Vitral – Manga Nacional – Editora HQManiacs – Vol. 1

Olá pessoal! Hoje eu estava passando pelo supermercado e aproveitei para dar uma olhada na banca do lugar e qual não foi minha surpresa ao encontrar dois mangas que eu não esperava que fossem chegar tão cedo em Manaus (na verdade eu nem esperava que fossem chegar por aqui). Aproveitando o momento que estou um pouco saturado de comentar muito sobre os novos animes de verão (daqui a pouco é primavera e eu ainda estou preso, argh!), hoje o post vai para comentar sobre um desses mangas que encontrei; Vitral.

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Não sei se já comentei aqui, mas há muito tempo atrás eu rejeitava os mangas. Sim, podem fechar o blog e irem ler sobre mangas em outros lugares. Mas é verdade, não posso negar. Lembro bem que eu pensava “Ok, animes são bem legais, mas quadrinhos em preto & branco? Leitura invertida? Dispenso”. O que me fez entrar nesse “mundo” não foi um “verdadeiro” manga (essa questão de manga verdadeiro ou não fica pra outro post pois é algo a ser muito bem pensado e escrito), mas sim uma HQ brasileira que se utilizava da estética manga, a famosa Holy Avenger.

Como jogador de RPG e leitor da saudosa Dragão Brasil, Holy Avenger conseguiu me captar de uma maneira que HQ’s japonesas não tinham acontecido até o momento e abriu a minha mente para essa “nova” forma de contar histórias. Sendo assim, não consigo entrar para o lado das pessoas que execram as produções nacionais que buscam emular a estética japonesa de quadrinhos. Na verdade eu procuro prestigiar esse conteúdo por que por mais que muitos acabem simplesmente copiando algo que não é nossa, querendo forçar contextos fora da nossa cultura, não deixam de ser formas de se comunicar e contar histórias através da arte, seja em que estilo.

Desta forma, sempre recebo com grande entusiasmo novos empreendimentos nesse estilo, por isso fiquei bastante empolgado com o anúncio de dois lançamentos feitos pelo Futago Estúdio de Manga, das irmãs Soni e Shirubana (Pelo que entendi são pseudônimos, os nomes verdadeiros são “Sônia” e “Silvana”). O primeiro foi O príncipe do Best Seller, que infelizmente ainda não tive a chance de ter em mãos, e o segundo foi Vitral, lançado  em 17 de Julho durante a Anime Friends, o primeiro Boys Love (Yaoi pra quem não conhece muito desse lado dos mangas) brasileiro a ser lançado por uma editora, no caso a HQManiacs.

Escrito e desenhado pela Shirubana, conta a história de dois rapazes (obviamente  dois bishounen), Daiji, filho de um grande astro da música pop, fadado a seguir os passos do pai, mas que tudo que quer na vida é uma vida normal. Já Tsumi, ao contrário da sua contra-parte, sonha em justamente o contrário, buscando o sucesso na música, tendo como ídolo justamente o pai de Daiji.

Me parece que a autora tem certa influência do grupo CLAMP e a forma como os dois protagonistas se encontram lembra um pouco algumas obras do grupo, dando aquela sensação de que o destino comanda a vida.

O roteiro não é exatamente muito original, mas consegue manter o leitor, mesmo alguns acontecimentos em algumas partes serem bem confisos, até por basicamente todos os personagens serem bishounen, dificultando um pouco a percepção do leitor.

Mas se o roteiro chega a ser interessante, fiquei meio decepcionado quanto ao traço da obra. Quando vi ilustrações da mesma achei que o nível de traço da desenhista estava em um nível mais acima, como é o da Érica Awano, mas a verdade é que ele tem um pé muito mais no fanzine do que nas produções profissionais.

Porém, isso não pode ser algo para impedir ninguém de ler. Certamente o traço é bem aleatório na sua qualidade, indo de ilustrações muito bem feitas, principalmente no ambiente físico, que tem um primor a mais, até a traços bem falhos, principalmente quanto às pessoas, que consegue ser realmente confuso em vários momentos. Mas quantos autores japoneses não começaram obras famosas com traços bem falhos e foram evoluindo com a produção? Sem vendas e produção profissional fica impossível que essa evolução necessária aconteça.

Por último, não poderia deixar de comentar o trabalho feito pela editora HQManiacs. A primeira coisa que percebemos é como a HQ é fina, se você achava o preço feito pela JBC em FMA um roubo, vai tomar um susto ao ver Vitral. Custa nada menos do que R$6,90 por meras 68 páginas! Claro, o trabalho gráfico é praticamente perfeito, desde sua capa fosca cartonada, um papel que lembra os bons tempos da Conrad, mas com uma qualidade de impressão ainda melhor! Vi alguns pequenos erros de revisão, mas realmente nada demais.

Aos fãs de BL/Yaoi, Vitral é uma compra certa, se vocês esperam que esse mercado se abra de vez por aqui, não deixem essa chance passar. Se você apoia o mercado nacional, também compre, faça suas críticas, mas é preciso ter algo em mente: sem vendas nunca teremos um mercado nacional de mangas ou quadrinhos. Vitral certamente tem diversos erros, mas em seus 12 volumes ele tem muito a evoluir e é somente com a opinião dos leitores e a possibilidade de autora continuar trabalhando que isso poderá acontecer.

PS: Quer conhecer mais sobre as autoras? Leia a entrevista feita pelo blog Blyme com elas, muito bom!

PS2: Apesar de ser BL/Yaoi, esse primeiro volume só demonstrou isso nas cenas extras, sem nenhum outro tipo de insinuação. Pode decepcionar um pouco os fãs desse estilo, mas é esperar para ver o que virá nos próximos volumes.

PS3: Algo que eu achei muito legal foi a dedicatória das donas do estúdio ao pai:

Dedicado ao nosso pai, Geraldo, que sempre nos deu apoio – Sônia  e Silvana

Olá pessoal! Hoje eu estava passando pelo supermercado e aproveitei […]