Mentalidade Mamba – Como a filosofia de Kobe Bryant se encaixa no mundo dos animes

Em 26 de janeiro, a lenda do basquete Kobe Bryant veio a falecer após um acidente de helicóptero ocorrido em Calabasas, região próxima a Los Angeles. Kobe teve, ao longo de 20 anos na NBA, uma carreira que por si só já renderia um anime próprio, recheado de vitórias, derrotas, brigas, superação e títulos.

Mas não só por sua vida dentro das quadras que o multifacetado atleta ficou conhecido. A  sua ética de treinamento, que no caso de Bryant estava mais para estilo de vida e filosofia, também se tornaram motivo de debate nos mais diferentes meios. 

Os princípios da Mentalidade Mamba passaram a ser aplicados por atletas de outras modalidades e até mesmo em ambientes distante dos esportes, como o mundo corporativo, encontrou seu espaço. E por ser uma linha de raciocínio que valoriza, acima de tudo, o esforço e a busca pela vitória/sucesso, ela também pode ser facilmente aplicada em uma série de animes.

Por isso eu separei aqui os 4 principais pontos da doutrina de Bryant e mostrarei como eles se casam com as mensagens que muitas vezes as obras apresentam.

Foco

Um dos pontos centrais da linha de pensamento e da carreira de Kobe é o foco, fundamental para se atingir os objetivos. Peguemos como exemplo Naruto e Gon Freecss. Ambos os personagem têm muito claro para eles desde do início o que pretendem alcançar. O primeiro busca se tornar Hokage, o segundo se encontrar com o pai.

Todas as decisões que eles tomam ao longo da trama são visando esses propósitos e mesmo quando o rumo da narrativa os afasta do caminho, sempre conseguem corrigir o rumo e retomar o foco.

Treino

Sem estudar, preparar e praticar, você está deixando o resultado para o destino. Eu não acredito no destino

Talvez a parte mais importante de toda a filosofia mamba é também uma das mais fáceis de se encontrar exemplos nos animes. Kobe era obcecado por treinos, sempre o primeiro a chegar e o último a sair do ginásio, indo embora somente muito depois dos demais colegas.

Essa obsessão com relação ao treino é facilmente reconhecida em boa parte dos animes, afinal quem não se lembra de Goku treinando durante dias em gravidade aumentada 50 vezes, o exaustivo treinamento sennin em Naruto, Midoriya limpando a praia ou até mesmo o surreal treinamento de Netero por 50 anos ininterruptos?

 

Aprender com o fracasso

Kobe chegou na NBA em 1996 com muitas expectativas ao seu redor, contudo, seus primeiros anos não foram nada fáceis. Foi reserva, jogou cerca de 15,5 minutos por jogo e teve apenas 7,6 pontos de média. Para piorar, teve uma péssima atuação justamente na partida decisiva da sua  temporada de estreia, errando 10 dos 14 arremessos tentados. 

Isso seria o fim da linha para muitos, mas não para Bryant, que mesmo após a atuação tenebrosa não vacilou e disse aos repórteres: “Errei hoje, errarei amanhã, mas acertarei muitas até o final da minha carreira. Pode escrever”.

Essa capacidade de aprender com o erros pode ser observada em várias obras, mas talvez em Steins;Gate seja ainda mais reconhecível, já que Okabe se vê preso em um looping temporal, fadado a múltiplos erros até que finalmente aprende com eles e encontra uma maneira de resolver o seu problema, salvando assim as pessoas que ama e evitando o caos mundial.

Superação

A dor não te diz quando você deve parar, a dor é aquela pequena voz na sua cabeça que tenta te segurar, porque ela sabe que se você continuar, você irá mudar

 

Superação pode até parecer um tema batido quando falamos de atletas, mas o lendário número 24/8 do Los Angeles Lakers levava isso a um nível completamente diferente. Destro, chegou até a jogar o final de uma partida com a mão esquerda, porque havia machucado seu ombro direito.

Essa característica também pode ser encaixada no mundo dos animes, basta lembrarmos de Seiya, cambaleante, subindo os degraus finais do santuário para salvar Atena, ou Yusuke, que ao achar que o amigo Kuwabara foi morto, supera seu esgotamento físico e desperta uma nova força para derrotar seu adversário.

Por todos esses aspectos, podemos entender um pouco sobre o modo de pensar de uma das figuras mais fascinantes, não só do basquete, mas do esporte mundial. Longe de ser perfeito, foi justamente suas falhas aparentes e seu desejo de superá-las que fizeram de Kobe alguém de quem não se podia ficar indiferente.

E mesmo que nenhuma filosofia, método de trabalho ou estilo de vida seja garantia de sucesso, talvez em algum momento possamos aplicar um aspecto ou outro da mentalidade mamba na nossa vida, assim como foi possível encaixá-la nos animes.

Revisão: Karin Cavalcante

Jornalista , editor do podcast do @BolsaNerd , redator do bolsa nerd blog e do Genkidama . See you , space cowboy...