Crunchyroll e JBC – O que é preciso para dar certo?

Na última terça-feira fomos surpreendidos por um post “investigativo” do Subete Animes indicando uma possível parceria entra a editora JBC e o site de conteúdo asiático, CrunchyRoll (CR). Se você não o conhece, o CrunchyRoll é um site de streaming (exibição online, ao estilo Youtube) voltado para o conteúdo asiático, especialmente animes. Diferente de muitos outros sites de streaming, o CR licencia oficialmente seus conteúdos, cobrando do usuário uma taxa mensal para o acesso. Hoje o site possui os direitos para exibição online de mais de 200 animes e doramas, incluindo séries como Naruto Shippuden e Bleach ou títulos recentes lançados quase que simultaneamente com o Japão, como Usagi Drop e Nichijou.

Num período onde as vendas de discos de anime vem caindo nos EUA e a presença dos fansubs é muito forte, um modelo de vendas online baseado no acesso rápido a diversos animes se mostra uma saída muito boa. O Brasil nunca conseguiu se firmar no mercado de home-video de animes por motivos diversos (escolhas de títulos erradas, falta de pesquisa de mercado, produtos sem qualidade, cultura da pirataria etc), mas, sendo a maior economia da América do Sul, não poderia nunca ser esquecido pelas empresas desse ramo.

Apesar de diversos sites do ramo – Como o JBOX – terem noticiado posteriormente, não existiu nenhuma confirmação oficial por nenhuma das partes. Na verdade o gerente de comunicação da JBC, Léo Lopes, afirmou ao Diário Otaku que “a editora JBC não tem nenhum projeto de transmissão de animês online”. Não descretido a informação do Diário, mas tenho minhas dúvidas se essa negativa do Lopes não se dá apenas por não poder confirmar nada no momento. Chega a ser estranha a afirmação do mesmo de que desconhece o sistema de transmissão.

É esperar para ver.

Mas, e se for verdade? E se o CrunchyRoll estiver mesmo chegando ao Brasil pela JBC (possivelmente ajudando na logística local e nos trabalhos de tradução)? Será que dará certo? Pessoalmente eu acredito sim que pode ser um sucesso, mas para isso os envolvidos precisam atentar para certos detalhes:

Preço

Atualmente a versão americana do CR disponibiliza três pacotes: Drama Membership, Anime Membership e All-Acess Membership, juntando as duas categorias. Se você quiser ver só animes ou só doramas é preciso pagar $6.95/mês, algo em torno de R$12. Já se você quer o acesso completo são $11.95 ou aproximadamente R$20 na cotação atual. Pensando que pelo menos em um primeiro momento as novelas japonesas estariam fora disso e com esses preços, tendo em mente que estamos falando de um público-alvo voltado principalmente por adolescentes e jovens adultos, não chega a ser nenhum absurdo, é basicamente o preço da entrada de um cinema nas grandes cidades. Isso para ter acesso a material oficial, hey, nada mal. Mais do que isso se torna um pouco complicado, R$20/mês seria um preço que possivelmente não seria tolerado.

Catálogo

Hoje o site possui mais de 200 séries licenciadas como comentei anteriormente, mas são licenças feitas especificamente para o mercado americano. A não ser que a JBC esteja disposta a investir uma grana muito grande nisso, é difícil de imaginar que o catálogo inicial passe de 30 séries (isso já imaginando alto). Sendo assim, uma mistura bem estudada de séries clássicas, mais ou menos antigas e os lançamentos das temporadas mais recentes é indispensável para atrair o público, diferente do que a Animax realizou. Além disso, se espera uma boa seleção de filmes e OVA. Agradar a todos é impossível, mas é preciso ter bom senso e a escolha desses animes da grade inicial possivelmente selará o destino do projeto.

Qualidade técnica

Aqui temos o quesito mais suscetível à críticas. Uma tradução bem feita, rapidez na hora de lançar os títulos que ainda estão indo ao ar no Japão (até para não ficar atrás dos Fansubs) e a qualidade da imagem (disponibilidade do formato HD 720p no mínimo, o que já acontece na versão americana) são os mais importantes. Fã de anime tem a grande mania de proteger fansubs, considerando-o melhor do que os meios oficiais na maioria das vezes. É de se esperar pessoas falando que não assinam porque “não tem karaoke na abertura” ou que “o meu fansub faz melhor e de graça”. Não que eu ache que devemos aceitar qualquer coisa, de forma alguma. Mas não dá para ser radical com o primeiro erro que surgir, é preciso ter a visão de que faz parte do começo de qualquer empreendimento, só com críticas é que é possível mudar e melhorar.

Certo, agora imaginemos que eles disponibilizem um ótimo catálogo, bem diversificado, com as boas séries do momento, as populares, alguns clássicos. Também acertem na tradução, sejam rápidos na hora de lançar e com o formato HD. Tudo isso por um preço de, digamos, R$10! Seria um sucesso?

Bem… não exatamente. O que muitas pessoas criticam é a impossibilidade de baixar e ter os animes para si, algo muito comum com os fansubs. A questão é que isso deveria acontecer com um mercado de DVDs forte e a entrada do CrunchRoll poderia ajudar em muito. Quando já existe uma média do público de uma série, é bem mais fácil pensar num plano de vendas. Por exemplo, se já estivéssemos com tudo funcionando e Usagi Drop fosse o anime mais acessado e comentado oficialmente no Brasil, o lançamento dos seus DVDs estaria bem mais perto, ainda mais se pensarmos que a própria JBC já está dentro do mercado de dublagem.

Apesar do pessimismo de muitos, eu acredito que, seguindo tudo isso que escrevi, é possível sim ter um produto de sucesso. Há um tempo atrás as pessoas diziam que seria impossível lucrar com a venda de MP3 e hoje isso já é um mercado de milhões.

O Brasil é sim um país marcado pela cultura da pirataria e do acesso fácil, mas um serviço de qualidade sempre terá espaço no mercado. A rede de banda larga está em plena expansão no país (eu mesmo subi para 20MB esses dias) e deve ser o suficiente para o público-alvo. Apesar de tudo ainda estamos falando de um produto de nicho. E justamente por estarmos falando de algo voltado especialmente para fãs é que acredito. Fã, na maioria dos casos, dada a possibilidade concreta e boa, irá sim gastar dinheiro no que é oficial, até mesmo para ajudar os criadores.

Mas agora pergunto para vocês, o que é necessário para algo desse tipo dar certo no Brasil? Ou você acha que não teria como? A palavra é de vocês nos comentários!

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