Fairy Gone – Primeiras Impressões

Ajin versão fadinha?

Fairy Gone é um anime de fantasia com ação e aventura, roteiro original, feito pelo estúdio P. A. Works (Angel Beats) e dirigido por Kenichi Zusuki (Drifters). Apesar do anime ser original, a editora Kodansha já anunciou uma adaptação para mangá que será lançada a partir de maio desse ano.

Sinopse: Fadas possuem e residem dentro dos animais, concedendo-lhes poderes especiais. Ao remover cirurgicamente e transplantar os órgãos de um animal possuído em um humano, os humanos podem parcialmente invocar a fada e usá-la como uma arma. Eventualmente, esses indivíduos foram usados ​​para a guerra e foram chamados de “Soldados Fadas”. Após o fim da guerra, esses soldados perderam seu propósito e tiveram que se reintegrar à sociedade. Nove anos após o fim da guerra cada um desses soldados tomou um caminho diferente, alguns trabalhando para o governo e outros para a máfia, criando um conflito entre cada uma das organizações.

 

 

Broxante seria o termo correto pra definir o primeiro episódio de Fairy Gone, que a principio vendeu uma propaganda muito boa, mas não conseguiu corresponder nem a metade do que se esperava. A começar pela introdução confusa… Infelizmente alguns animes originais (Concrete Revolutio é um exemplo) tendem a criar um mundo com tantos elementos próprios, com uma geografia intrínseca, contagem de ano próprio e excesso de poderes despejados para o espectador, que ao invés de cativar, acabam por afastar o público.

Mariya e Verônca são duas sobreviventes de um vilarejo chacinado quando ambas eram crianças e o destino de alguma forma as separou. Anos mais tarde Mariya entra pra máfia acreditando ser a única forma de encontrar Verônica novamente, no entanto quando isso acontece, é numa situação conflitante em que ambas se veem em lados opostos e Ver já é alguém completamente diferente de quem Mariya conheceu um dia. A ideia de duas personagens unidas por uma lembrança calorosa, mas agora se vendo obrigadas a lutar uma contra a outra por objetivos opostos, pode gerar um plot interessante se o roteiro souber trabalhar bem isso.

No entanto, exceto pela conexão de ambas, o episódio não conseguiu passar qualquer tipo de profundidade a ponto de puxar para a continuação. Sinceramente quando eu terminei de assistir, o que sobrou foi uma profunda sensação de “tanto faz”. Os poderes dos Soldados Fadas me pareceu uma versão Ctrl + V de Ajin, em que os personagens geram uma espécie de fantasma negro (que seria a fada) para lutar com eles contra o inimigo, com a facilidade aparente de poder evocar quantas vezes quiser, sem haver qualquer tipo de limitação ou cansaço consequente. Isso me incomodou em alguns momentos, porque passa a sensação de que todo mundo é invencível e as lutas são superficiais.

Apesar da decepção no roteiro, não se pode falar o mesmo da parte visual do anime. A animação é bastante fluída e as cenas de ação não foram poupadas nesse primeiro episódio. As fadas feitas em CGI causam certa estranheza em alguns momentos, mas na maior parte do tempo não me incomodou. Além disso o anime fez escolhas bem sábias de colorização com uma introdução enevoada destoando as cenas da cronologia atual, com escalas de cinza passando o sentimento de perda dos personagens durante a guerra. Até mesmo a cor do cabelo das personagens principais demonstra a personalidade oposta e o choque ideológico entre ambas.

O design dos personagens é muito bonito. A trilha sonora em geral foi competente passando dramaticidade e adrenalina nos momentos certos. A Opening é OK, visualmente interessante, mas a música é bem genérica estilo batlle shonen; a ending passa batido facilmente.

Minha conclusão final é que esse episódio podia ter sido muito melhor em vários aspectos, mas apesar da decepção eu vou dar mais uma chance e ver se ele consegue tirar essa má impressão no próximo episódio.

    Artesã, fotógrafa, escritora, otaku, comilona, amante de gatos e dança. Viciada em cheirar livros! Mora no estado de São Paulo. Escreve no blog do Gyabbo! desde 2014.