Fastest Fingers First: o anime de esporte, sem esporte

Não adianta negar, todo gênero artístico tem seus clichês. Prova disso é o TV Tropes, site que acumula centenas de clichês comuns em filmes, séries, quadrinhos e toda sorte de produção artística. Em mangás/animes de esporte temos, por exemplo, o protagonista que não conhece nada sobre a modalidade mas mesmo assim é um talento nato, ou o rival que perde uma única vez para o protagonista e mesmo assim jura vencê-lo em uma revanche, ou até mesmo o coadjuvante que entende tanto das regras que consegue encontrar pequenas “falhas” nelas, usando essas falhas para vencer. Mesmo Hajime no Ippo possui diversos clichês comuns a obras do gênero shonen de esporte.

Mas: e se aplicássemos esses mesmos clichês de animes de esporte a uma atividade que não é exatamente um esporte “físico”? Será que ainda funcionaria?

Nanamaru Sanbatsu (ou Fastest Fingers First, como ficou conhecido no ocidente) tenta responder a essa pergunta, e pelo menos na minha opinião o resultado é mais do que positivo. O anime, baseado em um mangá que até o momento conta com 14 volumes, conta a história de Shiki Koshiyama, um generi-kun qualquer que ao invés de fazer novos amigos ou praticar qualquer atividade extra prefere ler livros alucinadamente, não importando o assunto. Isso faz com que ele seja um poço de conhecimento, mas viva isolado no ambiente escolar. Até que ele descobre o Clube de Quiz da escola e percebe que todo o conhecimento acumulado pode ser útil no fim das contas, em competições de perguntas e respostas, onde quem ganha precisa não só saber a resposta certa, como também responder primeiro!

E… é isso. Como em boa parte dos animes de esporte, não há muito espaço para desenvolvimento de personagens além do próprio protagonista, com os coadjuvantes próximos servindo na maioria das vezes apenas para explicar as regras ou para criar algum tipo de conflito. Talvez pela limitação de tempo (apenas 12 episódios, sem confirmação de uma segunda temporada) todo o foco acaba sendo nas competições, e com isso tirando o núcleo central todo o resto dos personagens são bem esquecíveis. Na maioria dos casos, você nem vai saber se os personagens possuem nome. E, honestamente, não faz diferença alguma que tenham.

Mas, como já dito, o resultado no geral é bem positivo, e a idéia de transformar uma atividade intelectual em uma história com todos os clichês de esporte funciona muito bem. Fastest Fingers First dá um passo além de Hikaru no Go nesse sentido, já que o jogo de quiz pode ser jogado em times, ou contra diversas pessoas, além de permitir variações diferentes do jogo.

Você acaba ficando preso na frente da tela tentando adivinhar a resposta das perguntas junto com os personagens, ou pirando com as possibilidades que um mero jogo de conhecimento podem apresentar. Cada competição possui suas próprias regras e é interessante ver o crescimento do Koshiyama dentro do universo de jogos de perguntas e respostas, tendo que se adaptar rapidamente às regras apresentadas para tentar avançar dentro da competição. Da mesma forma, o próprio crescimento do personagem principal fora do jogo, inicialmente uma pessoa isolada mas que encontra no recém-formado Clube de Quiz da escola uma forma de socialização e de fazer amigos, além de compartilhar seu conhecimento.

Para um jogo que na maioria dos casos pareceria bem chato de assistir, Fastest Finger First consegue deixar o Quiz dinâmico. Uma vitória e tanto. Concluindo, Nanamaru Sanbatsu é um anime da temporada de verão 2017 que pode ser interessante tanto para fãs do gênero esporte shonen quanto para fãs de cultura inútil. O que no meu caso é 100% de aproveitamento.

A série pode ser encontrada no Crunchyroll, com legendas em português, e o Genkidama recomenda que vocês assistam por lá. Não ganhamos nenhum centavo por essa recomendação (mas poderíamos e ficaríamos bem felizes de ganhar) mas apoiamos sempre que possível que as obras sejam apreciadas por meios oficiais 🙂

    Comediante geek e pirata semiprofissional. Cheguei na Internet antes de você nascer. Era tudo mato isso aqui.