Crítica – Kino no Tabi: the Beautiful World – the Animated Series

Nome Original: キノの旅 – the Beautiful World – the Animated Series

País: Japão

Ano: 2017

Duração: 23 min por episódio

Episódios: 12

Diretor: Taguchi Tomohisa

Estúdio: Lerche

*Esta crítica não apresenta spoilers e não leva em conta o produto original, bem como nenhuma outra de suas vertentes (light novel, mangás e outros animes).

“O mundo não é bonito, portanto é”. É com essa frase, presente na sinopse do anime, que podemos resumir corretamente a história de Kino, uma jovem viajante, e Hermes, sua motorrad (uma espécie de moto).

Com um excelente trabalho de dublagem que vale a pena prestar atenção (protagonizado por Saito Souma, magnífico como Twelve em Zankyou no Terror, e Yuuki Aoi, marcante em Gosick como Victorique), a história conta as aventuras de Kino pelos países em que passa, ficando no máximo três dias em cada, tempo que, de acordo com ela, é o ideal para se conhecer os costumes e tradições de um lugar. Aqui, vale ressaltar a imensa criatividade em desenvolver regras e cenários completamente distintos para cada país, o que atiça a curiosidade do telespectador sem deixar que o anime caia na mesmice ou se torne maçante demais. É tudo sempre novo e diferente (apesar do mesmo roteiro sempre ser seguido em cada visita).

Com uma animação estonteante, cheia de cores e com abuso do grande plano geral (o que reforça com maestria a sensação de mundo aberto e liberdade), infelizmente a série peca em um dos pontos que poderiam elevá-la de muito boa para espetacular: a trilha sonora. Apesar de uma abertura maravilhosamente bem interpretada por Yanagi Nagi, a fantástica cantora por trás dos encerramentos de Nagi no Asukara, Ano Natsu de Matteru e muitos outros, é realmente uma pena que a soundtrack de Kino no Tabi tenha apenas feito o “dever de casa” (o que não é de se esperar de Satoki Iida, o diretor de som que também foi responsável pela parte musical de grandes sucessos como Angel Beats e Tsuki ga Kirei).

A química entre os principais funciona, e se não fosse pelo fato de Kino ser um humano, e Hermes uma moto, não seria nada errado supor que eram irmãos de sangue que sempre estiveram juntos desde o início de suas vidas. Porém, enganam-se os que acham que há apenas os dois como personagens recorrentes.

Tão carismáticos quanto eles, o anime ainda reserva alguns poucos episódios para apresentar outros viajantes e desenvolver (apesar de forma rasa) suas histórias, e, claro, mostrar o personagem-chave que fez com que Kino iniciasse tal estilo de vida (podendo ser citado que, o episódio em que esse apareceu, é de longe um dos mais angustiantes e cruéis).

Contudo, não posso deixar de citar a total isenção de posicionamento de tempo. Sem haver qualquer ritmo de continuidade entre um episódio e o outro, o show culmina em histórias esporádicas e pontuais, quase que um amontoado de one-shots, sem sabermos quando ocorreram ou quanto tempo passou entre uma e outra. Sem dúvida, isso se deve ao fato de que esse anime seja apenas uma adaptação dos contos favoritos dos leitores da light novel em um concurso de popularidade, o que nos impossibilita de ligar os fatos da história. De toda forma, é absolutamente possível pular alguns episódios (ou quase todos) e, mesmo assim, ficar por dentro do final da série.

Um anime corajoso, repleto de finais de episódios imaginativos e inesperados (o sentimento de surpresa é constante durante o assistir), uma pitada de fantasia, diálogos, monólogos e uma mirabolante quebra da quarta parede na última cena, em que Hermes assume o papel do telespectador, e Kino, o de representante da série num geral. Kino no Tabi é mais do que indicado para se maratonar num final de semana chuvoso acompanhado de guloseimas.

Nota 8,5.

*Texto escrito por Felipe Vital e retirado do blog Crítica Cinza.

Estudante do terceiro ano de Jornalismo no Centro Universitário de São José do Rio Preto - UNIRP e apaixonado por animações. Além de entusiasta na área de cartoons e animes desde 2009, resolveu se aventurar pelo mundo da especialização em crítica às animações de todas as formas. Dono do blog Crítica Cinza, Estagiário da Rádio Jovem Pan - Catanduva e apresentador/criador do Luz, Câmera, Som na Rádio UNIRP.