Boku wa Tomodachi ga Sukunai – Haganai – Conclusão

Quando escrevi sobre Boku wa Tomodachi da Sukunai (ou Haganai) nas minhas primeiras impressões, escrevi de forma positiva sobre a série, ressaltando sua bom equilíbrio entre um drama simples e uma comédia moderada. Minha preocupação única se baseava no fato da abertura e do enredo mostrarem um alto potencial para o fanservice, algo que nos primeiros episódios não havia sido muito explorado. A série conseguiu manter o bom padrão inicial ou caiu nos erros de sempre desse tipo de material? Veremos.Para quem não viu, a série tem como protagonista o colegial Kodoka Hasegawa, jovem filho de mãe inglesa e pai japonês, possui um cabelo meio loiro, meio castanho, o que junto de suas atitudes mal interpretadas acaba sendo encarado como um deliquente em sua nova escola e não consegue fazer nenhum amigo. Junto da criadora Yozora, Sena, Yukimura, Rika, Maria e sua irmã Kobato, todos pessoas com problemas para conseguir conseguir amigos, Kodoka se junta ao clube que teoricamente seria voltado para resolver esse problema, mas que acaba se tornando um lugar para esse grupo se encontrar e se divertir.

Quem me conhece sabe a minha cisma com fanservice – principalmente quando ele se torna exagerado -, por isso vou tentar primeiramente analisar Haganai deixando isso de lado. A série mantém durante quase todos seus episódios uma boa média com situações cômicas, ainda que nada realmente engraçado e pequenos dramas que vão pontuando principalmente os três personagens principais, Kodoka, Sena e Yozora. Se você não se importar com fanservice é bem possível que ache esse anime um pouco acima da média e realmente gostoso de assistir.

Mas eu não consigo deixar esse ponto de lado. Os três primeiros episódios da série foram bem enganadores para mim. O fanservice estava ali, como eu comentei nas primeiras impressões, não dava pra me enganar, principalmente por causa da abertura. Mas era algo bem moderado, pequenas pitadas para agradar a um determinado público. Infelizmente com o passar dos episódios a coisa foi aumentando, passando do ponto que eu consideraria tolerável, principalmente em cenas envolvendo as lolis Kobato, irmã mais nova da Kodoka e Maria, professora e freira gênio da escola, ainda que bastante infantil.

Dentro de Haganai existia um tema central que era o da amizade, algo sumariamente ignorado pela série posteriormente. Mesmo quando o clube buscava emular um comportamento socialmente comum para “treinar” seus componentes, rapidamente isso era deixado de lado para o fanservice. Claro, é preciso ser justo também e dizer que por mais que os personagens não tenham percebido, ali naquele clube, eles já haviam encontrado amigos de verdade.

Mas ainda assim, aquele que deveria ser o clímax da história (SPOILER à frente), a descoberta da Kodoka de que Yozora na verdade era o amigo de infância Sora, único que ambos consideraram como um verdadeiro amigo, se tornou sem graça, mesmo após um penúltimo episódio bem executado e que deixou todos os espectadores ansiosos para o seu final.

Acredito que muito dessa escolha de não seguir para fortes emoções se dê pela fé dos produtores em boas vendas do anime, que possivelmente receberá uma segunda temporada, tão logo Ore Imouto receba também (intercalar sucessos é sempre uma boa ideia para os negócios). Pessoalmente eu não gosto de animes que não terminam em si mesmos por um ótimo motivo e se realmente acontecer uma sequência, não devo estar lá para acompanhar, mas pelo menos temos um sentido para o enredo lento no desenvolvimento das partes importantes.

Outro ponto fundamental são os próprios personagens da série. Todos são clichês, mas irrita um pouco o quão repetitiva soa a principal Yozora. Não sei vocês, mas eu acho tão chato essas personagens estilo “bitch”, muito do porque eu preferir a sensível Sena. Sendo um anime harém, não poderíamos esperar nada menos do que um fetiche em cada um. Temos até mesmo o trap que juntamente da fujoshi (diluída na figura da cientista Rika) vem se tornando muito popular nesse tipo de anime.

Contando com um ótimo trabalho dos dubladores, com um time de nomes pesados como Kanae Itou, Hanazawa Ayako e outros, Haganai agrada principalmente em seus quesitos mais técnicos, especialmente no que envolve a sonoplastia. Curioso notar nessa parte a inserção de pequenos sons na abertura em seu último episódio. Essa parte me chamou tanto a atenção que considero seu encerramento como um dos melhores do ano.

Boku wa Tomodachi ga Sukunai, como disse, deve agradar muitas pessoas, principalmente àquelas com menos ressalvas quanto ao que assistir em um anime. Mesmo com a ótima animação do estúdio AIC Build, porém, a série não passa de algo mediano que deve ser esquecida com os anos.

Quando escrevi sobre Boku wa Tomodachi da Sukunai (ou Haganai) […]