12 mangas que ainda não entendemos porque vieram ao Brasil

Eu não pedi, você não pediu, ninguém pediu! Mas mesmo assim eles trouxeram.

Nessa lista vamos conferir doze mangas que ninguém queria, mas ainda assim nossas editoras acharam que seria uma boa.

Ageha (JBC)

Começando com um dos mais recentes da nossa lista. A editora JBC anunciou no final de 2014 durante a CCXP o seinen de dois volumes. Mesmo sendo do mesmo autor do clássico – mas também não muito popular – Excel Saga, Ageha pegou todos de surpresa ao ser anunciado junto de Nanatsu no Taizai e Steins;Gate.

Esse ofuscamento inicial não precedeu um inesperado sucesso. Tirando sua capa bonita, poucos parecem ter comprado e ainda menos pessoas sequer lembram que esse manga um dia passou por aqui.

Bijojuku / Otomental / Galism / Colégio Feminino Bijinzaka (Panini)

Praticamente um pacotão. Em uma época em que as editoras ainda não fugiam de shoujo como eu fujo das responsabilidades do trabalho até o último momento possível, a Panini publicou entre 2007 e 2010 quatro obras curtas da autora Mayumi Yokoyama, possivelmente tentando repetir o sucesso de Hino Matsuri (MeruPuri e Vampire Knight) ou de Kaori Yuki (Angel Sanctuary).

O problema é que as obras não apenas eram completamente desconhecidas como tinham pouco a oferecer com suas histórias curtinhas. Não me entendam mal, eu particularmente me diverti com Bijojuku e Bijinzaka, mas convenhamos que em uma época em que títulos como Lovely Complex eram tão falados pela internet, ninguém entendeu essa escolha da editora italiana.

Bullet Armors (JBC)

Como parece ser mais seguro apostar em um shounen genérico e sem carisma do que em um josei realmente bom, 2015 foi o ano em que a JBC resolveu publicar Bullet Armors, um manga com arte confusa, enredo terrível e desenvolvimento próximo a de uma produção amadora.

Para não ser injusto, no mesmo ano a editora lançou o esperado Vitamin, interessante shoujo de Keiko Suenobu, e o aclamado ex-shoujo Orange, o que apenas deixou Bullet Armors ainda mais deslocado.

Jigokuren – Love in the Hell (JBC)

O ano de 2015 foi um ano curioso para JBC. Com seus 33 lançamentos tivemos obras marcantes como Parasyte, Nanatsu no Taizai e Eden, os relançamentos de Hellsing, Another e Chobits, além de interessantes títulos como Orange, Limit, Vitamin e Zero Eterno. Por outro lado, além dos já citados Ageha e Bullet Armors, o completo desconhecido Jigokuren – Love in the Hell apareceu em fevereiro.

Quando eu penso nas reuniões e negociações para trazer novos títulos, é claro que imagino os japoneses tentando empurrar todo tipo de tranqueira, mas ao mesmo tempo gosto de acreditar que os negociadores brasileiros fazem sua parte selecionando apenas obras que realmente acreditem ter qualidade, ainda mais se não forem conhecidas por aqui. Esse definitivamente não é o caso de Love in the Hell, um forte candidato a um dos piores mangas já lançados em nosso país.

Karin (Panini)

Sem anime famoso próximo para fazer propaganda.

Longo o suficiente para não ser uma compra por impulso.

Já longe da moda dos vampiros que rondou o ocidente pós Crepúsculo.

Autora desconhecida por aqui.

Qualidade discutível, mesmo para um comédia bobinha.

Alguém me explica como algum dia Karin veio parar – sem ser congelado – no Brasil?

Koroshiya-San (Nova Sampa)

Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar que a Nova Sampa tinha vindo para ficar? Entre um série de escolhas duvidosas (entre elas relançar um caríssimo Vagabond do meio da coleção) a que mais me chamou a atenção foi a escolha de publicar Koroshiya-san.

Além de características que nossos títulos anteriores já apresentaram – falta de sucesso no próprio Japão, autores desconhecidos, tema sem apelo, qualidade duvidosa -, Koroshiya-san ia além e era um yonkoma, estilo de tirinhas cômicas de quatro quadros.

Eu imagino os pobres 14 compradores que olharam para essa capa, viram um cara badass com uma arma na mão e adquiriram esperando um manga de ação e comédia ao estilo de Hitman da própria Nova Sampa. No lugar encontraram uma comédia estranha que pouco dava para aproveitar pois o trabalho de tradução, edição e revisão do manga foi ridículo.

Ninja Slayer (Panini)

Dava pra sentir o frio da geladeira durante o evento de lançamento de One Punch Man quando esse manga foi anunciado. Apoiado em um anime lançado um ano antes no Japão, o manga publicado pela Panini surpreendeu por ter uma pegada COMPLETAMENTE diferente.

Talvez esperando sair do nicho de mangas e pegar fãs em geral que veriam a imagem de um ninja mais clássico – só que muito estiloso – na capa do primeiro volume, a Panini conseguiu apenas ter mais um manga com baixas vendas, reajustado e que sai quando deus permitir. Boa sorte aos colecionadores.

Otogibanashi wo Anata ni – Contos de Amor Para Você (Panini)

Tenho uma raiva em especial por esse título. Um dos últimos daquela leva de shoujo curtos, Contos de Amor Para Você resume em que uma estratégia não muito bem pensada pode resultar. Ninguém conhecia esse manga. Poucos conheciam a autora (eu era um deles, ainda sonho com Penguin Brothers por aqui). Os “contos” de cada volume são horríveis. Simplesmente não havia sentido algum em lançar isso. Mas lançaram.

O resto é história, logo depois a editora se afastou por um bom tempo de volumes únicos shoujo, provavelmente em razão das baixas vendas. Mas aí eu pergunto: Tem culpa o leitor por não comprar obras ruins que nem deveriam ter vindo?

Tiger & Bunny / Tiger & Bunny – Anthology (Panini)

“Ué, como assim Tiger & Bunny era inesperado?” você pode perguntar.

Nesse caso o problema não está no título em si, mas no timming. A franquia dos super heróis patrocinados por si só já chamaria muito a atenção do público, mas em 2011, ano em que o anime fez um enorme sucesso. Em 2013, quando chegou ao Brasil, ninguém mais ligava para Tiger & Bunny, muito menos para uma quadrinização da mesma história e um antologia acessória desnecessária.

Resultado: Mais um para geladeira.


E você? Que outras títulos você acha que não faz sentido terem sido publicados por aqui?

Não se prenda à qualidade. Alguns mangas ruins tem uma série de motivos para serem lançados, fazem total sentido (estou olhando para você, Neon Genesis Evangelion: The Iron Maiden 2nd).

Criador e editor-chefe do Gyabbo!, mora em Manaus no Amazonas e é formado em Psicologia na Universidade Federal do Amazonas.