Crítica – Mahoutsukai no Yome (Episódios 01~06)

Nome Original: 魔法使いの嫁

País: Japão

Ano: 2017 – 2018

Duração: 24 min por episódio

Episódios: 24 (ainda em exibição)

Diretor: Naganuma Norihiro

Estúdio: Wit Studio

*Esta crítica apresenta levíssimos spoilers e não leva em conta o produto original, bem como nenhuma outra de suas vertentes (mangá e OVAs). Serão tratados neste texto os episódios 01 ao 06, equivalentes ao primeiro volume do Blu-Ray de Mahoutsukai no Yome, que saiu à venda em 29/11/2017.

Seja nas populares produções cinematográficas, na literatura ou até mesmo nos animes, já estamos mais do que acostumados a ver a relação entre humano e besta nos contos fantásticos. Esses, ao correr das gerações e ao atingir certo nível de importância cultural, são passados adiante em forma de fábulas maravilhosas que contamos às nossas crianças. Foi assim com Beauty and the Beast (A Bela e a Fera), Frankenstein; or, the Modern Prometheus (Frankenstein ou o Prometeu Moderno), Dracula (Drácula), Tonari no Totoro (Meu Amigo Totoro) e muitos outros.

De forma alguma, e que isso fique bem claro, estou comparando a relevância das séries citadas à de Mahoutsukai no Yome, um show que nasceu em uma época em que poucas são as animações que podemos passar de pai para filho como prazerosa lembrança – criações que o Studio Ghibli sabia produzir com maestria -.

O anime protagonizado por Hatori Chise (dublada por Tanezaki Atsumi, competente profissional que finalmente está ganhando seu lugar ao sol) e Elias Ainsworth (vivido por Takeuchi Ryouta, primoroso como Ushijima em Haikyuu!!) se apresenta, perante toda sua temática e cenários de inclinação europeia, como uma verdadeira carta de amor aos contos lendários e mágicos que mencionei, entre outros tantos que vêm à nossa cabeça ao pensarmos em fadas, lobisomens, dragões e seres do tipo (os nomes de boa parte dos personagens serem em inglês também ajuda para que a natureza da série seja levada para esse lado).

Caso uma simples mudança fosse feita, Mahoutsukai cairia na desgraça de seguir o caminho dos tão “mais do mesmo” battle shounens, e esse ponto, sem dúvidas, é a protagonista. Chise é uma garota de 15 anos ridicularizada e abandonada pelos pais (a mãe se suicida bem na sua frente, cena mostrada logo no início do anime), vendida num leilão como escrava e comprada por Elias, uma criatura de forma assustadora com corpo humano e cabeça de crânio de gado.

Aqui, caso a menina tivesse personalidade explosiva e enérgica, ela assumiria o papel de jovem em busca de aventuras em um mundo onde magia e criaturas existem, sendo a fera uma espécie de tutor que a treinaria ao bom e velho estilo Karate Kid. Acontece que série com premissa extremamente parecida a essa estrearia na mesma temporada (sim, estou falando de Black Clover). Ponto positivo para o autor da obra original (mangá), Yamazaki Kore, ao resistir às tentações de criar uma série de lutas mainstream e focar numa garota fragilizada e com receios às novidades, típicas de alguém que viveu desgraças e traumas até então.

A fera com cabeça de gado não perde espaço. Inversamente à sua aparência externa, Elias Ainsworth é um respeitado mago de grande renome e palavreado polido. Apesar de ser oculto a nós que expressão facial o personagem está fazendo (afinal, uma caveira não é capaz de produzí-las), é ele quem protagoniza os poucos momentos de comédia da série. Momentos esses que não nos fazem rir de forma alguma, mas servem bem para aliviar um pouco a tensão séria do anime.

Em meio a tantos pontos acertados, as poucas falhas ficam expostas. Além de não ser explicado de maneira clara como as magias funcionam naquele universo (nunca se sabe o que pode ou não fazer com magia), o exagero do recurso visual e sonoro para transformar cenas comuns desnecessariamente em algo muito mais “bonito” do que verdadeiramente é causa estranheza. Se usada uma vez a cada três episódios, em média, o impacto é forte e positivo, mas essa ação se mostra presente em praticamente todos, acusando a zona preguiçosa do roteiro e imposição desnecessária como forma de gastar tempo.

Por mais que pouco tenha tido real ligação até aqui, culminando em eu não me importar com nenhum personagem sem ser os dois, Mahoutsukai no Yome é um anime delicioso, que entrega aos olhos e ouvidos do espectador uma sensação angelical. A animação é majestosa (como já se espera do Wit Studio, de Shingeki no Kyojin e Koutetsujou no Kabaneri), um deleite de cores, paisagens e indivíduos que compõem a ambientação fantasiosa com perfeição.

Já a trilha sonora (dirigida pelo Diretor de Som Shouji Hata, excelente exercendo a mesma função em Fairy Tail, Log Horizon e One-Punch Man) nos encanta com sons que remetem ao nórdico, à natureza e ao mágico. Isso sem contar, claro, as maravilhosas canções inseridas nos episódios. Um anime para se assistir acompanhado de um saboroso chá.

Nota: 8,5.

*Texto escrito por Felipe Vital e retirado do blog Crítica Cinza.

Estudante do terceiro ano de Jornalismo no Centro Universitário de São José do Rio Preto - UNIRP e apaixonado por animações. Além de entusiasta na área de cartoons e animes desde 2009, resolveu se aventurar pelo mundo da especialização em crítica às animações de todas as formas. Dono do blog Crítica Cinza, Estagiário da Rádio Jovem Pan - Catanduva e apresentador/criador do Luz, Câmera, Som na Rádio UNIRP.