Guilty Crown – Conclusão

Depois de longas 22 semanas, um plot extremamente duvidoso, uma qualidade gráfica acima a média e uma animação que conseguiu enganar bem quem assistia, chega ao fim Guilty Crown no bloco noitaminA.

Antes de falar do seu final, vamos retornar 22 semanas e relembrar das expectativas construídas a partir do primeiro episódio dessa série. Tomando meu post de Primeiras Impressões é fácil perceber a minha grande empolgação com aquele que foi pra mim um dos melhores primeiros episódios do ano passado, juntamente, apesar de completamente oposto, do primeiro episódio de Usagi Drop.

Ambientação, apresentação dos personagens principais, combinação de ação com as músicas, roteiro instigante, character design bonito, tudo isso criou um sólido primeiro episódio que me deixou realmente empolgada para ver Guilty Crown.

Até que o episódio dois veio.

O dois, o três, o quatro e 90% dos episódios onde os roteiristas pareciam ignorar o que aparentemente seria uma trama política em prol de uma ficção científica na maioria das vezes sem sentido apenas para justificar cenas cool, principalmente com o uso dois voids. Guilty Crown ficou marcada por ser uma série onde o roteiro só dava as as caras em um ou outro episódio, para logo tudo que foi construído ser destroçado para dar lugar a um plot twist que soasse brilhante, ainda que apenas soasse.

A verdade é que o anime começou com o intuito de falar de um Japão controlado por uma organização externa, sem poder real para conseguir sua auto-gerência e soberania sobre seu próprio território, algo que se refletia de forma interessante no apático protagonista Shuu. O que era pra ser a história do crescimento pessoal de um jovem, em consonância com a retomada de poder da sua própria nação com uma pitada de nacionalismo talvez exarcebado, acabou virando uma história de amor de Shuu para a boneca (quase um dakimakura) Inori.

Inori, desde o começo da série uma personagem vazia, servindo a um ou a outro personagem de acordo com as cordas embaraçadas que o roteiro desenvolvia parece muito mais um vaso onde protagonista e espectadores podem depositar seus desejos, frustrações e expectativas (assim como é de fato feito por Shuu após sua pseudo-transformação em um ditador já para o final da série).

O que chega a soar irônico quando vemos que Shuu é rejeitado como possível novo rei, novo Adão, o escolhido para criar uma raça superior. Por quê? Por amor. Ou será mesmo? Os sentimentos de Shuu, que ao final da série percebemos que eram o motivo-mor da sua existência, eram realmente puros (no sentido de serem verdadeiros, não no sentido sexual da conotação)? Ou era apenas uma devoção cega (sem trocadilhos com a condição do personagem ao final da série) de um personagem que nunca cresceu verdadeiramente, sempre ancorado na imagem quase divina de Gai?

E é justamente este o ponto maior da minha crítica a Guilty Crown que terminou por se mostrar uma série divertida de assistir apenas quando se conclui que buscar entende-la é perda de tempo. Toda questão política é na verdade um pano de fundo que vai episódio por episódio se complicando mais, tentando se apoior em plot twists e cenas impactantes a fim de manter o espectador dentro da audiência, quando na verdade o que temos aqui é o sonho irreal de um jovem alienado e sua devoção por sua idol.

Antes fosse uma crítica aos fãs hardcore e seu apatismo em relação aos problemas reais, seja no Japão ou no mundo. Não, Guilty Crown vangloria essa relação de devoção ao vazio, deixando ao final da série uma sensação de dever cumprido no protagonista que na verdade não fez absolutamente nada a série inteira. Shuu é um mártir de si próprio. Nunca lutou por ninguém, nem por uma causa. Lutou pelo incômodo que seu próprio jeito de ser causava em si e pela necessidade de defender aquilo que entendia como amor.

Isso significa que Guilty Crown não vale a pena? Não iria tão longe, ainda é um anime bonito de se ver, mas é preciso se despir completamente de qualquer expectativa mais elevada e deixar-se levar pelas cenas cool como a perda do braço de Shuu. Não tente entender como Shuu sobrevive no final ou por que ele fica cego, você não vai encontrar respostas para essas e várias outras perguntas.

Mesmo com uma animação que economiza recursos para apenas alguns momentos-chave, é no traço bonito e nas músicas muito bem feitas por Supercell que GC acaba convencendo os espectadores de que merece ser assistido. Não é uma perda total de tempo, mas com certeza poderia ser um tempo investido em uma experiência bem mais interessante.

Depois de longas 22 semanas, um plot extremamente duvidoso, uma […]