Hoshi no Koe – The Voices of a Distant Star – Editora Panini

Makoto Shinkai é dos mais aclamados diretores da nova geração japonesa, sendo algumas vezes comparado com o mestre Miyazaki. Apesar de ter sua primeira animação lançada em 1998, foi na década 2000 que começou a fazer seu grande sucesso de crítica com obras como Voices of a Distant Star (Hoshi no Koe no original) – produzido inteiramente pelo próprio Shikai, chamando atenção por sua grande sensibilidade e uma fotografia belíssima.

Como já é normal na indústria de entretenimento japonesa, o sucesso desse filme resultou em obras relacionadas, como uma novel lançada ainda em 2002 e um manga publicado pela editora Kodansha no ano de 2004 com roteiros por Makoto Shinkai e ilustrações de Mizu Sahara.

A história tem o mesmo rumo do filme, mas extende um pouco a resultado das relações dos personagens. Mikako Nagamine e Noboru Terao são dois grandes amigos – apesar de que fica claro desde o começo o sentimento mais íntimo que um sente pelo outro, mesmo em uma relação não tão próxima típica de obras japonesas – inseparáveis e sempre em contato um com o outro utilizando-se do celular. É por esse mesmo meio de comunicação que ambos continuam conversando mesmo após Nagami ser escolhida pela ONU para embarcar em um expedição em busca da raça alienígena Tharsian, descoberta em Marte no ano de 2039.

Com a partida da garota, resta aos dois um relacionamento à distância que com o maior afastamento dela para os lugares mais longínquos do universo faz com que as mensagens enviadas pelos celulares demore cada vez mais tempo para chegar: horas, dias, meses e até longos anos. Enquanto no espaço a adolescente Nagamine sofre com a solidão e falta do amor de Noboru, na Terra o garoto cresce em dúvidas se continuar insistindo em um relacionamento como aquele faz realmente sentido.

Se no longa-metragem a falta de recursos e mão-de-obra obrigaram o diretor a resumir a história em seus dois protagonistas (tanto que além desses, existe apenas uma terceira voz em todo filme), na versão em manga de 10 capítulos o autor se permite esticar mais o elenco, incluindo personagens que ajudam os protagonistas a refletir melhor sobre seus próprios sentimentos com tudo aquilo que enfrentam.

Makoto Shinkai consegue em Hoshi no Koe – The Voices of a Distant Star criar uma obra muito emocionante com um plot incrivelmente simples. Sua obra possui uma sensibilidade poucas vezes vistas em romances japoneses, mesmo no gênero shoujo/josei. Aliando tudo isso com um toque de ficção científico, sem que este lado se sobrepuja ao que realmente importa: os protagonistas e as incertezas de um relacionamento.

A edição da Editora Panini, lançada em Novembro de 2010 ao preço de R$10.90 (que a partir de 2012 será o preço padrão da editora) não difere muito do padrão decente que a Panini trás em seus mangas (apesar das recentes reclamações referentes às páginas finas demais que eu ainda não tive contato). Um dos charmes dessa edição está nas contra-capas do manga, onde uma belíssima imagem se divide em duas, totalmente à cores, mostrando o incrível trabalho de Mizu Sahara com suas cores aquareladas.

Mas se temos nas contra-capas esse bonito trabalho, é uma pena que o mesmo não se repita nas páginas coloridas internas que vieram em preto & branco, algo comum no Brasil e que infelizmente não sei se irá mudar tão cedo. Sendo uma obra de volume único com o preço maior, teria sido interessante esse capricho maior. Os textos fluem bem e não encontrei nenhum erro gramatical/ortográfico/de digitação.

Entre os mangas lançados no Brasil, Hoshi no Koe – The Voices of a Distant Star certamente está dentro das melhores opções, seja para quem quer um traço bonito e diferente ou um enredo simples, mas bem trabalhado. O tratamento gráfico brasileiro nos faz perder parte da beleza de tudo, mas ainda assim é uma experiência especial, muito recomendado.

Makoto Shinkai é dos mais aclamados diretores da nova geração […]