ao fazer um mini-maratona com os episódios atrasados na nova temporada por causa da minha viagem à São Paulo, acabei indo assistir este anime sem nenhum compromisso, apenas com a ideia de saber sobre o que se tratava e ter uma rápida ideia. Menos de 10 minutos depois eu estava completamente fisgado por uma arte muito bonita, uma animação boa e uma direção que consegue manejar um roteiro perigoso com uma habilidade que eu não via há um bom tempo (talvez desde Ben-to, mas mesmo este se perde um pouco na direção do enredo).

A primeira coisa que chama atenção em Sankarea certamente é sua arte e fotografia. Quando eu comecei assistir, esperava mais um anime genérico com uma desculpa para mostrar fanservice, mas o que eu vi foi uma qualidade técnica acima do esperado e da maioria dos animes recentes. Vejam a imagem acima como ela consegue ser linda mesmo fora de qualquer contexto por causa do belo uso de luzes e sombras com um traço limpo e elegante.

Já a segunda coisa que começa a mostrar que Sankarae tem todo potencial para ser algo além do seu estereótipo é a maneira como as coisas são apresentadas. Com direção de Shinichi Omata o roteiro de um otaku de zumbis que irá conhecer uma garota bonita a se tornar ela própria um zumbi acaba se expandindo em um episódio de certa forma sensível.

Ainda que seja uma adaptação de um manga shounen do genêro comédia romântica, teve-se a habilidade de construir bem o protagonista da série, o aficcionado por zumbis Chihiro Furuya, um garoto tão viciado no tema, que apesar de ter consciência de que nunca terá esse sonho realizado (ou será que terá?), tem como grande sonho encontrar e se relacionar com uma zumbi kawaii. Se ao primeiro momento esse enredo preocupa, pelo menos nesse primeiro episódio fomos muito além da superfície otaku para mostrar uma personagem que tem sim suas bizarrices, mas que guarda uma normalidade dentro daquilo que lhe é caro, sem transformá-lo em um personagem 2D sem sentimentos, envolto apenas pelo rótulo, algo tão corriqueiro em séries como essa.

Morando em um templo com seu pai, sua avó meio biruta e sua irmã mais nova de 12 anos após a morte de sua mãe, Furuya acaba muito abalado com a morte do seu gato, Babu, e tenta, completamente ingenuamente ressuscitá-lo através dos escritos de um caderno antigo que foi parar em suas mãos. Durante várioas dias tentando em vão fazer a ressurreição dar certo, Furuya acaba presenciando os gritos de desespero e tristeza da, aparentemente perfeita, filha do diretor de uma escola vizinha a sua, mas só para garotas, a bela Sanka Rea. Não conseguindo levar uma vida normal por sua imagem como a filha perfeita do diretor de uma escola de prestígio e tendo de aguentar abusos (sexuais, acredito, pelo que ficou entendido nesse episódio) do pai, sua única forma de lidar com essas frustrações é indo gritar no poço de um antigo prédio, o mesmo onde Furuya está tentando ressucitar seu gato.

Impressiona a forma como esse primeiro episódio consegue unir o non-sense, o drama e ainda colocar pitadas de ecchi com certa elegância. Sim, é implícito (apesar não tanto visual, ainda bem) que a série está pautada em um certo teor erotizado, mas, pelo menos inicialmente, sem cair para o mal gosto ou para o gratuito demais. Aqueles que gostam desse tipo de material certamente irão apreciar Sankarea, mas aqueles que não gostam, como eu, vão facilmente passar por cima disso sem problemas.

Sankarea é um típico material voltado para um fã mais hardcore, sim, mas consegue ter uma nível de qualidade maior do que seus pares, muito por causa da bela arte do estúdio Deen e da direção de Shinichi Omata. Ao passar pelos seus 24 minutos é fácil perceber uma grande influência de maneirismos de animação típicos do estúdio SHAFT, o que é facilmente explicado pela fato de Omata ter trabalhado lá em alguns animes. Mas ao invés de simplesmente repetir, Omata consegue atualizar e usar esses artifícios com parcimônia, dando um belo resultado.

Se Sankarea irá continuar neste ritmo nos próximos episódios é uma grande incógnita, mas pelo menos esse primeiro episódio merece ser visto. Eu acredito que temos aqui a primeira grande surpresa da temporada e possivelmente o mais novo anime relevante do estúdio Deen que não fazi nada de muito empolgante desde Giant Killing. É esperar pra ver, já nessa sexta-feira sai o segundo episódio para tirarmos a prova.

PS: Fiquem atentos a sensível passagem do enterro do gato. Surpreendente!

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