“Heróis Modestos” ou a beleza na simplicidade

Em 2018 a Netflix lançou Heróis Modestos, um filme formado por três curtas que têm a bela intenção de contar histórias simples e afagar os nossos corações. Mas eles conseguem fazer isso?

O primeiro dos três curtas se chama Kanini & Kanino, ele se passa em um mundo fantástico onde existem fadas e seres minúsculos que parecem humanos e que vivem debaixo da água. A rotina de um adulto e de seus dois filhos é buscar alimento e voltar para toca com o objetivo de alimentar eles mesmos, a mãe e seus irmãos menores. Até que um acidente ocorre, o pai acaba se perdendo e os filhos entram em uma jornada para reencontrá-lo.

Olhando em perspectiva, os três curtas têm como objetivo principal criar uma identificação do espectador para com os personagens e, com isso, gerar emoção. Infelizmente, alguns aspectos do primeiro curta acabaram me incomodando e, como resultado, me distanciando da história e dos personagens. Um desses aspectos foi o fato de que as únicas palavras que os personagens conseguem falar são os nomes uns dos outros. Com poucos minutos isso se tornou cansativo, parecendo aquele meme que o Sasuke e o Naruto ficam gritando o nome um do outro.

Além disso, houveram outros problemas, como personagens figurantes que desapareceram, e uma falta de habilidade em adequar personagens com características humanoides dentro do ambiente aquático.

O segundo curta-metragem se chama Life Ain’t Gonna Lose, que mostra como é a vida de uma criança com alergia alimentar. A princípio (para pessoas que nem eu, que não convivem com essa doença), parece que esse é um tema bobo e que só veremos um garoto perguntando “leva ovo na receita?” repetidamente, mas não é isso que acontece. Esse curta consegue mostrar como uma alergia alimentar influencia negativamente a vida de uma criança e das pessoas em sua volta. Seja por problemas que envolvem a escola, comer fora ou até mesmo o trabalho dos pais.

 

A principal qualidade desse curta é conseguir apresentar o desespero e a insatisfação que é viver uma situação parecida com essa ao mesmo tempo que também há a esperança de vencer esse problema, ou de, pelo menos, ter uma vida menos trabalhosa.

Por último, vem aquele que eu considero ser o curta mais interessante: Invisible. Sua sinopse é bem simples, nele você acompanha um dia da vida de uma pessoa invisível. É possível perceber dentro desse curta um conceito intrigante, em nenhum momento é explicado o porquê ou como o personagem é invisível. Isso cria uma dúvida se ele é invisível de verdade, se existe alguma explicação paranormal ou se ele se vê como uma pessoa invisível dentro da sociedade (já que dá para perceber algumas metáforas sobre a invisibilidade e questões como o convívio em sociedade e saúde mental).

Além disso, o curta também é visualmente interessante. Visto que os animadores conseguiram imprimir uma identidade própria nos cenários e utilizaram a invisibilidade de maneira criativa em algumas cenas.

Resumindo, eu poderia dizer que essa não é uma obra revolucionária, mas se você tiver alguns minutinhos livres e estiver com vontade de assistir algo reconfortante e com um final positivo, essa é uma ótima pedida.

Revisão: Karin Cavalcante