Hourou Musuko – Conclusão

Hourou Musuko foi traduzido para o inglês como “Wandering Son”, sendo que “Wander” pode ser definido como “Seguir sem destino ou razões definitivas”. Com certeza não há melhor forma para resumir este belo anime que terminou na última semana no Japão, encerrendo mais um arco do bloco Noitamina ao lado de Fractale.

Nas minhas primeiras impressões sobre este anime eu ressaltei, além do incrível trabalho feito pelo estúdio AIC na animação, a grande sensibilidade com que o anime conseguia tratar de temas delicados como homossexualidade, transexualidade, formação da identidade, tolerância e preconceito. Não errei, pois em seus 11 episódios (o décimo episódio acabou sendo o condensamento dos episódios originais 10º e o 11º, serão apresentados separados apenas no lançamento dos Blu-Rays) Hourou Musuko falou de tudo isso sem perder em momento algum um caminho lógico, graças principalmente ao trabalho de direção de Ei Aoki, que apesar de se atrapalhar em alguns momentos no uso da passagem do tempo, conseguiu inserir esses temas em uma história instigante e emocionante.

No entanto, no fim o anime não é sobre nenhum desses temas mais polêmicos. Da mesma forma como Aoi Hana, da mesma autora original Takako Shimura, não é um anime sobre lésbicas, mas sim um romance com lésbicas, Hourou Musuko não é um anime sobre transexualidade ou travestismo, mas sim uma história sobre as indecisões da vida, no caso no início da puberdade, utilizando-se desses temas como pano de fundo. Como define a palavra “Wandering”, o anime é uma narrativa sobre as rotas indecisas da vida.

Pode-se questionar o final do anime, ao aparentemente não se apresentar solução para nenhum dos personagens, mas acredito que essa forma de conclusão foi mais um dos grandes acertos da série, pois a vida é assim, ela não tem finais, ela segue.

Elogio a série por não cair para o sensacionalismo, saída fácil para falar de determinados temas, seja em animes, filmes ou novelas. Não é para vermos Nitori como um garoto excepcional por seus desejos, não. Como diz a personagem Saori Chiba no final; “Eu achava que Nitori fosse especial”, ao que Takatsuki responde “Ele é, como eu, você…”. Aí está a genialidade da série, nenhum dos personagens é um espécie de escolhido da vida, eles são personagens vivos e plausíveis, diria de carne-e-osso.

A série que passa boa parte dos seus episódios fechada em um grupo de personagens, consegue com sua narrativa lenta, mas definitivamente progressiva, seguir até um clímax impressionante quando o foco recai no diferente e Nitori resolve ir com roupas femininas para a escola. Aqui o mundo aquarela de Hourou Musuko cai, a incrível tolerância das pessoas sobre o travestismo é desfeita em uma imagem que se não é real ou cruel, é emocionante, mostrando a dificuldade de ser o diferente quando só se quer ser mais um.

Infelizmente muitas pessoas fugiram do anime por “não gostar do tema”. Se você foi um desses, reveja sua escolha, temos aqui um daqueles animes que vai além dos seus temas aparentes para mostrar o que a arte de contar histórias pode fazer. No momento onde as aparências falam mais, Hourou Musuko mostra que o bonito também pode ter conteúdo.

Hourou Musuko foi traduzido para o inglês como “Wandering Son”, […]