A história de um dos maiores clickbaits dos Animes

Ah, os clickbaits, algo que surgiu em séculos passados com capas de jornais e de livros, mas com certeza evoluiu no século 21 em títulos de blogs e thumbnails de vídeos. Eu confesso que eu nunca achei que essa prática fosse chegar nos animes, mas ela chegou.

Tudo aconteceu numa tarde enfadonha em que eu não tinha nada para fazer e a Netflix acabou me recomendando um anime chamado Hero Mask, que tinha como capa essa imagem abaixo, com um cara usando a máscara do Guy Fawkes, e foi justamente nesse momento que eu fui fisgado.

Eu tenho uma baita paixão por V de Vingança, tanto pelo filme quanto pela história em quadrinhos. Eu acho fantástica a forma como foi desenvolvida essa figura de rebelião contra o status quo e como a história em quadrinho a utiliza para defender a anarquia enquanto o filme a usa para defender a democracia.

Nisso, a minha cabeça já estava borbulhando pensando nas possibilidades que existiam pelo fato do anime apresentar essa máscara. Se, na realidade, ela foi utilizada como símbolo de protestos para derrubar regimes e se tornou uma das marcas do maior grupo de ativismo hacker do mundo, as oportunidades para usar ela dentro de um anime eram praticamente infinitas.

Então eu comecei a imaginar um monte de coisas que poderiam acontecer. Pensei numa história onde o campo de batalha seria o mundo digital e hackers anônimos ao redor do mundo se reuniriam para tentar derrubar um governo autoritário. Depois eu imaginei uma história de rebelião das massas com grandes protestos, invasão do congresso, políticos apanhando e a explosão do senado. Aí, eu finalmente parei de imaginar coisas e fui assistir o bendito anime.

O primeiro episódio já começa no meio das manifestações, todo mundo com as máscaras e a minha expectativa foi aumentando. Nisso, o foco vai para um cara que é orientado por um ponto eletrônico pelo que parece ser um grupo policial. Após observar a multidão, ele encontra três suspeitos que usaram as máscaras para se esconder e fogem. Claro né, eu pensei, esses caras devem fazer parte do grupo revolucionário.

Daí começa uma perseguição de carros, com direito a batida e tiroteio, até que tudo acaba com os suspeitos caindo de uma ponte e com o agente da polícia dizendo que a missão tinha sido um sucesso. Não pera, como que a missão foi um sucesso? O episódio recém começou e essa foi a primeira perseguição contra os caras do grupo revolucionário, parafraseando o caracol raivoso, eu não entendi foi nada.

Dessa forma, para conseguir compreender o que estava acontecendo, eu segui assistindo ao episódio, na verdade eu assisti a quatro episódios seguidos e adivinhem? A porcaria da máscara e das manifestações não aparecem mais. O anime não tinha nada a ver com isso, na verdade ele é sobre uma conspiração que envolve a polícia, uma empresa com pesquisas misteriosas e pessoas que deveriam estar mortas, mas aparecem vivas e com poderes sobre-*humanos.

Sério, naquele momento não tinha tamanho a minha decepção. Como alguém pode colocar Hero Mask como o nome de um anime — HERO MASK — e usar como material de divulgação a imagem de um cara com a máscara do Guy Fawkes, sendo que isso só aparece uma vez no anime como forma de introduzir um personagem? Se eles não fizeram isso como um clickbait então não sei por qual razão foi.

E digo mais uma coisa, vários blogs e canais do YouTube que fizeram resenha do anime se aproveitaram desse clickbait, porque eles acabaram usando nas postagens e nas thumbnails a desgraça da imagem do cara com a máscara do Guy Fawkes.

De qualquer maneira, hoje em dia já é impossível acabar caindo nesse clickbait. Não sei se foi por causa de reclamações de assinantes ou problemas com direitos autorais, mas a Netflix acabou modificando a imagem em destaque do Hero Mask para alguns takes aleatórios do anime. Só a Thumbnail que eles usaram no trailer de divulgação no YouTube sobreviveu. E eu, pelo menos, tenho a história de um dia que passei raiva pra contar.

Mas me diz uma coisa: e você? Já conhecia esse anime?  E, por acaso, tu caiu nesse clickbait?

Revisão: João Pedro Boaventura