Minha preocupação sobre o rumo da indústria de games

O lançamento desastroso de Assassin’s Creed Unity, jogo que veio totalmente mal otimizado no primeiro dia do lançamento, e com diversos erros técnicos, nos faz questionar o que as grandes publicadoras estão fazendo com essa indústria.

Lembrando um pouco sobre o “Grande Crash de 83”, evento histórico no mercado dos games onde a indústria quase faliu. O evento aconteceu por causa da grande quantidade de jogos mal feitos, lançados na época para o Atari 2600. A mesma prática está sendo repetida atualmente pela maioria das grandes publicadoras de grandes jogos AAA multiplataformas, e deixa um temor sobre o futuro.

83
Esse foi o destino do jogo E.T. após ter quebrado a indústria em 1983.

Desde 2012 vem sendo lançados jogos que, desde o primeiro dia de lançamento, vem apresentando graves erros técnicos, como por exemplo SimCity e BattleField 4 que estavam “quebrados”, ou não eram aquilo que estavam sendo apresentados para os jogadores. Watch Dogs foi o maior exemplo disso, pelo downgrade sofrido na versão final e os problemas de desempenho nas primeiras semanas. As empresas podem visar o lucro se quiserem, mas apenas se estiverem entregando um produto final de qualidade para seu consumidor e não um produto inacabado. 

call-of-duty-ghosts-walkthroughUma prática de negócios que  acaba influenciando diretamente na qualidade final dos jogos é a “Anualidade de Franquias”. Cada vez mais as publicadoras estão dando menos recursos e tempo para os desenvolvedores terminarem seus jogos. Isso faz com que, em teoria, séries muito boas se tornem produtos defeituosos, que prejudicam a experiência final do jogador. Call of Duty: Ghosts e o Assassin’s Creed Unity são os maiores e mais recentes exemplos disso.

As relações públicas das publicadoras também estão piorando, de forma que os consumidores de seus produtos vivem sendo lesados. Empresas como Eletronic Arts e Activision são as piores, (agora a Ubisoft também). ÍndiceO Season Pass é a maior mentira que elas já inventaram na história dos games, pois falam que estão fazendo o conteúdo depois que o jogo for lançado, quando na verdade, estão fazendo junto com o jogo, ou seja, propositalmente estão tirando conteúdo que já deveria estar na versão final. Algumas empresas fazem práticas piores, como as DLCs já existentes no disco, mas trancadas para serem vendidas depois (a Capcom adora isso). Fora o caso de Demos pagas.

Muitas dessas publicadoras, como a Ubisoft, já chegaram a dizer que lançam jogos anuais porque os fãs pedem. No entanto, essa afirmação não condiz com a realidade. Elas mesmas criam o “hype” em cima de seus jogos, com intenção de causar ansiedade nos jogadores e depois usam isso como desculpa, caso os jogos apresentem problemas.  Não é porque muitas pessoas compram muitos jogos anualmente que eles devem ser lançados “quebrados”, e só funcionarem após um patch de atualização, normalmente liberado dois dias após o lançamento.

take twoFelizmente ainda existem publicadoras como a Take Two, que é proprietária da RockStar (GTA, Read Dead Redemption, Max Payne) e a 2K Games (NBA 2K, Borderlands, Bioshock) e a Nintendo (Franquias Mário, Zelda, Pokémon) que apesar de terem modelos de gestão diferentes, entregam jogos excelentes e muito bem trabalhados, além de usarem práticas que visam lucrar de forma a não prejudicar o consumidor. Deveriam ser elas as empresas referências na indústria, e não as mercenárias, mas infelizmente não é assim que as coisas funcionam.

Essa é a reflexão que cheguei sobre o atual rumo da indústria, com essa práticas que prejudicam a nós, consumidores. É preciso que as publicadoras percebam logo que não estamos sujeitos a tudo que elas colocam no mercado. Alguma hora, a maioria vai parar de comprar os jogos e isso poderá gerar um novo “Crash na Indústria”. O que acham desse rumo que a indústria pode tomar ? Deixem seus comentários. Até a próxima.