One Piece – Editora Panini – Vol. 1

Ele chegou.

No dia 15/12/2011 chegou o anúncio que todos aguardavam por vários anos: One Piece retornava ao mercado brasileiro, dessa vez pelas mãos da editora Panini e em versão tankobon. Planejado inicialmente para o mês de Janeiro, acabou sendo adiado para fevereiro, com data inicial do dia 10/02 passando então para 15/02, hoje, o grande dia.

No dia do seu anúncio o manga causou tanto barulho que foi parar no primeiro lugar dos Treading Topics brasileiros no Twitter. Posteriormente vieram as capas da edição #1 e #36, novamente muito comentadas pelos fãs de mangas no Brasil. Tivemos uma grande promoção no Facebook que com tanto sucesso chegou a derrubar os servidores da agência responsável pela ação. Não muito mais tarde chegou o anúncio das assinaturas para o manga, com um belo desconto (ainda valendo!), novamente um grande sucesso, o que acabou resultando em sua prorrogação.

E para finalizar, aqui no blog Gyabbo! você pode ler uma entrevista com a editora responsável pela versão brasileira do manga, Beth Kodama, tudo para preparar o terreno para sua chegada nas bancas. Nesta terça-feira, um dia antes, chegou pelos correios, diretamente da própria editora Panini nove volumes do manga para que eu pudesse analisar o lançamento e também realizar futuras promoções com os leitores. Por isso, sem mais delongas, apresento a vocês, One Piece da editora Panini.

Para aqueles que por algum motivo bizarro não tenha ouvido falar de One piece vamos a uma pequena apresentação. Criado pelo mangaka Eiichiro Oda e publicado na revista Weekly Shounen Jump desde 4 de Agosto de 1997, sendo serializada até hoje e contanto com 65 volumes até o momento, One Piece se tornou o manga mais vendido da história, ultrapassando o colosso Dragon Ball, obra que muito inspira a saga dos piratas mais famosos dos quadrinhos japoneses.

Inspirado na infância pelo contato com o grande pirata Shanks, O Ruivo, o garoto Monkey D. Luffy tem como principal objetivo de vida se transformar no Rei dos Piratas, obtendo o One Piece, o grande tesouro deixado pelo último e único rei dos Piratas, Gold Roger, o que deu início à grande era dos piratas.

Luffy, no entanto, possui uma característica especial. Quando criança acabou comendo por engano um Fruto do Diabo, o Gomu-Gomu no Mi, que acabou lhe deixando com um corpo de borracha, mas com a fraqueza de não conseguir nadar, algo bem peculiar para alguém que quer ser o rei dos piratas. Após 10 anos da última vez que vi Shanks, Luffy, muito mais forte e controlando bem as habilidades do seu “novo” corpo, parte para o mar para realizar seu sonho.

Neste primeiro volume somos apresentados a dois personagens que serão membros do grupo de Luffy. O primeiro é Roronoa Zoro, o caçador de piratas. Ao ser capturado e traído pela Marinha, acaba sendo salvo por Luffy e aceita fazer parte da sua tripulação. Zoro é um grande espadachim, adepto do estilo de luta com três espadas e que possui como objetivo ser o maior espadachim do mundo, uma promessa feita na infância a uma amiga que faleceu. Já no final do volume, surge Nami, uma ardilosa ladra especializada em piratas, mas que possui grandes habilidades de navegação.

Partindo dessa sinopse, que apesar de rasa, não deixa de estar correta visto que estamos tratando do primeiro volume, é difícil entender porque One Piece se transformou naquilo que é hoje, quebrando recordes atrás de recordes no mercado de mangas japonês (não tendo o mesmo sucesso no ocidente, principalmente pelo anime não ter emplacado por aqui). A verdade é que pelo seu volume inicial, One Piece apenas agrada, não se sobressaindo muito de tantos outros mangas de luta.

Mas mesmo neste volume inicial já é possível perceber as características que transformariam One Piece no sucesso que é. Para entender isso é importante compreender que Eiichiro Oda foi altamente influenciado por Akira Toriyama, criador de Dragon Ball, e isso é muito fácil de perceber acompanhando suas histórias. Com um traço simples, muitas vezes caricato, Oda consegue o equilíbrio ímpar entre ótimos momentos de battle shounen com uma comédia escrachada e boba, assim como fazia Toriyama.

Não exatamente a originalidade de One Piece que faz seu sucesso, toda sua fórmula foi criada por Akira Toriyama. A questão é a habilidade do seu autor em pegar esses elementos hoje já muito clichês e combina-los em uma obra de imenso carisma. Muito se discute se Eiichiro Oda é ou não um gênio dos mangas. Enquanto alguns apontam que sim, outros apontam que fazer uma única obra de sucesso não poderia lhe dar esse patamar. Não vou entrar de cabeça nessa discussão, mas gênio ou não, Oda com certeza é um dos maiores mestres do manga shounen moderno.

Sabendo utilizar como ninguém aquilo que tem em mãos, não só conseguiu emplacar um  grande sucesso, como Naruto, mas foi além, transformando sua obra no maior pilar que hoje sustenta a Shounen Jump. Se o começo de One Piece pode ser considerado morno, com o passar dos capítulos e volumes a temperatura esquenta arco após arco com o que podemos esperar de melhor de um shounen de lutas.

Mas e edição da editora Panini? Como você já viu nos posts anteriores, especialmente na entrevista da editora do manga, Beth Kodama, existe por parte da editora um imenso cuidado para com esse título, do qual se espera um imenso sucesso. Ao ter em mãos os volumes das edições #1 e #36 (a qual eu não li, pois não cheguei a ler até essa parte do manga na época da Conrad e prefiro esperar para não pegar spoilers), gentilmente cedidos pela própria editora para análise do blog, é nítido que a editora fez praticamente o máximo que poderia fazer dentro dos seus padrões.

O formato é o mesmo de Naruto, custando R$10.90, papel jornal, onomatopéias originais. As páginas são as de todos os mangas da editora, mas sem problemas como os enfrentados com Sora no Otoshimono. A impressão segue o mesmo padrão da editora, com apenas alguns percalços de algumas páginas terem pretos mais escuros que outras, mas algo que passa despercebido facilmente.

O texto, traduzido e adaptado por Drik Sada com edições da Beth Kodama (novamente, leia a entrevista dela para saber em detalhes sobre este processo) está muito bem realizado, fluindo perfeitamente durante a leitura e sem nenhum erro de português que eu tenha percebido, graças à revisão de Fati Gomes.

No entanto, existe um problema com a versão da Panini que apesar de atrapalhar pouquíssimo no aproveitamento da história, ainda é um erro e deve ser corrigido o mais rápido possível. Eu poderia deixar passar isso batido por ter recebido gratuitamente os mangas direto da editora, mas meu compromisso maior é com vocês, leitores, além de acreditar que sendo uma crítica construtiva, ela é sempre bem-vinda.

Por algum motivo (e eu acredito ter sido problema da gráfica) as imagens estão afastadas demais do centro da página, o que acaba “comendo” parte da lateral das mesmas. É pequeno, mas incomoda e tira o 100% do produto. Espero que nas próximas edições isso já seja corrigido pois todo o empenho da editora em trazer o melhor material não pode ser desfeito por um erro simples.

É com grande felicidade que eu saúdo a volta de One Piece ao Brasil após seu fracasso na editora Conrad. Com todos os problemas que ela apresentou durante os anos, era realmente difícil acreditar que o problema estava no manga e não na editora. Com o empenho e o ótimo trabalho feito pela editora Panini até o momento, que se mostrou aberta também ao diálogo e tenho certeza que corrigirá as falhas o mais rápido possível, é possível prever que mesmo o imenso caminho que o manga tem a tomar por aqui antes de encostar no Japão não será em vão e poderemos acompanhar as grandes aventura de Luffy e sua tripulação pelos mares.

Se alguém ainda tinha um pé atrás sobre a volta de One Piece, respire sussegado, compre seu volume e aproveite o início dessa odisséia!

FICHA TÉCNICA:

One Piece #01
Formato: 13x20cm Páginas: 208
Periodicidade: mensal
Valor: R$ 10,90
Distribuição: setorizada
Lançamento: Fevereiro/2011

One Piece #36 (inédita)
Formato: 13x20cm Páginas: 216
Periodicidade: bimestral
Valor: R$ 10,90
Distribuição: setorizada
Lançamento: Fevereiro/2011

PS: A qualidade gráfica do volume #36 é a mesma do volume #1, com seu único erro e seu grandes acertos.

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