Dragon Ball GT: Final Bout – Review

Versão em áudio: https://drive.google.com/file/d/1gEqCfieQo-OQSoMuYmOr6oMa5YPQqtnq/view?usp=sharing

Com a chegada de Dragon Ball Z Karkarot e o grande hype com os games de Dragon Ball, decidi iniciar um novo tipo de quadro no Genkidama, no qual irei resenhar todos os principais games de Dragon Ball em três dimensões. E não existe melhor maneira de começar do que com o primeiro jogo totalmente em 3D da franquia, o polêmico e amado Dragon Ball GT: Final Bout para o console de Playstation One.

Conceito

 

Dragon Ball GT: Final Bout é um jogo de luta em cenário e câmera 2D mas com modelagens em 3D, hoje algo visto com pouca novidade mas em sua época algo que chamava bastante atenção. O jogo se baseia na ultima série de Dragon Ball, em sua época Dragon Ball GT, uma série que já era divisora de opiniões por si só, já que não seguia a essência de sua série anterior, a amada Dragon Ball Z, por buscar um clima mais aventureiro e menos épico de ação. Porém, os criadores do jogo, que foi baseado nessa ultima série, decidiram ir por um caminho mais seguro e focar no elemento da ação que os fãs tanto gostavam.

Mesmo sendo um jogo baseado em Dragon Ball GT, ainda apresenta elementos e personagens de Dragon Ball Z, para agrado de ambos os fãs. O jogo aborda apenas a saga de Baby do anime, porque na época de seu lançamento esse era o arco que estava em exibição. Mas será que o primeiro jogo de Dragon Ball em 3D cumpre as expectativas?

Gráficos

No aspecto gráfico, infelizmente, não. Não me entendam mal, essa é a época do Playstation 1 e Nintendo 64, um tempo em que depois de anos com desenvolvedores acostumados a fazer jogos em 2D era necessário se adaptar ao novo mercado e criar jogos em três dimensões. Um novo tipo de mercado e novos tipos de motores gráficos, nem todos os jogos saíam com o mesmo nível de qualidade gráfica. Porém, Final Bout foi lançado no final de sua geração de consoles, por isso não tem desculpa, já existiam games em 3D de luta que também começaram com gráficos poligonais limitados e foram progredindo com o tempo, como a saga de jogos de luta Tekken, que possuí o mesmo tipo de proposta. Se compararmos os gráficos de Tekken 2 e 3 com os de Dragon Ball GT: Final Bout dá para perceber a grande diferença de qualidade.

Os personagens parecem muito poligonais, extremamente lentos, seus rostos são quase inexistentes, seus movimentos são muito limitados. Na época, pelo fator nostalgia, era bastante considerável, mas re-jogando nos dias de hoje dá para perceber o quanto o jogo envelheceu.  Mesmo assim, não considero os gráficos como o ponto mais importante de um jogo, por isso é bom considerar a jogabilidade.

Jogabilidade

Não existem muitos modos de jogo, existe um modo Arcade com um Boss, e um modo batalha padrão. Não possui um modo história, o que decepciona muitos fãs que queiram reviver as sagas de Dragon Ball, um erro que jogos posteriores e anteriores não cometeram.

Como um jogo de luta, ele segue a fórmula padrão de muitos games desse estilo, uma câmera 2D, ataques comuns físicos e ataques de Ki (rajadas de energia), porém, de forma bastante limitada.  Enquanto os jogos de luta se preocupavam com uma série de personagens com ataques únicos e diferentes maneiras de se jogar, esse jogo vai pelo lado mais simples, todos os personagens tem os mesmos tipos de combos e são controlados da mesma maneira, uma maneira de simplificar o jogo e de prezar o número de personagens, e não a individualidade. Essa fórmula seria adotada em mais jogos de luta baseados em animes no futuro, uma maneira de oferecer todos os personagens que os fãs mais pedem do anime e economizar bastante tempo, com isso sacrificando sua individualidade e balanceamento no combate em troca de satisfazer as necessidades dos fãs.

Como dito anteriormente, é um jogo que não pretende ser competitivo e a única característica especial que diferencia cada personagem são os ataques especiais que executam, mesmo que muitos ataques ainda se repitam. Mas nem todo fã de anime quer jogar um jogo competitivo, eles querem um jogo que seja divertido como um gameplay sólido e que ainda satisfaça suas necessidades como fãs, por isso os jogos de Dragon Ball fazem tanto sucesso e são produzidos até os dias de hoje. Porém, o jogo ainda peca em conseguir um gameplay que seja, no mínimo, sólido.

Os personagens são lentos, os ataques são repetitivos e ganhar ou não muitas vezes vai ser definido mais pela sua sorte que pela sua habilidade. Uma gameplay tão bagunçado, que não consegue cumprir com o mínimo, pode gerar muitas diversões e memes, uma das razões desse jogo ser lembrado até os dias de hoje.

As novidades que o jogo apresenta em relação a outros jogos de luta são as mecânicas únicas do universo de Dragon Ball, como a capacidade de voar e chocar ataques de energia. A maneira de executar os super ataques, como o famoso Kamehameha, é por meio de animações que podem ser bloqueadas pelo oponente e confrontadas com determinada combinação de botões. Essa é a mecânica mais original do jogo, em que super ataques são executados em pequenas animações que podem ser rebatidas, porém, por mais original que seja, é algo que pode quebrar o ritmo de cada partida, uma luta terá que ser pausada para apreciar tais animações, um erro que os games da franquia Budokai (que resenharei em seguida) conseguiu corrigir. Um detalhe tão pequeno como uma pausa para assistir uma animação pode quebrar todo um ritmo do combate em um jogo de luta. Mesmo assim vou dar um crédito por pelo menos tentarem introduzir um novo sistema para o jogo ao invés de ir pelo caminho sem risco.

Conclusão

Tenho que admitir que o jogo possui um alto valor nostálgico para mim, assim como para muitas pessoas que jogaram em sua época. Mesmo com  gameplay bagunçado e péssimos modelos de personagens, é justamente esse monte de vergonha alheia que faz o jogo ser tão divertido de se jogar e ser tão relembrado. Sendo para fazer memes ou para reviver o sentimento de nostalgia, ainda é um jogo que vale a pena resgatar. Isso significa que o jogo tenha qualidade? Com certeza não, a nota que merce de forma justa é um 2.  Mesmo assim, se você é fã de Dragon Ball e nunca jogou, recomendo experimentar, é um início que, mesmo começando mau, deu base para muitos ótimos jogos baseados na franquia, que viriam no futuro.

Obrigado por lerem e até a próxima resenha, no qual começarei a falar sobre a franquia Budokai.

Um agradecimento especial a corretora Karin Cavalcante! Valeu aí, garota.

Revisão: Karin Cavalcante.