Animes do Netflix – B: The Beginning

B: The Beginning tem deuses, estrelas, serial killers e algumas doses de sangue bem batidos no liquidificador. O resultado é… bom?

B: The Beginning é um anime original de 12 episódios, do estúdio Production I.G. Sua estréia mundial foi em 02 de março de 2018, na Netflix.

Sinopse: no reino de Cremona, o investigador Keith Kazama, do RIS (Royal Investigation Service) trabalha para descobrir quem é o serial killer apelidado de “Killer B”. Nessa investigação, o misterioso Koku pode ser um aliado ou inimigo.

Se você está procurando uma trama policial com ares de conspiração e elementos fantásticos, provavelmente vai gostar de B: The Beginning. O novo anime do Netflix tem tudo isso e mais um pouco. É uma boa diversão para um domingo chuvoso.

Isso não quer dizer que o anime não tenha problemas. Ele tem vários. Mas vamos começar pelas partes boas.

O character design é limpo, bonito, e permanece consistente a maior parte do tempo. Não é especialmente estiloso ou original, mas tem uma boa variedade de tipos físicos. Outra coisa bacana é ter um adulto (que realmente parece um adulto!) como um dos protagonistas.

A história conseguiu sustentar o meu interesse pela maior parte dos seus 12 episódios, ainda que tenha sido cansativo em alguns momentos. Mesmo percebendo alguns problemas, fiquei curiosa o suficiente para clicar no próximo episódio.

Outro ponto positivo é que há um bom equilíbrio e interação entre os dois núcleos do anime, um protagonizado por Keith Kazama, e outro pelo jovem Koku. Ainda que alguns relacionamentos entre personagens desses dois núcleos seja um pouco forçada, no geral a história flui bem.

A animação é boa na maior parte das cenas de luta e enquanto se mantém totalmente 2D. Já o CG, como acontece com muitos animes, fica bem deslocado em algumas cenas. E os jatos de sangue, bom, são… esquisitos. Muito esquisitos.

Quanto aos problemas, vejamos…

Como eu disse alguns parágrafos acima, o anime fica cansativo em alguns momentos. Algumas cenas são desnecessariamente esticadas e outras passam voando, não permitindo que o espectador dê conta de tudo o que está acontecendo. O alívio cômico não funciona muito bem, chegando a irritar algumas vezes por causa do timing ruim.

Se você gosta de investigação baseada em raciocínio e estratégia como em Death Note, provavelmente vai se decepcionar com B: The Beginning.

Em Death Note, o L ia fazendo várias deduções a partir das informações existentes. O espectador acompanhava o processo de raciocínio e ficava impressionado, porque realmente parecia muito inteligente (mesmo que não fosse). Neste anime, o investigador enche quadros e paredes com equações inexplicadas e logo descobre alguma informação importante. Não acompanhamos o raciocínio dele. Parece um passe de mágica, não dedução. É verdade que há momentos em que podemos ver o processo de raciocínio dos personagens. Mas justamente no começo, quando eles deveriam nos impressionar para nos convencer da sua inteligência, não o fazem

Esse problema se repete com outros personagens, como a Lily Hoshino. Todo mundo diz que ela “tem alguma coisa especial”, e ao mesmo tempo que “é uma idiota”. Eu só consegui acreditar no “é uma idiota” porque ela passa maior parte do tempo se comportando como “a garota-kawaii-atrapalhada-bobinha”. Nenhuma de suas ações mostra ou pelo menos insinua que ela é especial. “Ah, mas foi por causa dela que o Keith fez isso ou descobriu aquilo”. Pois é, quem fez isso ou descobriu aquilo foi o Keith, não ela

Falar na Lily Hoshino me leva a uma outra questão da série: as personagens femininas.

Eu não me importo com o clichê do “herói que luta para salvar ou proteger ou vingar a garota que ama”. O problema é que o anime tem TRÊS mulheres que precisam ser salvas, protegidas ou vingadas. É demais para uma série de 12 episódios. A única personagem feminina competente no anime é personagem secundária com pouquíssimo destaque. Como mulher, isso me incomodou um pouco, ainda mais em se tratando de uma produção nova.

Então B: The Beginning é um anime ruim? Não. Eu apontei vários problemas, mas, vejam só, nenhum deles me fez desistir de assistir até o fim. Portanto, não dá para dizer que é RUIM.

Claro que não chega a ser uma obra-prima memorável, para rever várias vezes e querer convencer seus amigos a assistir para depois poder conversar a respeito. Mas é, com certeza, uma boa diversão para um domingo chuvoso.

 

Instrutora de inglês, "arteira", amante de animes e mangás. Você também me encontra no Twitter (@lks46), no Deviantart (https://liviaks.deviantart.com/), e no Instagram (liviasuguihara).