Toki wo Kakeru Shoujo – Review

Do mesmo diretor do renomado Summer Wars e do estúdio que produziu animes como Death Note e ainda produz animes como Hunter x Hunter (2011) nasce Toki wo Kakeru Shoujo, a história de uma garota que tenta mudar sua vida através de saltos temporais.

Primeiramente gostaria de me apresentar, meu nome é Gabriel Macena e sou um dos redatores da nova fase do Portal Genkidama, alguns podem me conhecer pelo meu apelido fixo de GaaMac pela internet a fora. Apesar de ser um novato no que se diz leitor de mangás acompanho um número alto de animes e procuro sempre que possível uma expansão de horizonte em relação a eles. Espero trazer uma grande porção de conteúdo assim como os integrantes e os novos membros que virão junto a mim compor a equipe do Portal Genkidama.

Sem mais delongas, hoje irei recomendar um filme de um de meus diretores favoritos.

Toki wo Kakeru Shoujo
Título(em português): A Garota que Conquistou o Tempo;

Título Original: Toki wo Kakeru Shoujo;

Ano: 2006;

País: Japão;

Gênero: Aventura, Drama, Romance, Sci-fi;

Duração: 1hr. 37 min;

Sinopse: Toki wo Kakeru Shoujo conta a história de Makoto Konno e seus grandes amigos Chiaki Mamiya e Kousuke Tsuda, a adolescente descobre a habilidade de produzir “saltos temporais” alterando assim seu passado em busca de uma vida perfeita. Porém, ela percebe que as coisas não serão tão simples assim. Mudar o curso dos eventos predestinados pode trazer grandes alterações à sua vida.

Time waits for no one

Toki wo Kakeru Shoujo foi um filme produzido em 2006 por um de meus diretores favoritos. Mamoru Hosoda efetuou a criação de um número variado de obras cinematográficas e entre suas mais vangloriadas estão Summer Wars e Ookami Kodomo no Ame To Yuki (Wolf Children). Toki wo Kakeru Shoujo traz ao espectador uma mistura de suspense e romance tematizada em nosso presente com algumas poucas junções ao tema que foi adquirido como Sci-fi, contando a história de uma adolescente que tenta mudar sua vida através de saltos temporais, cria uma grande bola de neve de sentimentos que ao decorrer do filme se transforma em afeto à protagonista.

O filme do começo ao fim traz um sentimento de liberdade contando aos poucos como é a vida dos personagens ali presentes, toda a sistematização dos acontecimentos ao decorrer dos saltos temporais é surpreendente, como algo que acontece ao começo que dá o menor sinal de importância, traz grandes alterações ao futuro da narrativa acaba ganhando a admiração de qualquer um. Essa pequena característica sempre me fez refletir se a história foi escrita em uma cronologia habitual o que resultaria em uma total atenção aos detalhes de uma forma simples e sublime. Um filme que tenta acentuar as feições humanas em relação as nossas próprias escolhas de vida.

Abordando um tema um tanto quanto surpreendente de uma forma que eu jamais poderia imaginar, ele aos poucos e sutilmente expõe a nós perguntas que possivelmente nos trarão a frente reflexões sobre as ações da personagem e seus principais objetivos. Será que sacrificar seu futuro em busca de um passado perfeito é um objetivo digno e que respeitaria os outros à sua volta assim como sua individualidade. Apesar da questão parecer um tanto quanto sombria e pesada é exatamente o contrário que ela é jogada a deriva dos pensamentos do espectador. Uma das principais características que poderiam passar despercebidas ao decorrer do filme é o quanto ele se empenha em criar uma calmaria predominante durante as cenas de plano geral que são estonteantes.

Os personagens em geral são um tanto quanto carismáticos. Os dois adolescentes que acompanham a personagem principal tornam os diálogos mais do que interessantes e cativantes mesmo que ao decorrer do tempo eles se tornem cada vez mais imponentes e menos frequentes devido as ações da protagonista. Cada um tem pequenas nuances em suas respectivas personalidades tornando assim o clima escolar ainda mais atraente do que normalmente seria.

A animação carrega um estilo próprio que em certos momentos chega a surpreender, as expressões durante as cenas de mais importância transmitem grande destaque assim como as músicas que compõem o filme (destaque para Daylife de Kiyoshi Yoshida e Kawara Nai Mono de Hanako Oku), cada pequeno movimento e corte de câmera traz sempre uma sensação de presença ao mundo, o que torna tudo muito natural e impõe sempre, como dito anteriormente, um sentimento de liberdade que também faz parte do repertório de emoções que emanam da protagonista.

Até aqui eu tentei lhe convencer a assistir Toki wo Kakeru Shoujo como pude, apesar de parecer apenas um história boba aos primeiros minutos ela cresce ao decorrer do tempo criando uma tensão e aproximação entre os personagens já cativantes pertencentes aquele mundo. Daqui em diante tentarei analisar a história como um todo o que resultará em uma miscigenação de SPOILERS de algumas cenas que com certeza lhe trarão desconforto ao ser assistidas sabendo seus respectivos finais (apesar de não ter um número tão alto de spoilers ainda recomendo que assista o filme antes de ler a continuação do texto sobre a obra).

Ao decorrer dos saltos temporais, a protagonista tenta alterar seu passado desastroso, gerando assim um futuro em que seria perfeito para ela viver e degustar das belezas da vida, porém os erros que ela cometeria são cometidos por outras pessoas o que ultrapassa o senso de justiça de muitos devido a isso, a personagem principal acaba ganhando um toque humano em sua personalidade, não percebendo a infantilidade em suas ações. A cada salto, ela percebe o quão só ela se tornaria se as coisas não dessem errado, se o destino não interferisse em sua vida o quão tediosamente ela iria viver ? É ai que entra uma de minhas personagens favoritas em toda a história, Kazuko Yoshiyama, tia de Makoto, que tenta ao decorrer dos dias e viagens temporais dar dicas sobre como viver sua vida ou até sobre relacionantes interpessoais. Apesar de ser uma personagem secundária, carrega um carisma nostálgico sempre quando não está presente em determinada cena (quase todas as ocasiões) assim como muitos outros personagens.

Depois de muitas alterações de tempo e tentativas falhas de vida perfeita chegamos ao climax do filme. Prefiro não descrever a cena em questão ou até produzir um resumo sobre tal. O filme em si carrega uma grande moral e reflexão apesar do clima ser totalmente o oposto para tal situação, a animação junto a suas expressões e músicas compõem as cenas de uma forma perfeita e ao mesmo tempo altamente satisfatória, é uma ótima aposta para aqueles que querem começar a conhecer o diretor ou até para aqueles que não assistiram o filme apesar de gostar do mesmo.

Toki wo Kakeru Shoujo é um ótimo filme que agrega ainda mais valor ao nome de Mamoru Hosoda. Com o passar dos anos sua animação contínua fluída e sua proposta não envelhece como algo que já está saturado no mercado de filmes e animes (apesar de um de seus principais assuntos seja a viagem no tempo).

E é aqui que eu me despeço, apesar de ser um review um tanto quanto simples, pequeno e categórico eu escolhi comentar sobre o filme tentando não estragar a experiência dos que ainda irão assisti-lo, espero que tenham gostado, se quiserem me encontrar estarei sempre presente no Twitter como um exímio procrastinador, até a próxima.