Crítica – Black Clover (Episódios 01~10)

Nome Original: ブラッククローバー

País: Japão

Ano: 2017 – 2018

Duração: 23 min por episódio

Episódios: 51 (ainda em exibição)

Diretor: Yoshihara Tatsuya

Estúdio: Pierrot

*Esta crítica não apresenta spoilers e possui leves comparações com o produto original (mangá). Serão tratados neste texto os episódios 01 ao 10, equivalentes ao primeiro volume do Blu-Ray/DVD de Black Clover, que sai à venda em 23/02/2018.

Anime de um battle shounen da Weekly Shounen Jump. Black Clover grita essa frase de todas as formas, desde as personalidades de seus personagens, frases impactantes motivacionais, passando pelo ligeiro viés cômico e pela ação com lutas repletas de poderes especiais, sem dúvidas a característica principal que acompanha os sucessos do gênero. A história segue a jornada de dois órfãos chamados Asta e Yuno rumo aos seus sonhos de serem o Rei Mago (a figura suprema e mais poderosa de mago) em um mundo onde magia é absolutamente tudo.

Apesar de repleto daqueles enjoativos clichês que assombram quase toda grande produção dos tão populares battle shounen, como a demonstração farta de amizade, rivalidade amigável, certo drama em segundo plano e personagem principal que possui nobres intenções e coração valente, não podemos excluir o fato de que tais características são essenciais e precisam ser mostradas perante a idade do público-alvo: as crianças e jovens (em especial os garotos de 9 a 15 anos, verdadeiros devoradores de séries como essa).

Com a adaptação para anime, Black Clover ganhou algo de grande importância que, em seu material original, o mangá, era quase que totalmente deixado de lado: o desenvolvimento e aprofundamento na história dos personagens. O diretor ganha pontos em mostrar, através dos tão odiados fillers (mas que cumprem um papel muito bom e necessário aqui, apesar de alguns serem propositalmente alongados para preencher os minutos do episódio), o passado dos personagens de maneira que o telespectador crie um vínculo afetivo muito maior do que o existente na série em quadrinhos. Nela, Yuuki Tabata, criador original da obra, peca e muito nesse quesito, mostrando sua imaturidade como roteirista ao apresentar esses elementos (que poderiam ser construídos de forma muito mais trabalhada, sem a horrível pressa característica da obra ilustrada) tão importantes em três ou quatro páginas.

Falando em Yoshihara Tatsuya, é impossível falar da animação do anime sem citá-lo. Tatsuya é um experiente e reconhecido animador (muito mais competente nessa área do que como diretor, profissão em que ainda precisa se aprimorar), e por mais que não esteja diretamente envolvido com a direção artística em si, sua lista de contatos é repleta de nomes extremamente eficientes. Afinal, o que podemos esperar de um anime em que o diretor já foi key animator de séries como Ano Hana e Arakawa Under the Bridge x Bridge? Claro, imagens maravilhosas e algumas cenas de ação de tirar o fôlego, muito acima da média de quase todos animes de luta dos últimos anos (citando, especialmente, passagens do episódio 01, 02, 04, 06 e 10, marcantes com maravilhosos sakuga).

E é, ainda por influência dele, que chegamos ao ponto de maior destaque dessa primeira parte de Black Clover: O encerramento. Dispensando comentários sobre a música (feita pelo dueto Itowokashi, que já haviam sido perfeitos em Sousei no Onmyouji, e aqui não deixam a qualidade cair), ele é todo dirigido, roteirizado e animado pelo animador prodígio Ryu Nakama. Tanto ele quanto Tatsuya são jovens da mesma geração e que trabalharam juntos no passado, culminando assim, num convite especial para que o encerramento desse fosse feito por Ryu. Assistindo ou não ao anime, é mais do que recomendável que você vá conferir essa maravilhosa produção. Uma pena possuir apenas um minuto e meio.

A trilha sonora também é correta e se mostra marcante em momentos estratégicos, fazendo com que o hype se faça presente e se eleve na medida com que o espectador se empolgar com o que está assistindo. E já que o assunto são os sons, como deixar de citar um dos pontos que mais causaram insatisfação ao público? Sim, estou falando dos dubladores (em específico, de um dublador).

Figuras populares de grande talento e renome estão presentes na equipe, como Nobunaga Shimazaki (Nanase Haruka de Free!) e Fukuyama Jun (Lelouch Lamperouge de Code Geass), mas o centro das atenções, e infelizmente não de uma forma positiva, é o inexperiente Kajiwara Gakuto, interpretante do Asta. Seus gritos triplamente mais constantes que o necessário possuem um som extremamente elevado e dolorido aos ouvidos, fato que torna o personagem memorável e único, mesmo que não da maneira positiva que gostaríamos. Aqui, não se trata da voz não combinar com o personagem (pois é perfeita para ele) ou as entonações não serem aplicadas corretamente, mas sim do volume no controle de som ser extremamente elevado e da nota aguda do ator, ao gritar, sair de maneira tão “suja”. Caso aguente os três primeiros episódios, há uma notória redução no volume e na quantidade de gritos, além de que seus ouvidos já estarão, pelo menos, quase que acostumados.

Black Clover é um anime sem nenhuma inovação, animação beirando a perfeição nos dois primeiros episódios, mas com qualidade inconsistente nos restantes e personagens que cumprem o que se espera de um battle shounen. Pelos 10 episódios vistos, pouco realmente se desenvolveu e os supostos verdadeiros vilões deram um background legal no final do último, naquela velha e boa intenção de deixar o público curioso com o que acontecerá mais pra frente.

Acima de tudo, a série é uma perfeita jogada comercial (sendo descaradamente tratada como “épica aventura” nos trailers, pela alta divulgação e investimento) para que funcionasse e se tornasse o sucesso mundial que é hoje, lembrando que seu mangá estreou propositalmente pouco após o final de NARUTO, aproveitando totalmente sua vibe semelhante e pegando os fãs órfãos da obra. Aconselhável àqueles que querem um autêntico e puro anime de luta, sem diálogos complexos ou plot twists inimagináveis.

Nota: 6,5.

*Texto escrito por Felipe Vital e retirado do blog Crítica Cinza.

Estudante do terceiro ano de Jornalismo no Centro Universitário de São José do Rio Preto - UNIRP e apaixonado por animações. Além de entusiasta na área de cartoons e animes desde 2009, resolveu se aventurar pelo mundo da especialização em crítica às animações de todas as formas. Dono do blog Crítica Cinza, Estagiário da Rádio Jovem Pan - Catanduva e apresentador/criador do Luz, Câmera, Som na Rádio UNIRP.