Zucker – NewPOP Editora

O modo mais tradicional de se publicar mangas no Japão é pela sequência revista-encadernação. Se você está lendo isso aqui, muito provavelmente conhece pelo menos de nome revistas como a Shonen Jump, Nakayoshi, Lala, NewType e tantas outras. De acordo com sua própria periodicidade, capítulos de mangas são lançadas nelas para depois serem compilados em um volume encadernado, normalmente no formato Toukohon.

Apesar do sucesso que esse modelo obteve no Japão, aqui no Brasil ainda são raros os casos, podendo ser citados o recente Dragon Bride – A Noiva do Dragão que foi publicado nas páginas da revista Dragon Slayer e a iniciativa da Ação Magazine. Outro exemplo é o manga a ser comentado nesse post, Zucker.

Zucker – do alemão “Açúcar” –  obra do famoso estúdio nacional Studio Seasons, começou a ser lançado nas páginas da revista sobre a cultura pop japonesa NeoTokyo em Agosto de 2009 e se encerrou um ano após na edição de número #54, sendo publicado pela editora NewPop em Outubro de 2010 em um volume único, incluindo novas ilustrações para se adaptar ao novo formato.

A história é bem simples: Isadora Zuckermann recebe de herança após a morte de sua avó, Greta Zuckermann, a confeitaria Zucker, no sul do Brasil. Lá ela conhece Bento Guimarães, o tabelião local, responsável pelo processo de passagem dos bens da herança. Além dele, ao chegar na confeitaria, Dora conhece também o charmoso Edgar, sobrinho de Bento. No entanto, Greta fez questão de colocar no seu testamento que o seu livro de receitas não seria dado diretamente para a neta, mas que deveria ser disputado com o famoso e prepotente chef Victor Vitrunno.

Assim como seu nome já denuncia, Zucker é um doce para o paladar dos seus leitores. Dora, com sua ingenuidade e bondade legítima, vai contra o “malvado” Victor, que mesmo não sendo propriamente um vilão, representa tudo aquilo que a protagonista não é e que não combina com a delicada doceria herdada pela avó. O maniqueísmo é tão claro – e é óbvio que o manga foi pensado para ser dessa forma, não sendo um defeito – que após vencer a disputa pelo importante livro, Victor não consegue ter acesso aos seus segredos por não ter aquilo que é necessário para descobrí-los.

Se o clima de conto de fadas já era percebido desde as primeiras páginas, a introdução de mágica no enredo vem completar a sensação. Os pequeninos assistentes da cozinha que dormem nas xícaras terminam por deliciar o leitor que começou o título com essa propósito.

Digo isso porque é importante ressaltar o público a que Zucker se dirige. Mesmo que não tenha sido a intenção das autoras, não é uma leitura muita desafiadora para adultos, sejam homens ou mulheres. Tudo é simples demais. Ao ler o meu volume pensei como essa seria uma leitura perfeita para crianças. Com certeza é uma obra que um dia pretendo apresentar aos meus (ainda não existentes) filhos.

Com isso não quero diminuir o valor de Zucker, mas entendo quando alguém como o Panina Manina do Subete Animes fala mal da obra, é compreensível. Porém, imagino que a reação de uma criança entre seus 8, 10 anos, seria bem diferente.

A arte de Simone Beatriz é muito bonita e efetiva, lembrando um estilo de shoujo mais clássico (me lembra muito a arte de Sakura Card Captors), só sentindo um pouco a falta variabilidade dos cenários. Já os textos pecam um pouco pelo exceço de vontade em fazer parecer regional. Além disso, pude perceber com uma frequência relativamente grande problemas no uso das vírgulas, sem contar um “cheguei a pouco” que saltou aos olhos. Não é nada que comprometa a leitura, mas deveria ter sido corrigido em um trabalho mais minucioso de revisão.

O trabalho gráfico da editora NewPop segue o seu padrão, com papel offset de boa qualidade, capa cartonada resistente e uma boa impressão. Salvo os erros na revisão, não teria do que reclamar, vale o preço de R$14.00 (talvez pudesse ser um pouco menos, visto que são apenas 128 páginas).

No fim ainda temos uma outra história curta, Le Bal Masque, sobre uma brasileira que irá realizar um teste em uma prestigiada escola de dança. Como extra funciona bem, mas não é uma leitura imprescindível.

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