10 mangas que ninguém esperava, mas adoraram!

Ninguém pediu, mas ainda bem que nossas editoras trouxeram! 10 mangas que nos surpreenderam positivamente ao chegarem no Brasil como desconhecidos.

Astral Project (Panini)

Lembro até hoje de quando cheguei ao centro de Manaus em fevereiro de 2011, fucei algumas bancas atrás de outros títulos e dei de cara com esse manga. O que uma capa bonita e estilosa não faz conosco, não é mesmo? Astral Project entregou o que eu esperava e muito mais.

Não é nenhum clássico, mas mostrou-se interessante principalmente por sua história que remetia a pontos mais sérios e realistas, com um certo misticismo melancólico. Com seus poucos quatro volumes, certamente foi uma ótima surpresa para quem deu uma chance.

Blood Lad (Panini)

No mesmo ano de 2011, mas agora já próximo do seu final, a Panini resolveu apostar em um desconhecido shounen sobrenatural que rapidamente conquistou muita gente. Na época, quando o Gyabbo! despontava como um blog de referência ao público e o Twitter reunia muitos fãs de animes e mangas, o manga do estranho vampiro era praticamente um consenso.

Divertido, descompromissado, boa arte e referências, tudo fazia de Blood Lad pura diversão. Depois ainda tivemos um anime (meia boca), o que só ajudou a manter o título como muito falado, mesmo depois de difíceis esperas por volumes novos.

Gourmet (Conrad)

Esses dias o Leo Kitsune do Video Quest lançou um vídeo com boas recomendações de animes e mangas adultos. Fugindo do clichê violência-nudez-sangue, Kitsune mostra títulos que falam realmente sobre a experiência adulta, especialmente de pessoas da faixa etária dele, onde eu também me encaixo. Trago isso para destacar que Gourmet encaixa-se perfeitamente nessa categoria, ainda que a partir de uma experiência diferente da nossa.

Publicado em 2009 pela Conrad, Gourmet ainda hoje passa batido pela maioria do público leitor de mangas, mesmo aqueles mais acostumados com obras mais maduras e/ou undergrounds. Quem leu, no entanto, foi agraciado com um controle de narrativa em histórias em quadrinhos que poucos autores conseguem alcançar. Acompanhar um assalariado japonês enquanto ele descobre locais e sabores parece monótono, mas Jiro Taniguchi transforma isso em um singelo, mas relaxante passeio quase nostálgico, ainda que nunca tenhamos estados no Japão.

Hiroshima – A Cidade da Calmaria (JBC)

Em tempos de notícias falsas, revisionismos históricos criminosos e deturpação de eventos passados em prol de narrativas duvidosas, Hiroshima – A Cidade de Calmaria torna-se uma das mais importantes leituras não apenas para fãs de mangas, mas para toda sociedade.

Poucas vezes a JBC saiu tanto da caixinha padrão de mangas, trazendo uma obra de arte pouco apreciada, algo revelado inclusive pelo próprio editora Marcelo Del Greco posteriormente. Ninguém esperava, ninguém comprou, mas todos deveriam ler as sensíveis impressões de Fumiyo Kouno sobre um dos eventos mais terríveis da história humana.

Hoshi Mamoru Inu – O Cão que Guarda as Estrelas (JBC)

Depois de Hiroshima, possivelmente em razão do fracasso de vendas, demorou bastante para a JBC arriscar em outro título parecido. Exatos 4 anos e um mês depois. Enquanto o título anterior trabalha muito bem com os horrores da própria história e natureza humana, O Cão que Guarda as Estrelas remonta uma história mais próxima, porém não menos emocionante, nos fazendo refletir sobre nossa própria existência e o que realmente é importante para nós.

Tão desconhecido quanto Hiroshima, O Cão parece ter tido um retorno melhor. Tanto que no ano seguinte foi publicado O Outro Cão que Guarda as Estrelas, tão bom quanto.

Kekkaishi (Panini)

Pobre Kekkaishi. Seus 38 compradores até hoje rezam aos deuses dos mangas por um milagre. Aclamado por sua qualidade, esse shounen de ação foi um dos piores cálculos já feitos por uma editora. Em uma época em que saia Naruto, Bleach, e Hunter x Hunter, para citar só alguns pesos pesados, foi uma péssima escolha jogar nas bancas uma obra boa, mas completamente desconhecida pelo público.

Quem leu relembra a bela arte, as cenas de ação bem quadrinizadas, o roteiro ao mesmo tempo padrão e diferente. Quem não leu nem sequer lembra que isso um dia existiu, ou apenas tendo a vaga lembrança de uma manga estranho que durou pouco mais da metade seus 35 volumes originais aqui no Brasil.

Planetes (Panini)

Ok, esse manga teve um anime. Mas convenhamos, quase ninguém viu. Ainda assim a Panini arriscou e nos pegou de surpresa não apenas pelo título, mas pela forma como ele veio, inaugurando o formato com acabamento melhorada que hoje ela usa em tantos títulos.

A importância de Planetes foi tão grande que o retorno dele garantiu que essa forma de lançar mangas continuasse, o que no permitiu, por exemplo, ter o incrível Vagabond em ótima edição.

Shiki no Zenjitsu – The Wedding Eve (Panini)

O título mais recente dessa lista (será que as editoras estão tentando jogar de maneira mais segura?), The Wedding Eve foi um gigantesca surpresa. Além de ser completamente desconhecido, o manga ainda é um josei e veio com um bom acabamento, no mesmo estilo de Planetes que comentamos ainda há pouco.

Um volume com uma coletânea de histórias sensíveis, tranquilas, reflexivas. Todas apresentadas com uma lindíssima arte de Hozumi. Os outros são mais difíceis de encontrar, mas esse é fácil, fácil, recomendo correr atrás.

Sunadokei (Panini)

Outro título que me remete às minhas idas ao centro de Manaus. Em uma época em que ainda era possível experimentar às cegas os primeiros volumes de uma obra que chegava às bancas, Sunadokei chegou de forma desconhecida para logo se tornar um dos meus mangas favoritos já publicados no Brasil.

Se o traço bonito já não fosse chamativo o suficiente, Hinako Ashihara trabalha o tema do suicídio como eu nunca havia visto anteriormente em um quadrinho japonês. É claro que para durar 10 volumes foi preciso se arrastar um pouco, o que compromete a coesão da obra, mas ainda assim uma belíssima surpresa.

Zero Eterno (JBC)

Outro título da JBC a apresentar com maestria uma parte importante da cultura e da história japonesa, dessa vez focando nos famosos kamikazes. São cinco volumes para adaptar em um manga seinen um famoso livro que fez muito sucesso no Japão.

Aqui no Brasil foi anunciado no começo de 2015, no mesmo Henshin Online de outra pérola, Vitamin. Curioso que ambos os títulos, apesar da alta qualidade e temas importantes, pouco foram falados nos meses posteriores.

Criador e editor-chefe do Gyabbo!, mora em Manaus no Amazonas e é formado em Psicologia na Universidade Federal do Amazonas.