Saint Seiya Omega – Cavaleiros do Zodíaco Ômega – Primeiras Impressões

Antes de começar a falar realmente de Saint Seiya Omega, vamos contextualizar um pouco as coisas: Eu sou um dos filhos da Manchete, comecei a ver animes com ela graças ao sucesso de Cavaleiros do Zodíaco (e Shurato, Yuyu Hakusho, Super Campeões etc). Anos depois quando a Saga de Hades surgiu, apesar de eu me interessar bastante, não assisti, indo fazer isso apenas na época que passou no Cartoon Network em um ingrato horário de madrugada. Não vi o resto da Saga de Hades, tão pouco Lost Canvas.

Isso é para deixar claro que apesar de eu ser fã de Cavaleiros do Zodíaco (lembro quando a série original voltou pelo Cartoon Network e eu saí avisando todas as pessoas da minha sala na 8º série) não acompanhei de fato sua trajetória e novos produtos da franquia não me atingem como o de outras (Dragon Ball, por exemplo). Possuo um carinho pela série, me divirto muito conversando sobre o mundo de CdZ com amigos que nem sequer assistem à animes, mas tenho pleno senso crítico dos pontos fortes e fracos da mesma, sem ser atingido muito forte pelo saudosismo hoje em dia.Saint Seiya Omega, nova investida da Toei Animation com a franquia chega buscando mais gerar novos fãs do que se preocupar somente com os já consolidades. Muito porque, sejamos sincero, Cavaleiros nunca foi parte do grande escalão dos shounens, sendo muito mais lembrado no Brasil e na Europa do que no próprio Japão, o que explica facilmente o possível cancelamento dos planos de uma 3º temporada da elogiada série Lost Canvas pela TMS.

Desde seu anúncio oficial, Omega deixou claro que buscava ares novos. A escolha do character design de Yoshihiko Umakoshi, por exemplo, consegue unir uma beleza sutil e nova aos traços já característicos da franquia e ainda ajuda economizando em uma série que claramente não possui muito dinheiro para gastar. Além disso, o horário das 06:30 da manhã do domingo na Tv Asahi (lar da série original) e a direção de Morio Hatano, que já havia se juntado a Umakoshi anteriormente para uma série de sucesso acabam mostrando que Saint Seiya Omega nada mais é do que um Heartcatch Precure! shounen.

Isso é necessariamente ruim? Não exatamente. Ainda que Omega seja uma abordagem mais simples e infantil do mundos dos Cavaleiros (que por sua vez era apenas uma série infanto-juvenil sem nenhum tipo de profundidade, mas honesta com seu tempo) isso não quer dizer que não possamos ter uma material decente. A verdade é que este primeiro episódio não difere muito em qualidade da maioria dos episódios da série original, tendo como calcanhar de aquiles carregar em suas costas todo um fandom que, principalmente no Brasil (e sendo este blog brasileiro, é para onde vou olhar mais), criou uma imagem surreal de Cavaleiros do Zodíaco, algo que a série nunca foi e nem tentou ser.

Mas se uma abordagem mais simples não necessariamente compromete a qualidade do produto, infelizmente temos que aceitar que esta mesma abordagem resulta em uma planificação ainda maior do enredo. Sim, novamente temos uma inimigo (dessa vez o deus Marte) sequestrando Saori em busca do seu poder para controlar a Terra. Sim, de novo um cavaleiro de Bronze da constelação de Pégasus será o responsável por salva-la, obviamente com a ajuda de outros companheiros que se juntarão na sua aventura onde este cavaleiro, Kouga, revelará o grande cosmo que estava destinado a mostrar na hora necessária.

Ainda assim, com uma animação simples aliada ao character design estiloso (que quem viu Casshern Sins aprendeu a amar) de Umakoshi, a série consegue manter um certo equilíbrio, com algumas horas de mediana empolgação (como quando da aparição de Seiya, dessa vez como cavaleiro de Ouro de Sagitário) e outras de certo constrangimento como do fato do vilão ser extremamente bonachão e não conseguir de forma alguma ser respeitado.

Porém, um ponto interessante da série e que na minha opinão consegue colocar algo a mais nesse mundo tão repetitivo de Cavaleiros é o seu protagonista. Kouga, salvo enquanto bebê por Seiya quando do primeiro ataque de Marte contra Saori (seria ele o filho dos dois? Saberemos no futuro), acaba sendo isolado do resto do mundo para viver um treinamento onde deve virar um novo Cavaleiro de Atena. Mas a questão é que ninguém explica para o garoto onde está essa Atena senão nas lendas gregas ou o que faz realmente um Cavaleiro. Kouga não se empolga nos treinamentos justamente por não ver razão para aquilo, aceitando sua condição só pela paixão platônica que possui por Saori (e se ela for a mãe dele isso será bem constrangedor). Não é muito, mas é uma camada interessante para as motivações de um novo Cavaleiro depois de anos acostumados a crianças lutando cegamente por uma ideologias que nunca foram construídas por si próprias.

(Agradecimentos ao Leo Kusanagi do Mithril pelo vídeo em HD)

Aparentemente marcado para 50 episódios, Saint Seiya começa sem empolgar muito, mas também não compromete ao ponto de ser rechaçado por fãs menos xiitas da franquia. Já para fãs de animes em geral que não tem nenhum carinho especial para a série, acredito que o tempo pode ser melhor gasto. O importante mesmo é ver o que Omega poderá fazer no rejuvenescimento da franquia, é isso que mais me interessa. E sendo sincero, nesse caso tem tudo para ser um sucesso tão bom quanto qualquer Precure.

Por fim, gostaria de exaltar a ótima releitura da clássica abertura “Pegasus Fantasy” pela bela voz da peculiar comedora de gatinhos Shoko Nakagawa com som da banda Make UP. A música em si sempre foi boa, mas conseguiram dar a ela um tom de novidade muito bem vindo, ainda que a sequência animada em si não seja das melhores.

Assistir Omega não irá lhe causar nenhum mal, nem será ofensivo para sua infância, mas também não é algo que precise ser exaltado nessa promissora temporada de Primavera. Mas se quiser ler outra opinião, dê um pulo no Chuva de Nanquim por aqui.

Antes de começar a falar realmente de Saint Seiya Omega, […]